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segunda-feira, 22 de março de 2010

Diferentes tipos de aprendizes

Estilos de aprendizagem baseiam-se na forma como assimilamos informação. Podemos aprender através da visão, do toque e/ou da audição. Também temos diferentes tipos de memória – algumas pessoas têm mais facilidade de se lembrar de acontecimentos do que outras. Algumas pessoas aprendem detalhes, enquanto outras gostam de ver o todo. A maioria das pessoas tem um estilo de aprendizagem preferido – a maneira pela qual aprendem melhor. Seu filho também tem um estilo de aprendizagem preferido.

Aprendizes de rotinas


Muitas crianças com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), como Michele, obtêm informações memorizando coisas sem pensar. Essas crianças memorizam uma enorme quantidade de informações – tais como números e letras – quando pequenas, e muitos fatos sobre assuntos específicos quando crescem. Se por um lado podem recitar a informação palavra por palavra, por outro freqüentemente não entendem o que estão dizendo.

Aprendizes Gestalt

Muitas crianças com TEA memorizam sentenças como um todo sem compreender o significado de cada palavra. Crianças que processam a informação desta forma têm um estilo de aprendizagem “gestalt”. Por exemplo, se der ao seu filho um brinquedo de banheira e disser “Ponha isso na água”, pode ser que ele atenda. Contudo, se der a ele um brinquedo de banheira e disser “Ponha isso na estante”, pode ser que ele o ponha na água. Seu filho comete esse erro porque associa qualquer frase que contenha a palavra “ponha” com uma ação específica, independentemente das outras palavras da frase.


Ao contrário de outras crianças que aprendem a falar usando palavras isoladas e depois gradualmente adquirem frases de duas palavras e sentenças curtas, crianças que são aprendizes gestalt começam a falar repetindo sentenças inteiras. Crianças com aprendizagem gestalt costumam lembrar de tudo em uma situação, mas quase sempre não conseguem discernir o que é importante do que não é.

Na figura, por exemplo, Felipe não consegue dizer ao pai como está se sentindo com as próprias palavras. Em vez disso, repete um trecho que memorizou de uma música que ele associa com tristeza.

Aprendizes Visuais

Se o seu filho gosta de olhar livros ou ver TV, pode ser um aprendiz visual. A maioria das crianças com qualquer dificuldade de linguagem aprende melhor quando vê coisas do que quando as ouve. Uma vez que a visão é o sentido mais forte, muitas dessas crianças ficam encantadas por livros ilustrados e vídeos.

Aprendizes “mãos na massa”

Se o seu filho gosta de apertar botões, abrir e fechar portas e/ou consegue entender o mais complicado dos brinquedos, o mais provável é que ele seja um aprendiz “mãos na massa”, que aprende melhor pegando ou mexendo nas coisas.

Aprendizes Auditivos

Se o seu filho gosta de conversar e ouvir outros conversando, pode ser um aprendiz auditivo, que gosta de obter informações através da audição. Não é comum que uma criança com TEA dependa primariamente da aprendizagem auditiva.

Fonte: Livro Mais do Que Palavras de Fern Sussman

sábado, 12 de dezembro de 2009

Mãe diz que educação e treinamento ajudaram o filho a superar o autismo




Por Debbie Denmon WFAA-TV

É fascinante ver o quão longe Roman Scott progrediu oito anos depois de ter sido diagnosticado com autismo.

"Com 2 anos de idade ele não falava", disse sua mãe, Elizabeth Scott. "Tinha momentos em que ele não podia ficar parado. Um dia ele correu 60 voltas em torno da nossa sala de estar, se tentássemos pará-lo ele chorava porque queria continuar correndo. "

Roman parecia estar correndo de medo.

Ele também sentia medo de tocar as coisas com texturas diferentes, como massa de modelar, bolhas, ou alimentos comidos com as mãos.

"Todos os dias eu sentia tanto medo", Scott acrescentou, "então eu orei e pedi a Deus:" O que eu tenho que fazer para ajudar essa criança? " Pedi sugestões de fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais e então eu criei o meu próprio programa para ele ".

Scott precisou abandonar sua carreira como professora e começou a dedicar seu tempo em sessões da terapia desenvolvida por ela com o objetivo de treinar o cérebro de Roman, começando com o uso de jogos educativos.

Ela disse que eles fizeram 78 treinos e habilidades de forma lenta e metodicamente para construir a sua confiança.

"Ele sentia medo da chuva", disse Scott, "assim ele também sentia medo de tomar uma ducha. Então tivemos que dessensibilizar sua cabeça. Eu pegava um punhado de água e salpicava-lhe sobre a cabeça, permitindo a ele se acostumar com a água caindo sobre seu rosto. "

O vídeo do verão passado da família mostrando ele nadando na piscina é uma realização enorme.

Scott trabalhou com Roman 10 horas por dia durante três anos, e seus esforços lhe garantiram o sucesso - 45 sintomas autistas desapareceram, disse ela.

"Eu sei que muitos pais dizem" 10 horas por dia? Oh, é muito tempo. " Mas eu digo que faria tudo de novo. E agora eu tenho o meu filho de volta ", disse Scott.

A capacidade de Roman para completar quebra-cabeças difíceis ainda assombra sua antiga professora, Paige Garza.

Roman já havia participado de uma classe de educação especial.

"Eu teria que dizer que eu nunca vi uma pessoa se recuperar de autismo", disse Garza. "Este é o primeiro."

Garza fica surpresa ao vê-lo jogar com os outros. Roman costumava chorar e gritar, se outra criança o tocasse. "Quando me lembro de como ele era quando estava na minha classe. E agora? Posso dizer que estamos falando de duas crianças diferentes.", disse Garza.

