Tradução do documentário "Autism Made in The USA". Trabalho voluntário de Claudia Marcelino e de pais do grupo Autismo Esperança.
O Mundo de Peu é um blog que trata essencialmente do Autismo infantil, através da história de Pedro, 5 anos - que apesar de não ter um diagnóstico fechado apresenta caracteríscas peculiares do espectro autista - iremos tentar desvendar os mistérios do seu mundo.
sábado, 8 de maio de 2010
Autismo Fabricado nos EUA parte 7 de 11
Tradução do documentário "Autism Made in The USA". Trabalho voluntário de Claudia Marcelino e de pais do grupo Autismo Esperança.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Projeto pode colocar o Brasil na vanguarda da luta contra o autismo
Paulo Marcio Vaz , Jornal do Brasil BRASÍLIA - Um projeto de lei prestes a tramitar no Senado poderá colocar o Brasil na vanguarda da luta contra o autismo. O texto, elaborado por diversas entidades ligadas à causa, prevê a criação do Sistema Nacional Integrado de Atendimento à Pessoa Autista. Se aprovada, a legislação será uma das primeiras no mundo a priorizar o autismo como caso de saúde pública em nível nacional, incluindo a capacitação de profissionais de saúde, a criação de centros de atendimento especializado e a inclusão do autista no hall das pessoas portadoras de deficiência, além de criar um cadastro nacional. No Brasil não há dados oficiais sobre a quantidade de portadores da síndrome, considerada epidêmica nos EUA.
Um acordo feito no âmbito da Comissão de Direitos Humanos do Senado garante a relatoria ao senador Paulo Paim (PT-RS), que, de antemão, já garantiu parecer favorável à aprovação do texto.
Boa notícia
A boa notícia é que a nova abordagem diagnóstica levou a novos tipos de tratamentos, de caráter multidisciplinar, e que vêm obtendo resultados bastante animadores. A terapia é baseada em dietas alimentares específicas, prática de terapias comportamentais, suplementação vitamínica e fortalecimento da flora intestinal. Como resultado, muitas crianças que antes sequer olhavam nos olhos dos pais, ou mesmo pareciam ser surdas devido à total falta de interação com o mundo, hoje conseguem falar, olhar nos olhos e demonstrar afeto. A adoção de tratamentos baseados neste novo tipo de abordagem está prevista no projeto de lei que chegará ao Senado.
“A dieta correta significa 60% da recuperação”
A analista de sistemas equatoriana Andrea Lalama jamais havia pensado em ser homeopata. Radicada nos Estados Unidos, ela se casou e teve dois filhos, ambos autistas. A falta de médicos capazes de tratar adequadamente seu primeiro filho a fez se inscrever num curso de homeopatia e pesquisar, praticamente por conta própria, uma forma eficaz de tratamento. Hoje, aos 8 anos, seu filho mais velho apresenta traços mínimos do espectro autista, e a mais nova é considerada uma criança normal. Andrea agora vive rodeada por pais de autistas, muitos deles médicos, que buscam sua consultoria. A homeopata é uma das vozes mais ativas dos Estados Unidos em prol da adoção e do reconhecimento dos novos diagnósticos e tratamentos para o autismo que, segundo ela, a medicina tradicional se recusa a reconhecer.
Quais os pontos mais importantes da dieta?
O autista tem um intestino poroso. Portanto, praticamente tudo o que eles ingerem vai para o sangue. Numa criança normal, isso não acontece. Alguns protocolos recomendam remover a comida das crianças e a substituir por cápsulas contendo enzimas, probióticos, vitaminas e coisas do gênero. Não digo que está errado, mas eu não apoio esse procedimento, porque Deus não criou cápsulas, mas comida limpa e orgânica para ser bem preparada. Se seguirmos as regras, podemos reparar as disfunções gastrointestinais. Por causa da comida industrializada e de elementos químicos presentes em diversas substâncias artificiais, os autistas estão 100% intoxicados.
Não há retardo mental, há intoxicação. Os autistas têm uma enorme deficiência para se livrar dessas intoxicações, se intoxicam mais rápido do que se desintoxicam.
Nos EUA, muitos médicos tradicionais são orgulhosos e egoístas. Quando são desafiados e confrontados com questões que não sabem responder, eles atacam. Quem realmente acha que é bom médico não deve temer. Os médicos da comunidade autista estão dispostos a conversar, os médicos tradicionais não. Eles não querem saber, não retornam nossas ligações, não aceitam as novas evidências e não têm filhos autistas.
Duas universidades brasileiras realizam pesquisas focadas, respectivamente, nos indícios de alergia alimentar e na intoxicação por metais, que, segundo especialistas americanos, teriam conexão com a incidência de autismo.
– A pesquisa visa comprovar não só a ligação entre autismo e a intoxicação por metais pesados, mas também a eficácia dos novos tratamentos propostos – afirma a psicóloga Sandra Cerqueira, que faz parte da equipe sob orientação do doutor em farmacologia e toxicologia da UFF Luiz Querino.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O uso de probióticos para aliviar os sintomas do autismo
Por Sylvia Anderson - Alternative Health JournalOs probióticos estão se tornando um grande tema de discussão no campo da medicina, bem como entre os pesquisadores e cientistas em toda parte.
Probióticos, também conhecidos como bactérias "boas" ou "amigáveis", estiveram sob os holofotes dos pesquisadores que questionaram quais benéficos eles trariam como um tratamento para o autismo.
