quinta-feira, 24 de julho de 2008

Habilidades extraordinárias

Uma imagem distorcida que muitos tem dos autistas refere-se à crença de que todos são gênios matemáticos, fato erroneamente apresentado pela maioria dos filmes, como Rain Man. Existem de fato autistas com habilidades extraordinárias, denominados de autistas de "alto desempenho", mas que são uma minoria, representando menos de 5% dos portadores do distúrbio.

Autistas de alto desempenho apresentam uma memória surpreendente, além de outras habilidades extraordinárias que não são exibidas pela maioria das pessoas, tais como cálculo matemático, habilidades artísticas e musicais. Com relação à memória, apresentam um grande desenvolvimento da memória fotográfica, da memória auditiva e da "memória de calendário", eles são capazes de se lembrar e responder prontamente, por exemplo, que dia da semana foi 20/02/2002. Eles também podem se lembrar de datas de nascimento e morte de amigos ou de pessoas públicas como de presidentes, artistas e de suas famílias. Costumam também se lembrar de pessoas que não vêem há mais de 20–30 anos.

A razão pela qual alguns indivíduos autistas apresentam estas habilidades ainda é desconhecida. É possível pensar em uma compensação de regiões cerebrais especializadas dada a deficiência de outras.

Existem muitas teorias, mas nenhuma evidência sustenta qualquer uma delas. Dr. Rimland do Center for the Study of Autism, nos EUA, especula que estes indivíduos "têm uma inacreditável habilidade de concentração e podem focalizar completamente a sua atenção em uma área específica de interesse".

Outros dois pesquisadores Dr. Bruce Miller da University of California em São Francisco e Allan
Snyder da Australian National University, constataram que quando determinada parte do cérebro era "desligada", em geral o lobo temporal esquerdo, pessoas eram capazes de manifestar habilidades extraordinárias. Segundo o professor australiano quando uma parte do cérebro não funciona adequadamente ela desbloqueia uma parte que até então encontrava-se inerte. Seguindo essa idéia qualquer pessoal poderia ter, através da inibição do funcionamento de certas regiões cerebrais, habilidades extraordinárias.

A memória fotográfica é um bom exemplo de habilidade altamente desenvolvida por alguns portadores desta deficiência. Este fato parece ser fruto de hiper-desenvolvimento de determinadas áreas do cérebro em detrimento de outras que ficam bastante comprometidas como a linguagem e a capacidade de planejamento. Este desequilíbrio parece mesmo ser uma anomalia ainda que seja desejável.

Os autistas de alto desempenho apresentam uma variação entre três classes de comportamentos:

Splinter skills - tipo mais comum, onde o portador da síndrome apresenta obsessivo hobby por memorizar certas coisas como fatos esportivos, lista telefônica, horário de trens, menus de restaurantes, etc.

Talented skills - pessoas com habilidades mais bem desenvolvidas e especializadas, tais indivíduos podem ser capazes de pintar belos quadros, ou fazer complexos cálculos matemáticos de cabeça.

Prodigious skills - este é o mais raro tipo, estima-se que existam menos de 25 indivíduos em todo o mundo. Pessoas deste grupo podem ser capazes de tocar um concerto inteiro de piano depois de ter ouvido-o apenas uma vez.

Dentre as habilidades fenomenais apresentadas pelos autistas destacam-se:

Habilidades Musicais - geralmente relacionadas a pianos, alguns autistas podem tocar sem nunca ter sido ensinado. Como exemplo temos o pianista Derek Paravicini que aos quatro anos de idade era capaz de tocar, tendo aprendido sozinho.

Habilidades Artísticas - como capacidade de desenhar, pintar e esculpir. Como exemplo temos o pintor Richard Wawro, que além de autista é cego. Seu trabalho pode ser encontrado em
www.wawro.net/gallery_home.html. Outro exemplo é o artista Stephen Wiltshire que tem a capacidade de desenhar prédios, tendo-os visto apenas uma vez. Uma amostra do seus trabalhos está disponível em http://www.stephenwiltshire.co.uk/.

Habilidades Matemáticas - capacidade de trabalhar com complexas somas de cabeça ou calcular datas do calendário.

