domingo, 8 de junho de 2008

Convivendo com Autismo

Adquiri este livro recentemente e o achei bastante prático e abrangente. Posso afirmar que ele é uma das obras mais completas na abordagem do tema. Está dividido em três partes. A Parte 1 descrevem os comportamentos que podem alertar os pais sobre a possibilidade de o filho ter autismo. Ela analisa o processo de avaliação e explica o impacto emocional do diagnóstico. A Parte 2 oferece uma visão geral de como os pesquisadores acham que as crianças pensam e veêm o mundo e, portanto, por que costumam comportar-se de forma diferente. Esse entendimento é então usado na Parte 3 do livro para ajudar a compreender o comportamento da criança e planejar estratégias para lidar com comportamentos difíceis, mas, principalmente, para incentivar seu desenvolvimento. No capítulo 20 - Outra intervenções, são apresentadas as diversas formas de tratamento não convencionais utilizadas pelos pais em diversas partes do mundo e a opinião dos autores sobre elas.

CONVIVENDO COM AUTISMO E SINDROME DE ASPERGER

Estratégias Práticas para Pais e Profissionais
Ed. M.Books - 2008
Páginas: 336

Esta obra sobre os cuidados com a criança autista é um recurso ideal para as famílias e também para os profissionais que trabalham com eles. Em linguagem clara e simples, os autores explicam a natureza dessa condição e suas variações, e abordam problemas comuns vivenciados em atividades do cotidiano como comer, dormir e ir ao banheiro. Além disso, sugerem estratégias para lidar com crises repentinas de raiva ou mau humor, e apresentam alternativas para melhorar as aptidões sociais e de comunicação. Com base em pesquisas atuais e muitos exemplos de casos, os autores analisam, passo a passo, cada problema e suas causas, propondo várias soluções.

Sobre os autores

Chris Williams é psicóloga clínica infantil e consultora. Barry Wright é psiquiatra infantil e de adolescentes e também consultor. Ambos trabalham no NHS em York. Atuam em sua profissão e trabalham com crianças portadoras de transtornos do espectro do autismo e suas famílias há mais de 10 anos. Trabalham em conjunto com uma equipe multidisciplinar na avaliação, diagnóstico e intervenção, e lidam com crianças e jovens da primeira infância ao início da vida adulta portadores de autismo em vários graus. Gostam, sobretudo, de desenvolver e usar uma faixa abrangente de intervenções para apoiar as famílias nesse processo e ajudar seus pacientes a solidificarem seus pontos fortes.

Sumário:

Parte 1 - Meu filho tem distúrbio do espectro do autismo?

1. Primeiras preocupações
2. Avaliação
3. O impacto emocional sobre a família

Parte 2 - Como as crianças portadoras de distúrbios do espectro do autismo vêem o mundo?

4. Cegueira mental
5. Entendendo a essência
6. Interesses sensoriais e sensibilidades
7. Imaginação, percepção temporal, planejamento e memória
8. Linguagem

Parte 3 - Como podemos ajudar?

9. Controle do o comportamento
10. Desenvolver aptidões sociais
11. Desenvolvimento de aptidões sociais
12. Birra, agressão e frustração
13. Alimentação
14. Aprendendo a usar o banheiro
15. Defecar em locais impróprios
16. Sono
17. Preocupações
18. Compulsões, rotinas e rituais
19. Maneirismos e movimentos repetidos
20. Outras intervenções
21. Considerações finais

Jornal do Brasil - Reportagem sobre Autismo

Tratamento do autismo evolui, mas poucos têm acesso
Paulo Marcio Vaz, Jornal do Brasil

RIO - Dias depois de entrar para a vanguarda da ciência com a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, outro cenário ainda mostra um Brasil atrasado e deficiente numa questão que, nos Estados Unidos, já é considerada como prioritária e de saúde pública: a pesquisa e o tratamento do autismo. A situação por aqui estaria pior não fosse a iniciativa de pais brasileiros de crianças autistas – incluindo médicos – que, por sua conta, buscam opções de tratamento no exterior e conseguem, a duras penas, fazer com que algumas novidades cheguem ao país.

As novidades são animadoras, mas, por enquanto, disponíveis em pouquíssimos lugares e só para quem pode pagar. Um dos símbolos brasileiros que mais representa os avanços que os novos tratamentos do autismo podem proporcionar é o menino Pedro Augusto, prestes a completar 4 anos. Antes dos 2 anos, Pedro apresentava comportamento típico de um autista: não interagia com outras crianças, não dava sinais de fala, ficava horas brincando com um único brinquedo e tinha o hábito de bater sua própria cabeça contra a parede. Assustada, a nutricionista Alessandra Alves, mãe de Pedro, procurou um pediatra.