Autismo é uma transtorno caracterizado por um amplo grupo de desordens no neurodesenvolvimento, em que a interação social dos portadores é bastante prejudicada.
Baseado nisso, muitos querem saber como probióticos podem desempenhar um papel no tratamento do autismo. No entanto, o autismo é composto por vários sintomas físicos, além dos sintomas psicológicos e neurológicos. Um dos principais sintomas físicos encontrados em pacientes com autismo são os problemas de estômago. Isso ajuda a explicar onde probióticos entram em jogo uma vez que os probióticos são benéficos ao estômago e ao revestimento
intestinal.
A pesquisa mostrou que crianças com autismo têm uma grande quantidade de bactéria Clostridium em seu corpo, que em certos níveis, podem produzir toxinas que afetam o cérebro. Embora não tenha sido determinada medicamente que bactéria Clostridium é realmente a causa dos sintomas do autismo, verificou-se que os pacientes que foram dados probióticos apresentaram melhora.
Probióticos são grupo de microorganismos vivos, incluindo cepas de Bifidobacterium e Lactobacillus, bem como vários tipos de levedura, que quando ingeridos melhoram o equilíbrio do trato gastrointestinal. Em termos mais simples, os probióticos podem ajudar a fornecer ao estômago uma grande quantidade de bactérias boas para prevenir ou minimizar os problemas de estômago característica das crianças autistas, como inchaço, dores de estômago, prisão de ventre e outros problemas intestinais.
Muitos pais de crianças autistas estão descobrindo que seus filhos têm menos problemas digestivos quando administrada uma dose diária de probióticos. Será uma coincidência ou algo mais digno de investigação? Os cientistas, bem como os pais definitivamente sentem que este assunto é merecedor de mais investigação e pesquisa, pois se os probióticos podem realmente
ajudar as crianças autistas com problemas digestivos, isso pode ajudar a outros sintomas, incluindo efeitos psicológicos positivos.
Infecções fúngicas é outro problema que afeta muitas crianças com autismo. Mas doses regulares de probióticos parecem equilibrar o crescimento de fungos.Tenha em mente que nossos corpos são normalmente constituídos por boas e más bactérias, no entanto, nossa má alimentação e estilo de vida tendem a permitir que as bactérias más possam assumir. A adição de probióticos
na alimentação, seja em suplementos ou alimentos à base de probióticos, permitirá que as boas bactérias assumam o controle.
Outros estudos recentes sobre as crianças autistas incluem o papel que os probióticos tem na mudança do comportamento e humor. Um grupo de crianças autistas foi reunido e metade deles receberam probióticos, enquanto a outra metade recebeu probióticos "falsos" (os pais não foram informados qual tipo de probiótico seu filho havia recebido). O resultado deste teste foi que os pais cujos filhos receberam o probiótico real viram notáveis melhorias comportamentais em seus filhos. Eles possuíam melhor atenção, melhor concentração e apresentaram em geral um melhor humor.
Os pesquisadores não tinham certeza se a melhora do humor e disposição foi por causa dos efeitos psicológicos positivos dos probióticos ou se as crianças se comportaram melhor, porque eles simplesmente se sentiram melhor fisicamente. Assim, houve melhoria efeitos psicológicos ou melhoria efeitos físicos? Muitos sentem que não importa contanto que estejam mostrando
melhorias quando estiverem usando probióticos.
Fonte: http://www.alternativehealthjournal.com/article/the_use_of_probiotics_to_relieve_autism_symptoms/3869
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Nutrição Cerebral
"Nutrição Cerebral" é o novo livro do Dr. Helion Póvoa, o precursor da medicina ortomoleluar no Brasil. Escrito em conjunto com o psiquiatra Juarez Callegaro a nutricionista Luciana Ayer e organizado pela jornalista Lucia Seixas - o livro mostra de que forma a falta de nutrientes no cérebro pode determinar o declínio da inteligência e, conseqüentemente, provocar depressão, doenças neurodegenerativas e até mesmo desvios de personalidade. Para os autores, maiores especialistas brasileiros no assunto, o equilíbrio nutricional do cérebro é a chave do nosso bem-estar.O livro revela como a medicina e a psiquiatria ortomoleculares podem se tornar ferramentas importantes na prevenção dos sofrimentos mentais, através da manutenção e amplificação da inteligência humana. Abaixo um resumo do capítulo 16 que trata da relação que existe entre nutrição e autismo.
Para Crianças Mais Felizes e Bondosas
Chegar ao mundo passando por um gestação tranquila, em que houve boa disponibilidade de nutrientes, é algo que aumenta as chances de felicidade de qualquer ser humano. Entretanto, como a evolução é o grande propósito da natureza, a infância, primeira etapa da vida, oferece uma oportunidade única de reparar eventuais danos da gravidez, para dar origem a uma existência feliz e criativa.
A recuperação de danos é realizada, principalmente durante o sono do bebê e por isso os recém-nascidos precisam dormir tanto. Nessa fase o pequeno organismo está sob o predomínio do sistema vago, da acetilcolina, que acumula energia e produz o anabolismo. É a fase em que acontencem a reparações e a finalização da estrutura do bebê, inclusive as cerebrais.
Hoje se sabe que o metabolismo de uma criança é seis vezes mais rápido que o de um adulto. Essa descoberta, inclusive, foi a que deu o Prêmio Nobel ao cientista Pierre Le Compte du Nouy que desenvolveu modelos matemáticos de reparação de danos através de índices de cicatrização de feridas. Esse dado deixa clara a vulnerabilidade da saúde infantil e alerta para diversos perigos, inclusive o uso de medicamentos. Infelizmente, vem-se tornando comum a utilização abusiva de antibióticos e antiinflamatórios em crianças.