Outras Habilidades - Capacidade de saber as horas sem consultar um relógio, incrível senso de direção e memorização de mapas.

Trabalho acadêmico da Unicamp - Álisson Fernandes e outros.

domingo, 20 de julho de 2008

Peu e o Zac Browser

Instalei no computador de Peu o Zac Browser (navegador para Internet criado pelo canadense John LeSieur para o seu neto Zackary 6 anos, autista) para ver como ele interagia com o programa. Logo de cara ele se encantou com a tela de entrada que é um aquário virtual muito realista, de imediato ele começou a explorar os ícones que ficam na parte inferior da tela e começou a navegar.

Os ícones são divididos em quatro categorias:
Games – jogos educativos;
Television – trechos de desenhos animados e filmes infantis;
Music – Brincadeiras com música.
Stories – Pequenas historinhas infantis.

Peu tem navegado em todas as categorias e experimentado a maioria dos sites. Pena que todos os sites estejam na língua inglesa. A única dificuldade encontrada por Peu é a forma de sair do browser que precisa da combinação das teclas CTRL + L , um pouco difícil para quem ainda não aprendeu a usar o teclado.

Avô elabora navegador para neto autista

BRIAN BERGSTEIN da Associated Press

John LeSieur atua na área de softwares, de forma que lhe chamou a atenção o fato de os computadores parecerem não ter utilidade nenhuma para seu neto de seis anos de idade, Zackary. O garoto sofre de autismo, e o grande número de opções oferecido pelos PCs confundiam-no de tal forma que Zackary, frustrado, costumava atirar o mouse longe.

LeSieur tentou encontrar ferramentas on-line que poderiam guiar uma criança autista na internet, mas não encontrou nada que fosse satisfatório. Então criou um programa que, em homenagem ao neto, chamou de Browser Zac para Crianças Autistas. Agora, o software pode ser obtido gratuitamente por qualquer interessado (http://www.zacbrowser.com/).

O Browser Zac simplifica a tarefa de usar um computador. Ele bloqueia o carregamento de vários sites, impedindo o acesso a materiais violentos, de conteúdo sexual ou qualquer outro tipo dirigido apenas a adultos. E apresenta um número limitado de sites gratuitos e públicos, com ênfase em jogos educacionais, músicas, vídeos e imagens divertidas, como a de um aquário virtual.

Outros programas para crianças já possibilitam ingressar na internet de forma protegida. O browser de LeSieur, porém, assume o comando do computador e reduz a quantidade de controles disponíveis --para crianças como Zackary, um número excessivo de opções pode ser estressante.

Ele desliga, por exemplo, a tecla Print Screen e o botão direito do mouse. Isso elimina comandos dos quais as crianças não precisarão e reduz a chance de que um menino autista perca confiança após clicar em algo que o atrapalharia.

Ao utilizarem o navegador de LeSieur, as crianças selecionam as atividades clicando em ícones maiores que os normais, como uma bola de futebol para jogos e uma pilha de livros para histórias. O Browser Zac também configura a tela para barrar propagandas e outros tipos de distração que eventualmente surgiriam diante do usuário.

Resultados

O autismo costuma prejudicar a capacidade de comunicação do doente, e Zackary não fala muito. Mas a mãe dele, Emmanuelle Villeneuve, contou que o garoto consegue abrir o Browser Zac sozinho. Ele gosta de ouvir música por meio do programa e tentar solucionar alguns quebra-cabeças.

Zackary continua a agir de forma agressiva contra a TV, mas não tenta mais quebrar o computador.

LeSieur não criou o browser consultando pessoas consideradas especialistas nos vários tipos de autismo. A pequena empresa de software que ele dirige, a People CD, fez o Browser Zac, basicamente, para atender às necessidades de Zackary e concluiu que tal instrumento talvez ajudasse outras crianças autistas.

As primeiras avaliações sobre o software foram positivas. Agora LeSieur pretende adaptar o programa a fim de que os pais possam sugerir o acréscimo de novos conteúdos.

Tradução de RODRIGO CAMPOS CASTRO da Folha Online

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Musicoterapia 2

A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.

A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.

De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.

Como atua o musicoterapeuta?

O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.

A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a "afinação" do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.

O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.