Roman é agora um aluno normal do segundo ano numa sala de aula tradicional.

Ele tem um melhor amigo, destaca-se academicamente, e joga dois esportes.


Scott escreveu um livro intitulado "Raindrops on Roman, detalhando exatamente o que ela fez para ajudar o filho a se recuperar.

"Eu acredito no seu milagre", disse Scott, "mas, eu quero o milagre para todos".

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sinto-me só

Uma história tocante sobre uma família simultaneamente destruída e unida pelo autismo

"Um menino está sentado sozinho em um tapete branco manchado, com o canto de um cobertor desfiado enfiado na boca, balançando a cabeça, os dedos das duas mãos girando na altura das orelhas. Ele não parece sentir falta de companhia ou estar ansioso para buscá-la. Se você diz oi, ele não olha para você nem se volta na direção de sua voz. Se você se coloca em sua linha de visão, ele desvia o olhar..."

Karl Taro Greenfeld soube desde cedo que seu irmãozinho, Noah, não era como as outras crianças. Ele não engatinhava, tinha dificuldades para fazer contato visual e interagir com outros membros da família.

À medida que Noah foi crescendo, suas diferenças se tornaram ainda mais pronunciadas - ele era incapaz de se comunicar verbalmente, usar o banheiro e amarrar os sapatos, e, apesar da atitude angelical, sempre tinha explosões violentas.

Nenhum médico podia indicar com precisão o problema de Noah; nenhum especialista ia além do diagnóstico geral: autismo. Os pais do menino, Josh e Foumi, dedicaram a vida a cuidar do filho mais novo com variadas abordagens - uma experiência desafiadora e frequentemente dolorosa.

Agora, pela primeira vez, o aclamado jornalista Karl Taro Greenfeld fala sobre como foi crescer à sombra de seu irmão autista, revelando a complexa mistura de raiva, confusão e amor que definiu sua infância.

Sinto-me só são suas memórias brutalmente honestas.

Ao tecer tudo que os Greenfeld viveram na busca pelo tratamento de Noah com a história profundamente tocante de dois meninos diferentes crescento lado a lado, este livro levanta questões cruciais: os relacionamentos podem existir sem a linguagem? Como pais, que estão envelhecendo, podem ajudar uma criança autista e, depois, um adulto que não é autossuficiente a se tornar membro da sociedade?

Sinto-me só é um tocante livro de memórias. Greenfeld fala, com honestidade, sobre como foi crescer à sombra de seu irmão autista, revelando a complexa mistura de raiva, confusão e amor que definiu sua infância. A relação entre os dois é uma verdadeira lição sobre o que significa ser uma família, um irmão, uma pessoa.

A franqueza de Sinto-me só é arrebatadora e não deixará ninguém indiferente. Um exemplo de humanidade.

Editora: Planeta
Autor: KARL TARO GREENFELD
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 360
Acabamento: Brochura

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Coleções por Daniel Tammet

Uma das maiores fontes de frustração para meus pais foram minhas coleções obsessivas de diferentes coisas, como as castanhas marrons brilhantes que caiam no outono em grandes quantidades das árvores enormes que pontilhavam a estrada comprida perto de nossa casa.

Meus pais não gostavam que eu saísse sozinho. Assim, eu coletava as castanhas com meu irmão Lee. Eu não me importava - ele era um par extra de mãos. Recolhia cada castanha do chão com meus dedos e empurrava sua forma regular redonda para a concavidade de minha palma (hábito que mantenho até hoje - a sensação tátil tem uma ação reconfortante, embora agora eu prefira moeda ou bolas de gude). Enchia os bolsos um por um com as castanhas até lotar todos eles. Era como uma compulsão, eu simplesmente tinha de coletar cada castanha que conseguia encontrar e reuní-las num só lugar.

Tirava sapatos e meias e os enchia de castanhas também, voltando descalço para casa com mãos, braços e bolsos transbordando castanhas.

De volta à casa, despejava as castanhas no chão do meu quarto e contava-as várias vezes. Meu pai trouxe um saco de lixo e sugeriu que, enquanto as contasse, jogasse as castanhas lá dentro. Eu passava horas todos os dias coletando as castanhas, levando-as até o meu quarto e rapidamente enchendo o saco num canto.

No final, meus pais temeram que o peso das castanhas recolhidas pudesse danificar o teto do aposento sob o meu e levaram o saco para o jardim. Eles toleraram minha obsessão, deixando que eu continuasse brincando com as castanhas no jardim, mas sem trazê-las para casa. Com o passar dos meses, meu interesse acabou sumindo, e as castanhas mofaram, até que meus pais enfim providenciaram a sua remoção para o depósito de lixo local.

Pouco tempo depois, surgiu um interesse obsessivo em colecionar folhetos, de diferentes tamanhos. Costumavam ser despejados na nossa caixa de correio junto com o jornal local ou a correspondência da manhã, e eu me fascinava com seu aspecto reluzente e forma simétrica (não importava o que estava sendo anunciado - o texto não me importava). Meus pais logo reclamaram das pilhas precariamente empilhadas que se acumulavam em cada gaveta e cada prateleira da casa, especialmente quando se esparamavam pelo chão sempre que alguém abria um armário.

Como no caso das castanhas, minha mania de folhetos gradualmente desapareceu, para alívio dos meus pais.

Naquele verão, pela primeira vez permitiram que eu percorresse sozinho a distância curta entre a casa e a escola. O caminho era orlado por uma fileira de sebes e, certa tarde, ao voltar do colégio, notei um inseto vermelho minúsculo coberto de pontos pretos rastejando dentro de uma delas. Fascinado, sentei-me na calçada para observá-lo de perto, subindo e descendo por cada folhinha e galho, parando e recomeçando e voltando a parar em diferentes pontos ao longo de seu trajeto.