Quase não se usa na pediatria básica dar lactobacilos para corrigir a flora intestinal das crianças e pouco se considera a importância do zinco para a formação do sistema imunológico e para a absorção e fixação das vitaminas, especialmente a vitamina A, que promove a resistência da pele e das mucosas. Por isso é tão comum que crianças apresentem infecções constantes, como as de ouvido.
Na verdade, crianças com depressão imunológica sofrerão durante toda a vida, como se constata hoje na questão do autismo, distúrbio considerado como uma forma de esquizofrenia infantil. Crianças com autismo não conseguem se desenvolver normalmente em suas relações sociais e comportam-se de modo compulsivo e ritualista. Embora seja bem diferente do retardo mental, no autismo não acontece o desenvolvimento normal da inteligência. Preferir estar só é uma característica da criança autista, que não desenvolve intimidade com as pessoas e resiste às mudanças. Tem dificuldade de falar e muitas vezes não fala, assim como nem sempre entende o que lhe é dito. A doença é duas a quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas.
O autismo costuma surgir por volta dos três anos de idade e com muita frequência em crianças com deficiência de zinco o que as torna muito vulneráveis às indfecções. Por isso é muito comum que crianças autistas tenham um longo histórico de antibióticos, que, como sabemos, faz proliferar os microorganismos nocivos a flora intestinal.
Cerca de 50% das crianças autistas possuem a Candida albicans e, à medida que também não possuem zinco, acontece nelas a proliferação de outros germes cujas toxinas prejudicam o metabolismo, com sérios reflexos no cérebro.
Além do zinco, outros minerais têm muita importância no autismo, como o cálcio. Na verdade o balanceamento do cálcio com os demais minerais no cérebro é fator de muito peso nessa doença. Existe portanto uma questão nutricional no autismo.
Quando se utilizam alimentos no tratamento do autismo – e infelizmente poucos centros psiquiátricos o fazem atualemente –, o que se considera principalmente é a depressão imunológica provocada pela carência de zinco, que é agravada pelo excesso de carboidratos refinados. Como se sabe, esses dois fatores fazem proliferar tanto a Candida albicans como a Clostridium difficile, cujas toxinas estão envolvidas também em outros distúrbios infantis, como o distúrbio do déficit de atenção (DDA).
Como o autismo, o DDA vem aumentando significativamente em crianças nas últimas décadas. E as causas desse distúrbio infantil certamente podem estar nas questões alimentares, mais especificamente no aumento da permeabilidade intestinal e nas proteínas não digeridas do glúten e da caseína. Quando são absorvidas pelo intestino e passam para a corrente sanguinea, as proteínas mal digeridas do leite e do trigo podem produzir no liquor do cérebro derivados de substâncias estimulantes. É o que provoca a agitação típica do distúrbio do déficit de atenção (DDA) e a hiperatividade.
É muito importante o fato de que os distúrbios mentais mais comuns da infância começam a ser relacionados com erros alimentares, e já existem diversas pesquisas provando que a utilização de smart nutrients pode produzir excelentes resultados na reversão de muitos desses distúrbios.
No que diz respeito ao DDA, comprovou-se que o uso de ômega 3 associado à restrição de carboidratos refinados, corantes, chocolate, cafeína e gorduras trans e hidrogenadas, que fornecem excesso de ômega 6, pode dar ótimos resultados.
Existe uma relação na incidência da deficiência de ômega 3 como o DDA na infância, a esquizofrenia na adolescência, a depressão na vida adulta e a doença de Alzheimer na velhice.
A verdade é que à medida que aumenta na dieta infantil a quantidade de substâncias que podem gerar uma alteração neurológica, também crescem as chances de disfunções sérias no presente e no futuro. Quanto mais perde energia no lobo frontal, por falta de nutrientes, mais dificuldade a criança terá para adquirir conhecimentos e assimilar as lições que a vida oferece.
Um outro cuidado fundamental que se deve ter com a saúde infantil diz respeito aos metais tóxicos.
O mercúrio, por exemplo, que ainda aparece na fórmula de muitos agrotóxicos utilizados no Brasil, bloqueia as bombas injetoras que promovem a entrada da vitamina B12 no cérebro, o que pode causar distúrbios psiquiátricos graves também em crianças. Esse é um dado pouco difundido porque muitas pessoas psicóticas costumam apresentar níveis de B12 normais no sangue. Entretanto, quando a dosagem é realizada no liquor, os níveis da vitamina estão frequentemente baixos. O mesmo ocorre com o ácido fólico.
Já o chumbo, comprovadamente, causa hiperatividade e DDA. Tal fato é levado tão a sério que em alguns países crianças em idade escolar devem fazer testes para verificar se estão ou não contaminadas por chumbo. Infelizmente essa prática não existe entre nós e muitas marcas de tintas ainda contêm chumbo em sua composição. Também verificou-se a presença do metal na tinta de brinquedos provenientes da China.
Em alguns países, como os Estados Unidos, o cuidado com a contaminação por chumbo é tão grande que existe uma fiscalização rigorosa de solos para plantio, já que no passado a gasolina continha chumbo e muitas terras próximas a estrada estão hoje impregnadas com o metal. Também não se admite a construção de parques infantis em áreas contaminadas com chumbo.