Indicações da musicoterapia

Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados.

Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.

Que música é a mais indicada?

Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.

Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.

Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.

Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.

A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.

Extraído do site Boa Saúde

Musicoterapia 1

Música estimula comunicação de autistas com o mundo
Da Folha Online

A área de atuação do musicoterapeuta é diversificada. Pode se dedicar a autistas, deficientes mentais, pessoas com distúrbios neurológicos,empresas, escolas ou meninos de rua.

A musicoterapia aplicada em autistas tem dado resultados positivos. A música é a única ponte de comunicação possível para os portadores deste tipo de transtorno neurológico.

Nesses pacientes, a música não verbalizada é decodificada no hemisfério direito do cérebro (subjetivo e emotivo). Ela se move até o centro de respostas emotivas, localizado no hipotálamo, e passa para o córtex (responsável pelos estímulos motores e do intelecto).

Os sons verbais, no entanto, não "funcionam" dessa forma porque são registrados no hemisfério esquerdo, na região cortical (analítica e lógica) diretamente do aparelho auditivo.Em resumo, no autista, a música atinge em primeiro lugar a emoção para depois passar para reações físicas, como o batucar, por exemplo, nas pessoas normais. Dessa forma, o autista consegue interagir com o terapeuta.Pacientes que sofreram lesão do lado direito do cérebro, podem ter a percepção melódica comprometida.

O tratamento com musicoterapia, nesse caso, utiliza estímulos sonoros nas adjacências da área lesada, que criará novas conexões cerebrais.

Em casos com pacientes em coma, os resultados também foram bons. Com fones de ouvido, o paciente ouve fitas gravadas com vozes das pessoas queridas, músicas preferidas, sons da casa e da natureza. Os depoimentos de pessoas que saíram do coma confirmaram o auxílio da musicoterapia: elas tinham as lembranças reavivadas com os sons, o que motivava o indivíduo a viver.

A terapia também atua em hospitais, principalmente no auxílio a crianças emocionalmente instáveis, portadoras de doenças graves. Crianças que desenvolveram câncer, por exemplo, fazem uma sessão de musicoterapia antes de serem "bombardeadas" pela quimioterapia.
Na área social, há iniciativas com meninos de rua que visam trabalhar a auto-estima, aumentar a confiança e ensinar a se autovalorizem. (Jorge Blat)

Fontes: Maristela Pires da Cruz Smith, presidente da Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo, e Conceição Rossi, musicoterapeuta e terapeuta holística da Endocrino-Clínica de São Paulo.

Coelho Sabido Maternal

Peu desde os dois anos e meio de idade ficava me observando jogar no computador nos sites dos Teletubbies e Sesame Street e eu notava que ele tinha uma grande vontade de também jogar, porém, o uso do mouse era um problema ele pegava minha mão e a direcionava para o que ele queria fazer . Comentei isso com a sua fonoaudióloga Marcela Valente e ela começou a usar nas terapias o jogo do Coelho Sabido Maternal, foi um sucesso total em pouco tempo Peu não só aprendeu a usar o mouse como já dominava todas as fases do jogo. Hoje em dia ele mesmo liga o computador, clica no ícone do Internet Explorer, clica na estrelinha dos favoritos, navega e brinca pelos sites que ele mais gosta. O jogo Coelho Sabido foi decisivo para esse aprendizado.

Abaixo uma descrição do jogo retirada do site da Divertire.

Em um mundo colorido, repleto de canções e nove atividades lúdicas, as crianças trabalham habilidades básicas e necessárias para seu desenvolvimento. Este software foi projetado para que a criança adquira segurança ao ser introduzida ao uso do computador concentrando-se nas tarefas, sem a necessidade de clicar o mouse durante as atividades.

Exercita a percepção visual e auditiva, a coordenação motora e a memorização. Desenvolve habilidades essenciais ao processo de alfabetização, como identificação de cores, contagem de números, reconhecimento de letras, formas e sons. Acompanha guia para pais e professores, com sugestões sobre como aproveitar ao máximo as possibilidades pedagógicas oferecidas pelo programa.