Suas costas pequenas eram redondas e brilhantes, e contei seus pontos várias vezes. Os transeuntes na rua me contornavam, alguns deles resmungando a meia-voz. Eu devia estar no meio do caminho, mas naquele momento, não pensava em outra coisa além da joaninha à minha frente. Cuidadosamente, estendi meu dedo para que ela subisse nele e corri para casa.

Eu nunca tinha visto joaninhas, a não ser nas figuras dos livros, mas havia lido tudo sobre elas. Empolguei-me com minha descoberta e quis capturar o máximo de joaninhas possível. Lá em cima, no meu quarto, havia um recipiente de plástico onde eu mantinha minha coleção de moedas. Esvaziei-o, despejando as moedas no chão, formando uma montanha de metal, e pus a joaninha dentro do recipiente.

Depois, voltei à rua e passei várias horas, até não conseguir enxergar mais nada de tão escura que estava a noite, olhando dentro das várias sebes em busca de joaninhas. Ao encontrar uma, pegava-a delicadamente com as pontas dos dedos e colocava no recipiente, junto com as outras. Eu havia lido que as joaninhas gostam de folhas e de pulgões; portanto arranquei das sebes montes de folhas e algumas urtigas com pulgões, colocando tudo no recipiente com as joaninhas.

Ao voltar para casa, levei o recipiente de volta para o quarto, colocando-o sobre a mesa de cabeceira. Com uma agulha, abri alguns buracos nas laterais do recipiente para que as joaninhas dispusessem de ar e luz suficientes em sua nova casa, depois tapei o recipiente com um livro grande para impedir que elas saissem voando pela casa. Na semana seguinte, todo dia após o colégio eu saia e colhia mais folhas e pulgões para as joaninhas, trazendo-os para o recipiente no meu quarto. Salpiquei água em algumas das folhas para que as joaninhas não sentissem sede.

Na escola, eu falava sobre as joaninhas sem parar, até meu professor, o Sr Thraves, exasperado, pediu que eu trouxesse para a aula. No dia seguinte, trouxe o recipiente comigo para a escola e mostrei minha coleção de joaninhas para ele e as crianças da turma. Àquela altura, eu havia encontrado e colocado centenas de joaninhas naquele recipiente. Ele deu uma olhada e, em seguida, pediu que eu pusesse o recipiente na mesa dele. Deu-me uma folha de papel dobrada para que a levasse ao professor da turma ao lado.
Demorei alguns minutos para fazer isso e, quando voltei, o recipiente havia sumido. O Sr. Thraves, temendo que as joaninhas escapassem do recipiente e voassem pela sala de aula, pedira a uma das outras crianças que o levasse para fora e soltasse todas as joaninhas. Quando percebi o que havia acontecido, senti como se minha cabeça fosse explodir. Irrompi em lágrimas e saí correndo do colégio até em casa.

Absolutamente perturbado, não disse uma palavra ao professor durante várias semanas, e se ele chamasse meu nome eu me agitava.

Texto extraído do livro Nascido em um Dia Azul de Daniel Tammet

domingo, 2 de agosto de 2009

Entendendo a essência

Quando vemos algo, seja um quadro ou uma frase em um livro, ou o mundo real, constatamos a abundância de detalhes. Em um quadro há muitas cores, formas, tamanhos e objetos. Muitos de nós temos a capacidade de reunir muitas informações a partir de uma situação para compreendê-la. Podemos ver o quadro como um todo. Isso é denominado "impulso de coerência central" (nós o denominamos "entender a essência"). Por exemplo, se ouvirmos os sinos da igreja badalando e vermos um grande grupo de pessoas trajando belas roupas e chapéus, jogando confete em um casal fora da igreja, podemos concluir que se trata de um casamento.

Crianças com autismo parecem ter grande dificuldade em reunir informações dessa maneira para entender a essência do que está acontecendo ou do que se espera delas. No exemplo do casamento dado acima, a criança com autismo pode concentrar-se nos sinos da igreja badalando, ou nos pedacinhos de papel voando, mas não identifica o evento como um casamento. Se estivéssemos em uma sala de aula e o professor dissesse "Peguem seus lápis", entenderíamos que a lição estava prestes a começar e teríamos de escrever alguma coisa. Relacionamos os detalhes das palavras na frase ao contexto. Contudo, uma criança com autismo pode literalmente pegar seu lápis em sala de aula. Ou seja, crianças com autismo têm dificuldade em entender a essência. Elas podem não entender o significado geral quando estão diante dos detalhes, mas se preocupam com eles.

Esta dificuldade em entender a essência aplica-se ao uso da linguagem pela criança, bem como à sua compreensão de figuras, histórias, eventos e objetos.


O uso da linguagem falada

A linguagem é formada por várias palavras. Quando ouvimos uma frase, usamos seu contexto para compreender o detalhe das palavras dentro dela. Se alguém diz "A mulher levou o cão à praia", instantaneamente temos em nossa mente a imagem do que está acontecendo. Essa capacidade de entender a essência nos permite intantaneamente saber que a palavra "levou" refere-se à ação de conduzir. Não precisamos pensar muito.

Crianças com autismo podem ter a conclusão errada porque têm problemas em referir-se ao contexto e detalhes, um em relação ao outro. A maioria das pessoas faz isso intuitivamente, sem pensar.