A relação entre as doenças modernas com os fatores nutricionais é bastante evidente e as poucas civilizações que ainda se alimentam de forma natural a reforçam.
Um componente da alimentação infantil que merece maiores considerações é certamente o açúcar refinado, pois é grave a permissividade com que ele é utilizado.
Como vimos, oa açúcar refinado faz perder cromo e ainda zinco pela urina, tornando as crianças mais predispostas à depressão e a problemas imunológicos, entre outros.
A criança ainda não conhece o sabor dos alimentos e por isso a introdução de açúcar é totalmente desnecessária, assim como o sal nas comidas salgadas. É preciso dar às crianças a oportunidade de experimentar o sabor natural dos alimentos.
Quanto melhor a criança se alimenta, maior a disponibilidade de nutrientes benéficos para seu cérebro. Mais ela tem inteligência emocional, mais ela é criativa, bondosa e mais cedo assimila as vantagens da colaboração e da amorosidade sobre a competividade ou a alienação.
Texto retirado do livro Nutrição Cerebral de Helion Póvoa, Juarez Callegaro e Luciana Ayer
sábado, 24 de janeiro de 2009
Autismo não está só na cabeça
Ela foi realizada através de pesquisas e resultados encontrados em livros e sites sobre autismo. Contribui para a pesquisa o fato de a partir de 2008 o autismo ser considerado como um distúrbio medicamente tratável.
1 - Inflamação do intestino e intestino permeável;
6 - Dicas de receitas.
As informações contidas e divulgadas nesta apostila são somente para aquisição de conhecimento e um guia prático para tratamento. Consulte um profissional capacitado e forneça as informações passadas se necessário.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Autismo e Nutrição Funcional
O autismo é uma doença que vêm freqüentemente crescendo e há fortes indícios que seria por causa de fatores ambientais, já que a proporção desse aumento não pode ser justificado apenas pela genética, pois alterações genéticas sempre mantém a mesma proporção.Muitos estudos, então, vêm tentando desvendar outros fatores que levam ao aparecimento desta doença. Dentre as alterações que constantemente aparecem em autistas estão alterações gastrintestinais, como a má digestão de certos alimentos, hiperpermeabilidade intestinal, o que facilita a passagem de alimentos mal digeridos pelo intestino, alcançando a corrente sanguínea, desencadeando reações alérgicas, e /ou inflamatórias, que ativam o nosso sistema imunológico.
O sistema imunológico é o segundo pilar que deve ser estudado quando se trata de autismo, que pode ser modulado, através de nutrientes, além de outras alternativas, como tratamentos antifúngicos, extremamente relacionados com esta patologia. E em terceiro lugar temos as alterações no sistema cerebral, que pode ser influenciado pelos outros fatores já descritos.
A desintoxicação de metais pesados também parece ser extremamente necessária em pacientes autistas, então, este deve ser mais uma linha de pesquisa na busca do tratamento destes pacientes.
Quando se pensa em nutrição para autistas dependerá muito das causas, história do desenvolvimento dos sintomas, se foi após uso de antibióticos, se foi após alguns tipos de vacinas, ou se não houve motivo aparente. Então o tratamento nutricional destes pacientes deve ser muito individualizado, e de preferência, depende de uma série de exames para identificação desde alergias alimentares (nunca desprezando sintomas clínicos), até a presença de crescimento de fungos no intestino e/ou aumento de toxinas ou compostos análogos (parecidos com os que encontramos normalmente no organismo), mas que interrompem ou prejudicam as vias metabólicas normais destes indivíduos.
Os alimentos que foram mais relacionados com o autismo são os que possuem glúten (trigo, cevada, centeio, aveia) e caseína (laticínios), mas outros também podem ser prejudiciais dependendo da individualidade bioquímica, como: ovos, tomate, berinjela, abacate, pimenta soja, milho e nozes.
Devem ser evitados aditivos químicos como os corantes, conservantes, nitratos, sódio e adoçantes. Portanto, evitar o consumo de alimentos industrializados e procurar uma alimentação rica em frutas, verduras, grãos integrais e legumes. Além disso, é importante evitar consumir cafeína e nem bebidas alcoólicas.
Procurar manter os níveis de glicose no nosso sangue constantes, pois é importante para a função cerebral. Para isso, consumir alimentos a cada 3 horas em pequenas quantidades, assim, o organismo tem suprimento constante de energia e não vai ter picos e nem quedas de glicose ao longo do dia.
Uma dieta antioxidante que ajudará a eliminar as toxinas e nutrir o organismo, além de manter glicemia é fundamental. Estas condutas também auxiliarão no bom funcionamento do intestino que é fundamental nestes pacientes, tanto para melhorar a sensibilidade alimentar, quanto para diminuir hiperpermeabilidade intestinal e melhor a imunidade. A utilização de produtos antifúngicos também pela nutrição é de grande valia.
Com isso, podemos perceber que invariavelmente a nutrição está envolvida com o tratamento do autismo, sendo que, muitos profissionais acreditam que a nutrição individualizada nestes pacientes deve vir antes de outras alternativas, tanto pela sua melhora do quadro, quanto por preparar o organismo para responder melhor aos outros tipos de tratamentos.
Texto extraído do Blog VP - Nutrição Funcional
sábado, 27 de setembro de 2008
Urubus e sabiás
— Onde estão os documentos dos seus concursos? E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente...
— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.
E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...
MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá."
Trecho extraído do livro Estórias de quem gosta de ensinar. Rubem Alves, São Paulo: Cortez, 1984. p. 61-2.