Excepcionalmente, o diagnóstico de autismo foi imediato. Pouco mais de dois anos depois de passar por um tratamento específico – similar ao que é feito nos EUA – Pedro foi levado a um neurologista, sem Alessandra contar ao médico o histórico do filho. Novo diagnóstico: Pedro Augusto, agora, é uma criança normal. Fala, sorri, responde aos estímulos, interage e brinca normalmente. Algo antes impensável para um autista. Milagre? Não. No mesmo caminho de Pedro estão outras crianças que, em poucos meses de tratamento, já recuperaram parte da fala, olham nos olhos e não são mais agressivas – algumas mordiam, com freqüência, a própria mãe.

Tratamento

O problema é que o tratamento a que Pedro e as outras crianças são submetidas, além de pouquíssimo conhecido pela maioria dos médicos brasileiros, não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele consiste na adoção de dietas especiais, suplementos vitamínicos importados e terapias comportamentais como a ABA, que incentiva as habilidades necessárias para que o autista adquira independência. Alguns exames necessários para acompanhar a evolução da síndrome também não existem por aqui. Tudo é difícil.

– Já gastei até R$ 5 mil em um mês com o tratamento do Pedro – afirma Alessandra Alves. – Em média, gasto R$ 2 mil mensais.

Uma das médicas que está na vanguarda do autismo no Brasil é a paulista Simone Pires, mãe de Felipe, autista de 7 anos. Simone culpa, em parte, o ensino da medicina no país pela falta de informação dos profissionais de saúde sobre autismo.

– Durante a faculdade, temos, basicamente, um enfoque neurológico e psiquiátrico sobre autismo. Assim, o tratamento fica restrito a estes especialistas, o que não é suficiente. – explica a médica. – O autismo também tem a ver com intoxicações por metais pesados, alterações intestinais e processos alérgicos ligados a diversas outras questões, entre elas, a alimentar.

Uma das instituições que oferece ajuda a autistas no Estado do Rio é a Associação em Defesa do Autista (Adefa). Em São Paulo, a Associação de Amigos do Autista (AMA) oferece um CD com informações a pediatras. Na Bahia, o site www.autismoinfantil.com.br tem dados sobre importação de vitaminas.

Dramas de quem está à margem das novas terapias
Paulo Marcio Vaz, Jornal do Brasil

RIO - Enquanto pais com bom poder aquisitivo comemoram, mesmo com dificuldades, o acesso a tratamentos mais adequados, outros, sem informações e condições financeiras, penam à mercê do pouco que o poder público oferece.

A dona de casa Maria da Penha Rocha mora em Santíssimo, Zona Oeste do Rio, e vive apenas com os R$ 415 que recebe de pensão de seu filho autista, Mateus, de 15 anos. Mateus não fala e costuma se agredir com mordidas. O tratamento pela rede pública é feito em um Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) onde, segundo a mãe, há neurologista e psiquiatra, mas não é feita qualquer terapia comportamental, dieta alimentar ou reposição com vitaminas.

Marilda Rodrigues mora em Senador Camará, também na Zona Oeste. Seu filho Iuri, de 17 anos, balbuciou algumas palavras até os 6 anos, mas depois não falou mais. Mesmo com o diagnóstico de autismo do filho, Marilda teve pensão negada pelo INSS e parou de trabalhar há cinco anos para ficar em casa, cuidando de Iuri que, segundo a mãe, “vive no mundo dele e só lida comigo”. O pai está desempregado. O atendimento a Iuri também é feito em um Caps onde, segundo Marilda, “o menino fica para lá e para cá, sob olhares dos médicos”.

– Nunca consegui fonoaudiologia para ele. Aqui no Brasil, tudo é muito difícil – lamenta.
Sobre o futuro do filho, Marilda é enfática:

– O futuro de Iuri é ser sempre dependente de mim. (P.M.V.)

Repotagem veículada no Jornal do Brasil em 01/06/2008.

sábado, 24 de maio de 2008

Autismo e computadores

A ferramenta que se tem mostrado cada vez mais efetiva na educação de pessoas com autismo, é o COMPUTADOR.

Basicamente quatro aspectos sobre o uso do computador em educação especial são relevantes para o seu uso com autismo:

  • Aumenta a habilidade de comunicação;
  • Melhora a cognição;
  • Ajuda nas atividades que envolvem coordenação motora.
  • Pode também ajudar dentro da política educacional de inclusão em escolas regulares.
De acordo com Murray e Lesser (2001): “Computadores nos remete diretamente a ‘tríade de prejuízos’... Computador nos permite uma fácil maneira de reunir canais de atenção com um mínimo de mútuo desconforto (em relação à criança e ao educador/ professor), isto nos permite driblar algumas das dificuldades mais características dentro do espectro do autismo”. A maioria dos trabalhos existentes sobre autismo e computadores está vinculada a COMUNICAÇÃO.