Somos capazes de entender a essência do significado de frases e orações intuitivamente, mas às vezes erramos. Podemos nos lembrar de situações nas quais nos concentramos incorretamente em determinada palavra em uma frase. O sentido global da frase e o objetivo social que a cerca talvez tenham se perdido. Recentemente, uma amiga minha viu-se em uma situação difícil enquanto passava férias na França. Ela notou que havia uma grande rachadura em uma das paredes e pediu a um pedreiro francês que desse uma olhada. Infelizmente, com seu francês limitado, ela pediu-lhe que subisse com ela para que ela lhe mostrasse l´amour (amor) quando, na verdade, ela queria dizer le mur (a parede)! As palavras têm sons similares, mas significados diferentes. Essa situação foi logo solucionada e ambas as partes viram o lado cômico do erro.

Para crianças com dificuldades relacionadas ao espectro do autismo, sua própria linguagem pode parecer tão confusa quanto os idiomas estrangeiros para a maioria das pessoas. Quase sempre isso acontece porque elas se esforçam muito para entender a essência da situação, visto que não conseguem entender o significado das palavras dentro do contexto correto. Por exemplo:

  • Uma mãe comentou: "Oh, meu Deus, meu pé está molhado. Deve ter um furo na minha bota." A filha insistiu que a mãe tirasse a bota e o furo. Nesse caso, a criança não conseguiu usar o contexto para entender que o furo que a mãe mencionou não era um objeto removível.

  • Uma avó relatou que disse à neta que gostava de enfiar os "pés grandes" na água morna. A neta ficou assustada e inquieta, insistindo em verificar se avó não tinha, subitamente, adquirido pés como o do Pé Grande em seu livro de história.

Trecho extraído do livro Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger

sábado, 25 de julho de 2009

Novos livros sobre Autismo

De férias da faculdade tenho ocupado minhas noites brincando com meus filhos e estudando mais sobre autismo, recentemente adquiri alguns livros que estão me ajudando bastante no entendimento do autismo e facilitando a minha interação com Peu.

Estes livros não são encontrados em livrarias, para maiores informações basta clicar nos links abaixo.

Brincar para Crescer
Autores: Tali Berman e Abby Rappaport

O livro Brincar para Crescer contém 201 exemplos de atividades projetadas para ajudar crianças especiais a desenvolver habilidades sociais fundamentais.

As atividades estão divididas de acordo com os 5 estágios do desenvolvimento descritos no Modelo de Desenvolvimento do Programa Son-Rise®, e cada atividade foi projetada para trabalhar uma habilidade específica dentro de um determinado estágio.

Brincar para Crescer é um ótimo companheiro para pais e profissionais ligados a crianças de todo o espectro do autismo. O livro auxilia pais e profissionais a promover o desenvolvimento de habilidades de suas crianças enquanto estas se divertem brincando em motivadoras atividades interativas.

Mais informações: Inspirados pelo Autismo



O Autismo sob o olhar da Terapia Ocupacional
Autor: Ariela Goldstein

Muitas são as abordagens que podem guiar o trabalho do terapeuta ocupacional e são elas que definem seu raciocínio clínico e suas ações com o cliente. A abordagem que utilizamos neste guia é a da Integração Sensorial.

A Integração Sensorial é a habilidade do sistema nervoso central de absorver, processar e organizar respostas adequadas às informações trazidas pelos sentidos; é "um processo neurológico que organiza as sensações do próprio corpo e do ambiente, de forma a ser possível o uso eficiente do corpo no ambiente."

Com a abordagem de Integração Sensorial em mente e o conceito de Terapia Ocupacional formado, construímos este guia de orientação para pais de autistas, pois os consideramos parceiros neste trabalho.

Os pais são as pessoas ideais para nos dizer sobre como é o dia-a-dia de seu filho, seu comportamento, do que gostam ou do que não gostam. Auxiliá-los a conhecer e entender alguns comportamentos diferentes observados pode ajudá-los a lidar com as dificuldades nas situações do dia-a-dia.

Este guia nos ajuda a ter uma visão diferenciada do comportamento do autista, à partir do momento em que passamos a conhecer e perceber melhor o mundo dos sentidos.

Mais informações: Terapia Ocupacional Pediátrica

sábado, 2 de maio de 2009

Como as crianças autistas percebem o mundo

Os pais de Guilherme não sabem como ajudá-lo a se comunicar. Nem mesmo sabem se o filho os ouve quando falam com ele. Mas certamente sabem muitas coisas sobre o filho. Sabem de que comida, brinquedos e atividades ele gosta. Os pais de Guilherme podem não ter percebido, mas estas informações são importantes e podem ser usadas para ajudá-lo.

Algumas crianças dão pistas claras sobre o que gostam e o que não gostam. Por exemplo, pode ser que seu filho brinque sempre com o mesmo brinquedo ou puxe você até a porta da frente repetidas vezes. Nessas situações, é fácil perceber do que ele gosta. Mas, às vezes, é preciso observá-lo mais atentamente para descobrir as preferências dele. Desta forma, pode ser que descubra que ele gosta de pular, correr de um lado para o outro ou engatinhar por baixo dos móveis ainda mais do que você pensava.

As coisas das quais seu filho gosta podem ser difíceis de entender



























As coisas das quais seu filho não gosta podem ser difíceis de entender
































Seu filho pode fazer outras coisas difíceis de entender





































Muitas crianças com TEA (Transtornos do Espectro do Autismo), como as mostradas nas figuras anteriores, reagem de formas incomuns ao mundo ao seu redor. Isto acontece porque elas podem não sentir as coisas da mesma forma que você e eu. Seu filho pode ser hipersensível a certas sensações, o que significa que uma pequena quantidade da sensação pode estimulá-lo intensamente.