É incrível como em pleno século XXI ainda existam profissionais que se prendem aos seus velhos paradigmas e repelem com veemência as novas alternativas de tratamento para o autismo que lhes são apresentadas. Estou me referindo ao preconceito de certos profissionais a programas de tratamento como o Son-Rise, dietas nutricionais e tratamentos biomédicos, intervenções que são utilizadas amplamente nos Estados Unidos e Europa que possuem vários resultados positivos relatados pelos pais.
Talvez o problema seja realmente este, como podem os pais que não são possuidores de nenhuma formação acadêmica sugerir e divulgar tais tratamentos já que os mesmos não possuem nenhuma “comprovação científica”?
Alguns nos dizem para ser realistas e parar de tentar achar uma cura milagrosa, outros nos sugerem parar de pesquisar e estudar, pois esta área não nos compete. Será que teremos que esperar 10 ou 20 anos até que existam pesquisas conclusivas sobre estes tratamentos?
Nossos filhos merecem esperar por tanto tempo?
Fica a pergunta.
Sobre as abordagens:
Programa Son-Rise: Abordagem focada no desenvolvimento da interação social da criança, que uma vez conseguida facilitará o sucesso de outras abordagens tradicionais.
Dieta SGSC: Abordagem nutricional que retira da alimentação das crianças o glúten e a caseína. O glúten está presente no trigo, no centeio e na cevada e, a caseína, em derivados do leite. A teoria é que as proteínas no glúten e na caseína quebram-se no intestino, transformando-se em peptídeos tóxicos. A estrutura molecular destes peptídeos lembra a dos opiáceos (por exemplo, a heroína e morfina) e parece afetar o cérebro de forma similar aos narcóticos. Crianças com intolerância ao glúten e à caseína costumam “viciar-se” em alimentos que possuem estas proteínas.
Tratamentos Biomédicos: Abordagem que identifica se a criança tem problemas de saúde. Estes problemas poderão incluir uma necessidade crítica de vitaminas e minerais essenciais (por exemplo, vitaminas B6 com magnésio, Dimetilglicina, ou DMG e vitaminas A e C), problemas gastrointestinais (por exemplo, intestino permeável, supercrescimento de cândida e infecções virais), altos níveis de metais pesados e outras toxinas (por exemplo, mercúrio e chumbo), sensibilidades ou alergias a certos tipos de comida e outros. A maioria dos indivíduos autistas tem um ou mais destes problemas.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Dieta SGSC e o relato de um Asperger
Como parte dos meus planos para o ano novo, começei uma dieta sem glúten e sem caseína e tenho a seguido religiosamente.
Já faz quase seis meses que iniciei e posso dizer a vocês que ela me proporcionou mudanças discretas, mas definitivas. Se alguém me forçar a a dizer quanto, eu posso dizer que minhas dificuldades melhoraram 25%.
Descobri que posso usar uma variedade maior de roupas e roupas mais justas e apropriadas, porque alguns tecidos não se parecem mais como formigas andando sobre a minha pele, o que sempre foi um problema desde que era bem pequeno.
A minha coordenação motora também melhorou consideravelmente. Hoje posso dançar sem machucar minha parceira ou a mim mesmo e posso praticar artes marciais como tai chi chuan com um senso melhor de equilíbrio... e de fato ela melhorou com meus movimentos estimulatórios.
Minha coordenação olho/mão também melhorou bastante. Posso usar ferramentas sem me machucar, tanto quanto fazer trabalhos minuciosos (como desmontar um relógio de pulso ou uma camêra) com muito mais facilidade.
Eu me descobri menos perfeccionista e não tenho mais ataques de ansiedade quando as coisas não saem perfeitas.
Eu tinha problemas digestivos e estomacais desde que era menino, piores quando era criança, menores agora, e esses problemas sumiram cerca de um mês depois de me livrar de glúten e caseína.
Meus interesses obsessivos mudaram de natureza e intensidade. Agora sou capaz de seguir em frente com uma variedade de interesses que posso compartilhar com outras pessoas e não é tão exaustivo me socializar tanto quanto era antes da dieta. Também descobri que sou menos ofensivo com as pessoas e não as ignoro como antes.
Isto pode parecer como recomendação entusiasta e realmente é, mas também me trouxe alguns problemas.
Eu sempre tive uma memória fotográfica quando se referia a certas coisas e agora, mesmo que eu não tenha nenhum outro problema de memória, minha memória fotográfica sumiu junto com os meus problemas de estômago.
Eu sou um editor de ficção científica e escritor de estórias de horror que recebeu pequenos elogios da crítica especializada (meu trabalho foi publicado em revistas como Analog Science Fiction and Fact, Blood Moon Rising, Skeptical Inquirer, etc) e minha capacidade de escrever foi bloqueada imediatamente ao entrar na dieta.
Eu também tinha uma patente de invenção na área médica e também trabalhava numa série de outros projetos quando descobri para minha surpresa, que não podia liberar minhas invenções sem que as revisasse, pois precisava refiná-las. A abundância de criatividade que já experimentei, secou, embora não tenha se esvaído completamente.
Igualmente interessante, descobri que é um pouco mais dificil ler do que antes das mudanças. Sempre fui um leitor ávido, tenho cerca de 4.000 livros em minha casa e hoje leio um pouco mais devagar do que antes e as vezes me vejo tropeçando em palavras. Não é como dislexia e nem fiquei analfabeto repentinamente, também não tenho difuculdades para ler, só fiquei um pouco mais lento.