Opinião de Profissionais da Área

A Linha educacional da Divertire vem sendo usada por vários profissionais como ferramenta complementar de ensino. Veja abaixo a opinião de alguns conceituados profissionais da área:
"...O game educativo "Coelho Sabido" foi muito bem projetado pedagógicamente. Fiquei impressionada com o grande desenvolvimento das crianças. Enquanto observava o rendimento de meus alunos, pude perceber, que apesar de ter muitas opções de softwares, eles sempre procuravam oCoelho Sabido..."
Lilian Machiaverni - Estudante de Pedagogia - Informática na Educação Puc-SP

“A coleção Coelho Sabido é uma linha de programa onde as crianças aprendem brincando. Além de ser um software muito bem elaborado pela parte visual e pedagógica, ele consegue prender a atenção dos alunos. As suas figuras e personagens são ricos. O colorido é muito bem distribuído. E o mais interessante de tudo é a interação que as crianças têm com eles.”
Célia Maria de Lins do Nascimento Cabral - Coordenadora de Informática - Colégio Agostiniano São José

“Através dos softwares da Divertire, estamos desenvolvendo atividades de valores humanos (compartilhar, respeitar o outro e auxiliar o amigo) com as crianças. Nesta primeira fase, temos utilizado o Coelho Sabido Maternal, Família Cósmica e Encantando. Como resultado, temos visto o envolvimento das crianças e o auxílio da informática como ferramenta impulsionadora da aprendizagem.”
Luciane Ferreira - Coordenadora Sócioeducacional CDI - Comitê para a Democratização da Informática

Tela principal do jogo

Coelho Sabido Maternal
Faixa etária: 18 meses a 3 anos
Software em português

Onde encontrar: Divertire - Educacionais

terça-feira, 15 de julho de 2008

O estranho caso do cachorro morto

Christopher Boone odeia coisas marrons e amarelas. Perde a fome quando, no seu prato, um tipo de comida encosta em outro. Sabe de cor todas as capitais do mundo e os números primos até 7.507. Adora assistir a documentários no Discovery Channel. Detesta piadas e metáforas, porque quase nunca as entende. Gosta muito de cachorros (que não fazem piadas) e bem pouco de lugares lotados. Quando está nervoso, faz contas mentalmente para se acalmar.

Chris é o protagonista de O estranho caso do cachorro morto (Editora Record), livro daqueles que quando você termina, fica tentando lembrar há quanto tempo não lia algo tão bom. Seu genial autor, Mark Haddon, conta alguns meses da intrigante vida desse menino de quinze anos que sofre de uma espécie de autismo chamada Síndrome de Asperger. Fã de Sherlock Holmes, o garoto decide investigar a morte de Wellington, o cachorro da vizinha. Tudo porque, de repente, ele é o principal suspeito do crime e acaba sendo preso - emoções demais para Chris.

Quando conta suas aventuras à sua professora (em uma escola para garotos especiais), ela sugere que escreva um livro, relatando e organizando todas as suas investigações sobre o assassinato. O resultado desse trabalho é o próprio livro O estranho caso do cachorro morto.

Assim sendo, a linguagem é bem simples e cativante e há vários gráficos, tabelas e diagramas explicando as pistas - o que pode soar maçante tem o efeito contrário quando sai da cabeça de Chris: deixa o livro ainda mais intrigante.

Mas não foi só na maneira de escrever que Mark Haddon expressou um profundo conhecimento da doença. Ajudante de classe em uma escola como a do protagonista por alguns anos, ele conviveu com crianças autistas e soube expressar essa experiência no livro. Prova disso é o artigo de um adolescente que sofre do mesmo mal elogiando Haddon e encontrando várias semelhanças entre Chris e ele mesmo.

Logo nas primeiras páginas, Chris deixa bem claro que esse não será um livro engraçado. No entanto, fica difícil não rir (ainda que com uma dose de constrangimento) das trapalhadas e da falta de malícia do garoto. Ainda mais difícil é deixar o livro de lado antes de chegar à última página.
Editora: Record
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 287
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Resenha extraída do site Omelete

Peu cresceu e O Mundo de Peu também mudou.

Bem-vindo ao blog O Mundo de Peu! Olá, tudo bem? Meu nome é Marcelo Rodrigues, pai de Pedro (Peu), sou o criador do blog O Mund...