Se o seu filho é hipersensível, ele pode se afligir e tentar evitar as sensações que o incomodam. Por exemplo: Lucas, uma das crianças descritas anteriormente, é hipersensível ao som do aspirador de pó, por isso cobre os ouvidos para bloquear o barulho. Ao mesmo tempo, seu filho pode ser hipossensível a certas sensações e buscá-las, porque é necessária uma grande quantidade da sensação para estimulá-lo.

Crianças que são hipossensíveis ao movimento são particularmente ativas, porque correm de um lado para o outro, balançam o tronco ou pulam buscando provocar as sensações que precisam.

Por outro lado, há crianças que são hipossensíveis às sensações, e mesmo assim são passivas. Elas mal reagem ao mundo à sua volta,porque não estão obtendo estímulos suficientes.

É possível que seu filho tenha reações contraditórias às sensações – ele pode ser hipersensível a algumas e hipossensível a outras. Muitas crianças com TEA são hipossensíveis à fala e não respondem a ela, muito embora outros sons as incomodem.

Vai ser difícil que seu filho preste atenção ao que você diz, se ele tiver dificuldades em ouvir sons da fala.

Os comportamentos das crianças nas figuras acima, com exceção de Bruno, podem ser explicados pelas situações às quais são hiper ou hipossensíveis.

Da mesma forma que muitas crianças com TEA, Bruno, o menino que não sabe pedalar seu triciclo, tem dificuldades com planejamento motor, ou seja, para ele édifícil planejar e executar movimentos.

Quando seu filho tem dificuldades de planejamento motor, pode trombar com as coisas. Ou pode ser que brinque com os brinquedos de uma forma repetitiva, pois acha mais fácil aprender um só conjunto de ações do que aprender muitos. Falar é difícil paraalgumas crianças com TEA, em parte porque a fala requer muitoplanejamento motor da boca, língua e aparelho vocal.

Associe as preferências e ações de seu filho à maneira como ele vê o mundo

Essas crianças são hipersensíveis a algumas sensações e tentam evitá-las.

MOVIMENTO - Miguel tenta evitar movimento e tem medo da escada rolante.
TATO - João se incomoda quando seu pai toca sua cabeça.
VISÃO - Jaqueline tentar evitar a luz em seus olhos.
AUDIÇÃO - Alguns sons parecem ser altos demais para Lucas.
OLFATO - Karen não come macarrão porque não gosta do cheiro de molho codimentado.

Estas crianças são hiposensíveis a algumas sensações e procuram sentí-las.

MOVIMENTO - Gui corre pela casa para buscar movimento.
TATO - Luana gosta de sentir pressão sobre seu corpo.
VISÃO - Gabriel gosta de observar seus dedos movendo-se rapidamente.
AUDIÇÃO - Lucas parece não ouvir quando seu pai o chama.
OLFATO - Pedro gosta do cheiro do cabelo de sua mãe.

As visões, os sons, os cheiros, toques e movimentos de que seu filho gosta ou não gosta são chamados de preferências sensoriais. Será mais fácil entender o comportamento de seu filho se você identificar as preferências sensoriais dele.

Elas também mostrarão por onde você começa para ajudar seu filho a se comunicar. Se ele receber a informação através de seu sentido preferido, pode ser que consiga prestar atenção por mais tempo e aprender mais. Ao identificar as preferências sensoriais de seu filho, saberá quais atividades podem ser motivadoras e prazerosas tanto para ele quanto para você.

Trecho extraído do livro Mais do que Palavras de Fern Sussman

sábado, 21 de março de 2009

Gibi da Turma da Mônica sobre Autismo

Mauricio de Sousa produziu um gibi exclusivamente para a AMA (Associação de Amigos do Autista) de São Paulo e apresenta um novo personagem da turma, André. Usando uma linguagem de fácil entendimento para as crianças a história mostra algumas das características encontradas na maioria das crianças com autismo.

O gibi teve distribuição gratuita e se esgotou rapidamente, quem quiser conferir é só clicar na capa e baixá-lo no formato PDF. Para crianças e adultos.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Olhe nos meus olhos!

"Olhe nos meus olhos!" - O autor John Elder Robison cansou de ouvir essa frase durante a infância. Isso porque as pessoas não compreendiam a reação que freqüentemente esboçava quando alguém lhe dirigia a palavra. John desviava seus olhos, não por ser um pessoa que inspirasse desconfiança, mas, sim, por ter sérias dificuldades de interagir socialmente. Ele sofre da Síndrome de Asperger, doença caracterizada por um leve autismo. Com o passar do tempo, as pessoas passaram a entender as limitações de John e sua maneira de lidar com os outros. Mas até chegar a isso, ele passou por muitas experiências desagradáveis, situações embaraçosas e cenas constrangedoras. John agora pode contar sua história.

Desde criança, mesmo com dificuldade de interagir socialmente. John Robison ansiava em se relacionar com outras pessoas. Na adolescência, os problemas se agravaram e seus estranhos hábitos - uma inclinação para falar sem pensar, evitar estabelecer contato visual com os outros, desmontar rádios, manias "pirotécnicas" e cavar buracos de dois metros (prendendo seu irmão mais novo dentro deles) - fizeram-no ser rotulado como um jovem com desvios de conduta. Não recebeu nenhum tipo de orientação, seja por parte da mãe, que não conseguia falar sobre assuntos mais densos, ou por parte do pai, que passava as noites mergulhado em bebidas.