Me parece que eu não posso ter as bençãos do autismo sem os problemas que vem junto com ele.
Algumas coisas permaneceram as mesmas. Eu ainda tenho os mesmos problemas para interpretar a linguagem corporal e ainda tenho dificuldades em mostrar a diferença entre uma piada amigável ou um insulto pessoal.
Eu poderia com certeza voltar a minha dieta antiga, mas não acredito que voltarei. Eu tenho gostado muito mais da minha vida e me sentido muito menos sozinho e desamparado quanto me sentia.
Eu realmente acredito que se tivesse seguido essa dieta desde a minha infância, eu teria sido muito melhor na escola e ido mais longe na vida do que fui.
Eu continuo aspie, mas ficou mais fácil me passar por normal (o que quer que isso seja!).
Espero que isso ajude,
Com carinho,
Kevin Levites
Esse relato foi publicado na revista Autism File nº 29 e traduzido por Claudia Marcelino, moderadora do Autismo Esperança e mãe de Maurício, 17 anos - RJ
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Pesquisa sobre Dieta e Autismo
ScienceDaily (9 Agosto, 2008)
Pesquisadores da Universidade do Texas Health Science Center em Houston se lançaram em uma das primeiras pesquisas duplo-cego, estudos clínicos para determinar se glúten e os produtos lácteos desempenham um papel no comportamento autista como os pais têm anunciado.
O estudo-piloto é um dos sete atuais estudos sobre autismo, do Departamento de Pediatria e do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade do Texas Medical School em Houston. "Há muita desinformação, por isso este estudo é tão importante", disse Fernando Navarro, MD, professor assistente de pediatria da escola médica e líder investigador do estudo. "Centenas e centenas de pais pensam que isto funciona, mas nós necessitamos de sérios indícios".
Autismo é uma complexa desordem neuro-comportamental ligada a anormalidades cerebrais precoces no desenvolvimento. De acordo com o Instituto Nacional de distúrbios neurológicos e AVC, isto afeta até seis de cada 1000 crianças e é caracterizada por imparidade de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal, incomuns movimentos repetitivos ou severamente limitadas nas atividades e interesses.
Os pesquisadores descobriram que existem diferenças no sistema nervoso central, em função da anatomia entre aqueles com diagnóstico de autismo, mas a causa da doença ainda é desconhecida. Especialistas teorizam que pode ser uma combinação de genética e do meio ambiente. "Muitas das crianças com autismo têm problemas gastrointestinais como constipação e diarréia. Se estes problemas estão relacionados com o desenvolvimento cerebral é uma questão em aberto", disse Katherine Loveland, Ph.D., co-investigadora e professora de ciências comportamentais e psiquiatria, pediatria e ciências biomédicas em centros de saúde. "Há neuroreceptores e neurotransmissores na flora intestinal que correspondam às do cérebro. Há algumas razões científicas para pensar que algumas crianças podem se beneficiar deste regime alimentar. "
Para o estudo duplo-cego, financiados na sua fase inicial até suplementação de novos fundos concedidos pelo Departamento de Pediatria, os pesquisadores irão matricular 38 crianças autistas idades de 3 a 9. Eles irão analisar a influência das proteínas do leite e do glúten, em função do intestino. Glúten é uma proteína de trigo; caseína e o soro de leite são proteínas do leite. Caseomorfina, um peptídeo no secor do leite, e gliadomorfina, um peptídeo em glúten, acredita-se que estão relacionada às mudanças no comportamento destas crianças. As crianças serão retiradas glúten e produtos lácteos antes das quatro semanas de estudo e, depois, metade vai ser alimentada com glúten / leite em pó e outra metade será dado um placebo em pó.
Pesquisadores vão estudar a permeabilidade intestinal (leaky gut) através da urina e de comportamento através da coleta de testes psicométricos.
Co-investigadores para o estudo são J. Marc Rhoads, MD, professor e diretor de gastroenterologia na escola médica, e Deborah A. Pearson, Ph.D., professor de psiquiatria e ciências comportamentais. As crianças serão inscritos através da UT Médicos gastroenterologia pediátrica e clínica da Universidade do Texas Mental Sciences Institute. Navarro e Rhoads sao médicos do hospitais Memorial Hermann.
Texto original http://www.sciencedaily.com/releases/2008/08/080807175440.htm
Traduzido por Ana Muniz do Grupo Autismo Esperança
sábado, 9 de agosto de 2008
Dieta SGSC de Peu
Já está completando quase quatro meses do início da dieta SGSC de Peu, e já podemos observar alguns resultados positivos.A dieta consiste na retirada dos alimentos que contém glúten (alimentos feitos com trigo: pães, biscoitos, massas em geral), caseína (leite e derivados) e alimentos industrializados que possuem aditivos químicos (como glutamato monossódico e aspartame que são nocivos até para os não autistas).
Os aditivos químicos da alimentação moderna são verdadeiros venenos para nossas crianças que devido a alterações metabólicas não conseguem detoxicar (botar pra fora) essas substâncias, enfraquecendo o seu organismo e trazendo cada vez mais comportamentos autísticos. Dê preferência aos alimentos orgânicos!
A dieta está sendo acompanhada por sua Nutricionista Dra. Efigênia Leite que criou um cardápio adaptado para compensar através de outros alimentos os nutrientes retirados (proteínas, vitaminas e minerais).
O processo foi bastante tranqüilo retiramos o glúten e a caseína de uma só vez, ele não resistiu a mudança e nem apresentou crise de abstinência, a única coisa que ele não aceitou foi o leite de soja. Encontramos substitutos para o macarrão e os biscoitos no site Sem Glúten Marilis que possui uma linha de produtos sem glúten bem variada.
Benefícios da dieta observados:
- Melhora do contato visual;
- Melhora do sono (só dorme a noite e seu sono é tranqüilo);
- Maior concentração nas atividades (casa, terapias e escola);
- Diminuição de hiperatividade (apesar dele não apresentar muita);
- Mais tranqüilidade no contato com outras pessoas;
- Não apresenta mais constipação estomacal (prisão de ventre);
- Tem freqüentado a escola todos os dias e participado das atividades.
Como já dito em outra postagem o objetivo da dieta não é a cura do autismo e sim uma melhoria dos sintomas que são amplificados e até causados pela ingestão de alimentos inadequados as nossas crianças.
sábado, 2 de agosto de 2008
A Nutrição da Criança Autista - Parte 2
De posse de todas informações semiológicas necessárias ao entendimento do distúrbio, é indicado utilizar as seguintes estratégias nutricionais propostas:Orientações e informações sobre a desordem do autismo e suas implicações na nutrição, inicialmente devem ser direcionadas para os pais e profissionais não-médicos da instituição que, por ventura atenda estes pacientes;
Observar a viabilização do tratamento nutricional na residência dos autistas, sempre respeitando as condições sócio-econômicas de cada família;
O tratamento Nutricional, somente deve ser iniciado, após o conhecimento da complexidade da doença, que, se faz com a retirada controlada dos principais nutrientes que resultam na formação dos opióides, que é um dos principais causadores dos problemas neurológicos de cognição e comportamento do autista.
Assim, sugere-se o seguinte protocolo adaptado e ordenado:A. Retirada da caseína e de todos os produtos derivados dessa proteína dos alimentos destinados aos autistas, com observação constante do Nutricionista por um período de 3 semanas (tempo experimental de possíveis reações adversas do procedimento);
B. Após o período experimental em relação à restrição da caseína e derivados, inicia-se a retirada do glúten e derivados da alimentação do autista, seguindo o mesmo critério de observação utilizado para caseína, mas agora por um período experimental de 5 meses;
As observações constantes do nutricionista se fazem necessárias com o objetivo de prevenir possíveis quadros de deficiências de vitaminas e minerais que possam ser iniciadas com a retirada dos componentes alimentares conforme descritos e, principalmente, a possibilidade do aparecimento da síndrome de abstinência, ocasionada pelo bloqueio e interferência da ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central, a qual pode não apresentar grande conseqüência nutricional para o paciente. Mas se houver, alguma conseqüência, estas surgirão como alterações psicológicas e psicomotoras significativas, e nesse caso, deverão ser discutidos juntamente com a equipe de tratamento do paciente.
A ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central deve ser um dos fatores mais importantes discutidos no tratamento da criança com autismo, bem como, os efeitos da síndrome de abstinência nestes indivíduos, relacionada à restrição de glúten e caseína, requerem uma atenção intensiva, não só do Nutricionista, mas também, do outros profissionais que estão vinculados ao tratamento do autista.
Diante de todas as implicações do distúrbio autista associado à Nutrição, o tratamento deve ser sempre aplicado de forma interativa e multidisciplinar, bem como integração dos membros da família do paciente, objetivando, não a cura da doença, mas uma melhora efetiva nas características e sintomas da desordem.
César Augusto Bueno dos Santos
Nutricionista
Prof. Patologia Geral
Coordenador Curso Nutrição – UNIFENAS/BH
A Nutrição da Criança Autista - Parte 1
Também promovem outros efeitos, tais como: redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição de alguns neurotransmissores. De acordo com os dados observados, as substâncias opióides são derivadas de algumas proteínas da alimentação comum, tais como: o glúten e a caseína. Assim a terapia nutricional específica voltada para o paciente autista torna-se um dos primeiros pontos a ser discutido como tratamento. Portanto, com a eliminação padronizada e controlada dos alimentos que promovem a formação das substâncias similares aos opiódes da dieta dos autistas, percebe-se melhora significativa na sociabilidade e comunicação destes pacientes, bem como, uma redução dos efeitos de abstinência destes compostos. Diante de todas as implicações do distúrbio neurológico e metabólico do autista, este tratamento deve ser aplicado de forma interativa e multidisciplinar, sendo a nutrição um importante contribuinte no somatório para melhoria nas características e nos sintomas da desordem autista.
Segundo informações do “Centro de Tratamento Pfeiffer (PTC)”: AUTISM: RESERCH UPDATE (1995), os autistas apresentam, entre outras alterações, um defeito na função da proteína metalotionina que tem como função básica, a detoxificação de metais pesados, anormalidade esta que aparenta ser genética, tornando, o cérebro do autista extremamente sensitivo para metais tóxicos e outras substâncias ambientais. Esta proteína está, também, envolvida diretamente no desenvolvimento e maturação cerebral e do trato gastrintestinal nos primeiros anos de vida do ser humano.
Por outro lado, a função diminuída da proteína metalotionina dificulta também, a entrada de alguns minerais nas células. Entre eles estão o cobre e o zinco que são responsáveis pela maturação intestinal, função imune e crescimento celular.
De fato, algumas das principais evidências observadas no autismo são as anormalidades neurológicas e metabólicas. Diante disso, várias investigações têm sido direcionadas para a função de alguns nutrientes na alimentação do autista, objetivando uma melhora nos sintomas da desordem neurológica, e, tornando o tratamento nutricional um dos primeiros pontos que devem ser observados nas crianças autistas.