Depois de sair de casa e abandonar a escola secundária, sua impressionante habilidade em visualizar circuitos eletrônicos lhe proporcionou um trabalho com a banda de rock KISS, e criou as lendárias guitarras de Ace Frehey. Mais tarde, tentou integrar-se em um emprego "de verdade", como engenheiro, numa grande empresa de brinquedos. Porém, quanto mais Robison galgava posições na companhia e esforçava-se em agir como uma pessoa "normal", mais se distanciava de realizar aquilo que acreditava ser capaz de fazer: comunicar-se. No entant, esse sacrifício não valia o salário.

Somente aos 40 anos Robison foi diagnosticado por um atento terapeuta: era portador de uma forma de autismo, chamada Síndrome de Asperger. Essa súbita compreensão transformou a maneira com Robison se via - e como via o mundo.

Olhe nos meus olhos é a tocante narrativa por vezes transbordante de humor negro, de alguém que cresceu com a Síndrome de Asperger numa época em que esse diagnóstico não existia. Contador de histórias nato, Robison leva o leitor a uma viagem à mente de um rapaz cujos professores, além de outros adultos, consideravam "imperfeito", que não conseguia tirar proveito do infindável manacial de tiete do KISS, e ainda possuia uma peculiar aversão em usar o nome próprio das pessoas (ele chama sua esposa de Unidade Dois). O livro proporciona também um relato fascinante sobre o irmão mais novo, que foi deixado à mercê dos pais amalucados - rapaz que, mais tarde, mudou seu nome para Augusten Burroughs e escreveu o best-seller Correndo com as Tesouras.

No final das contas, esta é a história da jornada de Robison pelo seu mundo e de que forma alcançou o nosso, de sua nova vida como marido, pai e bem-sucedido dono de um negócio de restauração de automóveis - um de seus mais acalentados sonhos de criança. É um relato estranho, por vezes malicioso, contudo sincero e profundamente humano.

John Robison mora com sua esposa e filho em Amherst, Massachussetts. Sua empresa, JE Robison Service, conserta e restaura carros europeus.

Visite seus sites: http://www.robisonservice.com/ e http://www.johnrobison.com/

A saga do autista que animou shows do Kiss

Portador da síndrome de Asperger, que afeta a capacidade de sentir, o norte-americano John Elder Robison fala do seu livro Olhe nos Meus Olhos

Antonio Gonçalves Filho

A síndrome é relativamente comum: uma em 150 pessoas tem Asperger ou outro transtorno autista, o que, nos Estados Unidos, corresponderia a 2 milhões de almas. Uma delas pertence a um homem que ficou famoso após seu irmão, Augusten Burroughs, publicar um best seller que virou filme, Correndo com Tesouras (Ediouro, 2007, R$ 34,90). Animado com a repercussão da história de sua família disfuncional, John Elder Robison resolveu contar a própria versão dela em Olhe nos Meus Olhos, também transformado em best seller nos EUA e agora lançado no Brasil pela Editora Larousse (tradução de Júlio de Andrade Filho e Clene Soares, 256 págs., R$ 19,90).

De Massachusetts, onde mora com a mulher e o filho, Robison concedeu por telefone uma entrevista ao Estado, revelando as razões que o levaram a escrever o livro após assistir ao filme de Ryan Murphy. Nele, seu irmão gay Augusten (que assina o prefácio de seu livro) é entregue aos 12 anos à família do excêntrico psiquiatra que cuida da mãe de ambos, Deirdre, uma poetisa bissexual e depressiva que enlouquece quando vai viver só num hotel, após o divórcio. Separado dela, o marido, um professor alcoólatra, passa a espancar ainda mais o filho mais velho - justamente o autor de Olhe nos Meus Olhos. O título vem da frase que era repetida inutilmente pelo pai bêbado enquanto o garoto contemplava a pilha de garrafas vazias de vinho sob a mesa da cozinha.

Visto como psicótico pelos pais e os amiguinhos da escola, John Elder cresceu tímido e introvertido, certo de que viraria um assassino serial por não olhar as pessoas nos olhos ou não conseguir se emocionar diante da tragédia alheia. Até ser reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como uma espécie leve de autismo, em 1984, a síndrome de Asperger era diagnosticada como doença mental. Não é bem assim. Há quem aposte que Einstein e o cineasta Stanley Kubrick sofriam da mesma síndrome, cujos portadores são sempre pessoas com uma inteligência acima da média mas incapazes de manifestar emoções.

A despeito das limitações que a síndrome impõe a seus portadores, ela não impediu Robison de ser bem-sucedido na vida profissional. Os 'aspergers' têm uma habilidade incomum para lidar com máquinas e computadores. Robison diz, brincando, que eles pertencem à raça do doutor Spock, o alienígena de Star Trek, meio humano, meio marciano. Foi como uma espécie de professor Pardal que, reparando os equipamentos dos músicos de sua cidade, conheceu Ace, o guitarrista da banda de rock Kiss, que o convidou para cuidar dos efeitos pirotécnicos - sonoros e visuais - de seus shows. Robison cansou de simular os incêndios da guitarra de Ace. Resolveu levar uma vida pacata. Hoje restaura carros antigos em Amherst, Massachussets, e cuida do filho, que, desconfia, é também um 'asperger'.

Há muitos traços positivos na síndrome de Asperger, mas há também os negativos. Quais são eles?

Pessoas com a síndrome da Asperger são normalmente vistas como sociopatas pela dificuldade que têm de expressar o que sentem ou não esboçar reações diante do que os outros julgam ser algo excepcional. Simplesmente não tenho total controle quando estou conversando com alguém, pois outros estímulos podem distrair minha atenção (o que deve ter acontecido durante a entrevista ao telefone, pois ele preferiu sair do escritório para falar com o repórter do celular no carro). Acho que temos uma cabeça mais voltada para o cálculo científico, uma habilidade para consertar coisas ou, como dizem, uma estranha empatia com máquinas. Eu simplesmente adoro restaurar carros antigos. É como se eu conseguisse entrar no coração dessas máquinas. Por outro lado, sofremos com o preconceito por conta de nossa dificuldade de interagir de acordo com as regras sociais. Escrevi o livro justamente para ajudar as pessoas a entender a síndrome.