PANKSEPP (1979) em um experimento, observou similaridades dos sintomas dos indivíduos com autismo em relação a animais que consumiam experimentalmente opióides, no caso estudado: a morfina.
Em 1988, GILLBERG, detectou elevados níveis de algumas substâncias conhecidas na época por pseudo-endorfinas (substância com atividade opióide) no líquido céfalo-raquidiano de alguns autistas.
E em 1990, SHATTOCK identificou a presença de alguns peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos) anormais na urina de 80% das 1.100 pessoas autistas analisadas. Esses peptídeos são derivados do metabolismo incompleto de certas proteínas. O mesmo autor descreveu que uma parte desses compostos pode ser direcionada ao cérebro, provocando interferências na atividade dos neurotransmissores, devido sua ação neuro-regulatória e possível estimulação pré-sináptica. Os peptídeos anormais detectados foram nomeados de gluteomorfina ou gliadomorfina proveniente do metabolismo do glúten e a caseomorfina proveniente do metabolismo da proteína caseína.
As substâncias inicialmente já identificadas por PANKSEPP (1979) e depois por REICHELT (1981) foram confirmadas por SHATTOCK & LOWDON (1991) que sustentaram a seguinte hipótese: o autismo pode ser uma conseqüência da ação dos peptídeos de origem exógena, a qual afeta diretamente a neurotransmissão do sistema nervoso central dos indivíduos já afetados pelo distúrbio.
KNIVSBERG et al.,(1995) ao analisarem a urina de autistas, também, observaram níveis anormais dos mesmos peptídeos, provenientes de defeitos no metabolismo do glúten e caseína nestes pacientes (15).
Evidências têm mostrado que estes peptídeos, provenientes da quebra de alguns compostos protéicos, apresentam ação similar aos opióides, e, quando intactos podem atravessar a parede do intestino, atingir a corrente sangüínea e chegar ao cérebro em maior quantidade nos indivíduos autistas.
Nos últimos 30 anos, alguns autores têm relatado entre outros problemas uma série de disfunções gastrintestinais nos autistas. HORVATH & PERMAN (2002) descreveram alterações patológicas na permeabilidade intestinal, aumento da resposta secretória à injeção intravenosa de secretina e diminuição da atividade enzimática digestiva, o que demonstra uma conexão relativa entre as ações do cérebro e do intestino.
Entretanto, também existem relatos de doença celíaca e intolerância à lactose associada à síndrome do autista, embora um grupo considerável de indivíduos que apresentam essas desordens neurológicas em concomitância com outras, sejam passíveis de problemas na digestão das proteínas do glúten e da caseína, o que acrescentaria maiores problemas aos indivíduos afetados e maiores complicações na patogênese do autismo.
Diversos outros efeitos são observados quando os peptídeos opióides se elevam na corrente sangüínea, entre eles estão, a alteração do nível de acidez estomacal, alteração da motilidade intestinal e redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e conseqüente alteração na neurotransmissão.
O excesso de atividade dos peptídeos opióides no sistema nervoso central também pode resultar em um grande número de interferências neurais por elevadas alterações funcionais de atividade nervosa, o que afeta diretamente a percepção, a emoção, o humor e o comportamento do autista, entre outros sintomas.
Diante das variações neurológicas de cognição e comportamento, as alterações metabólicas e os efeitos nutricionais dos peptídeos opióides nos autistas são significativos, segundo o grupo de REICHELT et al.,(1990) ao publicarem dados em relação a nutrição, demonstraram a efetividade dos programas de nutrição, apesar de alguns trabalhos ainda não serem considerados conclusivos e não estarem tão claros em relação a atividade nutricional para o autista.
No entanto, outros autores também têm considerado que o tratamento nutricional do autista é fundamental, através de embasamentos experimentais ou individuais, obtendo relatos de respostas efetivas. Os estudos de RIMLAND & BAKET (1996) mostraram dados positivos de melhora no tratamento nutricional quando unicamente utilizando a terapia baseada em medicamentos.
Diante das ações terapêuticas nutricionais existentes, o tratamento do autista é complexo e deve ser feito com base em uma série de abordagens clínico-nutricionais, com o objetivo também de detectar possíveis deficiências nutricionais decorrentes ou não da doença. Associado a isso deve ser feito, também, o levantamento semiológico completo da vida do paciente. Enfoques e evidências médicas que possam ser somadas as alterações neurológicas e/ou clínicas (tais como: uso de medicamentos que possam interferir no metabolismo de algum componente da dieta, distúrbios físicos e/ou psíquicos, entre outros), tornam-se importantes no tratamento geral do autista.
César Augusto Bueno dos Santos
Nutricionista
Prof. Patologia Geral
Coordenador Curso Nutrição – UNIFENAS/BH
Peu cresceu e O Mundo de Peu também mudou.
Bem-vindo ao blog O Mundo de Peu! Olá, tudo bem? Meu nome é Marcelo Rodrigues, pai de Pedro (Peu), sou o criador do blog O Mund...
-
Levou tempo, mas finalmente o quarto de brincar de Peu ficou pronto. Na verdade era o seu próprio quarto de dormir onde fizemos algumas adap...
-
Régis Rösing mostra como o esporte pode ajudar crianças com autismo a evoluir. Professor de Educação Física reúne 25 alunos que recebem dedi...