Ou para que as pessoas não falem mais que você se parece com o doutor Spock, de Star Trek. Você diria que a síndrome de Asperger é uma disfunção tipicamente contemporânea, uma vez que vivemos numa era essencialmente racional e pouco propensa a emoções?

Não sei se a era da informática, caracterizada pelo racionalismo, tem algo a ver com o crescimento de portadores da síndrome. Posso falar por mim, que tenho uma habilidade excepcional para lidar com sistemas mecânicos e eletrônicos, a ponto de ter desenvolvido jogos para um fabricante de brinquedos e aparelhos de som para a companhia do grupo Pink Floyd. Não importa o tempo em que vivemos, seremos sempre incapazes de agir conforme desejam as outras pessoas. Cansei de ouvir na adolescência que ninguém confia em quem não olha os outros nos olhos. Isso não significa nada. Numa época dominada por computadores, esse virou o comportamento padrão. E nós, os 'aspergers', temos um talento incomum para lidar com eles.

Você conta que viveu a adolescência entre canivetes e outras armas, o que faz com que a sociedade desconfie de pessoas com síndromes como a sua, classificando-as de psicopatas. Isso lhe incomoda?

Eu carregava canivetes para me defender das agressões que sofria por conta da síndrome, não para atacar ninguém. É um equívoco associar a síndrome à violência ou às tragédias registradas nas escolas dos EUA, onde alunos saem atirando uns contra os outros.

Você parece ter superado seu isolamento. O que mudou em sua vida nos últimos anos?

Sou outra pessoa nesses últimos anos. Quando você exercita a linguagem do corpo, forçando-se a prestar atenção nas pessoas que estão ao lado, começa a perceber o quanto era cego. Eu andava como um robô desajeitado, incapaz de responder a qualquer estímulo facial ou mesmo sorrir. Quanto mais cedo os pais descobrirem que a criança é uma 'asperger', melhor para ela, pois muitos não conseguem nem viver sozinhos nem descobrir sua vocação profissional, porque não se trata de uma doença, mas de uma forma de estar no mundo.

Médicos estão recorrendo à energia magnética para cuidar de portadores da síndrome de Asperger. Isso funciona?

Alguns estudos têm demonstrado que sim, que a energia magnética pode nos ajudar, mas acho que o principal é uma disposição interna para mudar. Minha habilidade social era pequena antigamente. Aprendi a lidar com ela aos trancos e acho que já posso andar por conta própria. Os 'aspergers' têm enorme poder de concentração. É só não discriminá-los como fazem nas escolas, celeiros de regras que mantêm as crianças condicionadas a seguir normas e segregar os que são diferentes. Isso, sim, é doença.

Matéria extraída do site do jornal O Estado de São Paulo

terça-feira, 15 de julho de 2008

O estranho caso do cachorro morto

Christopher Boone odeia coisas marrons e amarelas. Perde a fome quando, no seu prato, um tipo de comida encosta em outro. Sabe de cor todas as capitais do mundo e os números primos até 7.507. Adora assistir a documentários no Discovery Channel. Detesta piadas e metáforas, porque quase nunca as entende. Gosta muito de cachorros (que não fazem piadas) e bem pouco de lugares lotados. Quando está nervoso, faz contas mentalmente para se acalmar.

Chris é o protagonista de O estranho caso do cachorro morto (Editora Record), livro daqueles que quando você termina, fica tentando lembrar há quanto tempo não lia algo tão bom. Seu genial autor, Mark Haddon, conta alguns meses da intrigante vida desse menino de quinze anos que sofre de uma espécie de autismo chamada Síndrome de Asperger. Fã de Sherlock Holmes, o garoto decide investigar a morte de Wellington, o cachorro da vizinha. Tudo porque, de repente, ele é o principal suspeito do crime e acaba sendo preso - emoções demais para Chris.

Quando conta suas aventuras à sua professora (em uma escola para garotos especiais), ela sugere que escreva um livro, relatando e organizando todas as suas investigações sobre o assassinato. O resultado desse trabalho é o próprio livro O estranho caso do cachorro morto.

Assim sendo, a linguagem é bem simples e cativante e há vários gráficos, tabelas e diagramas explicando as pistas - o que pode soar maçante tem o efeito contrário quando sai da cabeça de Chris: deixa o livro ainda mais intrigante.

Mas não foi só na maneira de escrever que Mark Haddon expressou um profundo conhecimento da doença. Ajudante de classe em uma escola como a do protagonista por alguns anos, ele conviveu com crianças autistas e soube expressar essa experiência no livro. Prova disso é o artigo de um adolescente que sofre do mesmo mal elogiando Haddon e encontrando várias semelhanças entre Chris e ele mesmo.

Logo nas primeiras páginas, Chris deixa bem claro que esse não será um livro engraçado. No entanto, fica difícil não rir (ainda que com uma dose de constrangimento) das trapalhadas e da falta de malícia do garoto. Ainda mais difícil é deixar o livro de lado antes de chegar à última página.
Editora: Record
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 287
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Resenha extraída do site Omelete

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Nascido em um dia azul

Essa é a história de Daniel Tammet: autista, gênio da matemática, recordista na aprendizagem de idiomas estrangeiros e uma das chaves para entendermos o funcionamento do cérebro humano.

Esse livro de memórias, que revela a maneira de pensar de um autista fenomenal, conquistou o 2º lugar na lista de mais vendidos do The New York Times. Daniel Tammet é considerado por cientistas uma das chaves para compreender o funcionamento da mente. Gênio da matemática, campeão de xadrez e recordista na aprendizagem de idiomas, esse inglês de 27 anos é capaz de aprender línguas estrangeiras em uma semana, ou de memorizar e recitar 22.514 casas decimais do número pi diante de uma platéia de acadêmicos, em Oxford.


Mas em Nascido em um dia azul o autor relembra sua confusa e dolorosa infância, quando se sentia isolado e limitado pela incapacidade social que marca pessoas como ele ? um portador da síndrome de savant e da síndrome de Asperger.

Crianças com esses distúrbios têm dificuldades de relacionamento, de compreender frases ou piadas de duplo sentido, de captar nuances emocionais do comportamento humano, ou de dirigir automóveis.

Apesar dessas limitações, ele se tornou professor de línguas estrangeiras, é atração de programas de televisão e de universidades com suas habilidades singulares para fazer cálculos com velocidade, graças à forma especial como consegue lidar com números. Assim como o personagem de Dustin Hoffman no filme Rain Man, Daniel dá lições de superação, engajamento social e afetivo, raras para um jovem nas suas condições.

Acredita-se que seu desenvolvimento tenha sido facilitado pelo estímulo recebido no relacionamento com seus oito irmãos e com pais amorosos e tranquilizadores. O fato é que o fenômeno do cérebro de Daniel é hoje pesquisado pelo neurocientista V.S. Ramachandran, diretor do Centro do Cérebro, na Universidade da Califórnia. Sua vida, narrada neste relato pleno de poesia e entusiasmo, se tornou tema do documentário The Boy with the Incredible Brain, destaque na televisão britânica.

Título: Nascido Em Um Dia Azul
Título Original: Born on a blue day
Autor: Daniel Tammet
Editora: Intrinseca
Edição: 1
Número de Páginas: 192

domingo, 8 de junho de 2008

Convivendo com Autismo

Adquiri este livro recentemente e o achei bastante prático e abrangente. Posso afirmar que ele é uma das obras mais completas na abordagem do tema. Está dividido em três partes. A Parte 1 descrevem os comportamentos que podem alertar os pais sobre a possibilidade de o filho ter autismo. Ela analisa o processo de avaliação e explica o impacto emocional do diagnóstico. A Parte 2 oferece uma visão geral de como os pesquisadores acham que as crianças pensam e veêm o mundo e, portanto, por que costumam comportar-se de forma diferente. Esse entendimento é então usado na Parte 3 do livro para ajudar a compreender o comportamento da criança e planejar estratégias para lidar com comportamentos difíceis, mas, principalmente, para incentivar seu desenvolvimento. No capítulo 20 - Outra intervenções, são apresentadas as diversas formas de tratamento não convencionais utilizadas pelos pais em diversas partes do mundo e a opinião dos autores sobre elas.

CONVIVENDO COM AUTISMO E SINDROME DE ASPERGER

Estratégias Práticas para Pais e Profissionais
Ed. M.Books - 2008
Páginas: 336

Esta obra sobre os cuidados com a criança autista é um recurso ideal para as famílias e também para os profissionais que trabalham com eles. Em linguagem clara e simples, os autores explicam a natureza dessa condição e suas variações, e abordam problemas comuns vivenciados em atividades do cotidiano como comer, dormir e ir ao banheiro. Além disso, sugerem estratégias para lidar com crises repentinas de raiva ou mau humor, e apresentam alternativas para melhorar as aptidões sociais e de comunicação. Com base em pesquisas atuais e muitos exemplos de casos, os autores analisam, passo a passo, cada problema e suas causas, propondo várias soluções.

Sobre os autores

Chris Williams é psicóloga clínica infantil e consultora. Barry Wright é psiquiatra infantil e de adolescentes e também consultor. Ambos trabalham no NHS em York. Atuam em sua profissão e trabalham com crianças portadoras de transtornos do espectro do autismo e suas famílias há mais de 10 anos. Trabalham em conjunto com uma equipe multidisciplinar na avaliação, diagnóstico e intervenção, e lidam com crianças e jovens da primeira infância ao início da vida adulta portadores de autismo em vários graus. Gostam, sobretudo, de desenvolver e usar uma faixa abrangente de intervenções para apoiar as famílias nesse processo e ajudar seus pacientes a solidificarem seus pontos fortes.

Sumário:

Parte 1 - Meu filho tem distúrbio do espectro do autismo?

1. Primeiras preocupações
2. Avaliação
3. O impacto emocional sobre a família

Parte 2 - Como as crianças portadoras de distúrbios do espectro do autismo vêem o mundo?

4. Cegueira mental
5. Entendendo a essência
6. Interesses sensoriais e sensibilidades
7. Imaginação, percepção temporal, planejamento e memória
8. Linguagem

Parte 3 - Como podemos ajudar?

9. Controle do o comportamento
10. Desenvolver aptidões sociais
11. Desenvolvimento de aptidões sociais
12. Birra, agressão e frustração
13. Alimentação
14. Aprendendo a usar o banheiro
15. Defecar em locais impróprios
16. Sono
17. Preocupações
18. Compulsões, rotinas e rituais
19. Maneirismos e movimentos repetidos
20. Outras intervenções
21. Considerações finais

Peu cresceu e O Mundo de Peu também mudou.

Bem-vindo ao blog O Mundo de Peu! Olá, tudo bem? Meu nome é Marcelo Rodrigues, pai de Pedro (Peu), sou o criador do blog O Mund...