Além da Comunicação, o computador vem sendo usado em autismo para ajudar na aquisição de vocabulário, alfabetização, independente de a criança ser verbal ou não verbal, e assim como no processo de melhorar os déficits em interação social em crianças com autismo.

Estudos feitos na Suécia por Heimann e Tjus (1996), entre vários outros autores, também demonstram a eficácia do uso do computador na aquisição de fala em crianças com autismo. Um dos exemplos é o uso do programa Fast For Word, desenvolvido por Tallal e colegas (1997) e que vem sendo utilizado com sucesso como um “programa de treinamento em linguagem”.
Sobre o uso de softwares/programas específicos em computador com crianças com autismo, é importante salientar que:
  • Normalmente os programas ou softwares são caros;
  • Sempre devemos pedir um cd rom demo, para ver se o programa atende as nossas expectativas.
O uso do computador torna-se importante exatamente por oferecer aspectos similares ou “a mesma maneira de pensar” que as condições do autismo impõe:
  • Como em autismo, também com o computador nós temos que “ensiná-lo” tudo (nós temos que instalar todos os programas necessários);
  • Computador tem um pensamento literal. Se eles não entendem o que você quer, quase sempre “congelam” (pessoas com autismo também demonstram ter uma forma de pensar literal);
As vantagens oferecidas por computadores na educação da pessoa com autismo são várias entre estas:
  • Ambiente estruturado,
  • Respostas previsíveis,
  • Organização visual,
  • Auxilio individual (1:1)

Para poder tirar o máximo proveito do uso do computador com crianças com autismo, de acordo com minha experiência, não se faz necessário softwares especiais, ou hardwares de última geração. O que se deve ter em mente é que o software deve ter ambientes (na tela) objetivos, lógicos, reais, sem muitos estímulos visuais, de preferência com bonecos, desenhos ou até mesmo fotos de figuras humanas, animais, ou de ambientes reais em geral.

Além disso, o mais importante é conhecer bem o aluno. Seus pontos fortes e os fracos, características de aprendizagem, talentos, habilidades, e com isso preparar um guia do seu trabalho com a criança. É importante lembrar que cada criança é uma criança, é o que pode funcionar bem com uma, ser justamente o oposto com a outra. Conforme mencionado anteriormente, o respeito pela maneira de aprender e pensar da criança com autismo é fundamental para o sucesso de qualquer abordagem educativa que se pretenda usar na educação da criança com autismo.

Em conclusão, como infelizmente, ainda não temos cura para o autismo, educação é o mais efetivo tratamento em autismo. Computadores são somente parte desse processo educativo, e não a solução.

Hoje, computadores são grandes parceiros no processo educativo da criança com autismo. Em minha opinião os computadores podem ajudar e muito neste processo se seguirmos algumas considerações básicas:

  • Cuidado com o tipo de reforço que acompanha o software;
  • Sempre use programas bem estruturados, de manejo clara, sem muitos estímulos visuais;
  • Prestar atenção nas habilidades e dificuldades apresentadas pela criança;
  • Respeitar o ritmo de aprendizagem da criança;
  • Existe uma gama enorme de programas no mercado, nem sempre o mais caro é o melhor...
  • Troque idéias com pais e outros educadores regularmente;
  • Não queira ser um super pai/ mãe, nem um (a) super professor (a);
  • Não espere milagres!
  • Confie no seu trabalho!

Retirado do artigo "Porque o computador tem um papel preponderante na educação da pessoa com autismo" de Valéria Llacer Bastos Ribeiro - UFRGS

sexta-feira, 23 de maio de 2008

E Peu disse bom-dia!

Às segundas-feiras Peu têm sessões com a fonoaudióloga ás 08h30min da manhã, como acontece com a maioria dos mortais o primeiro dia da semana começa um pouco lento, não é diferente nem para mim nem para Peu, ele fica emburrado, resmungão e dificulta a sua entrada na sala de Marcela, eu fico na sala de espera pensando em achar um motivo para tornar a minha manhã mais feliz, pois, logo depois da sessão tenho que ir trabalhar.

Porém numa certa segunda-feira houve uma grande surpresa, após chegarmos ao Centro Médico pegamos o elevador e a ascensorista que já o conhece brincou com ele como sempre faz, quando eu a ouvi responder: – Bom-dia, Peu! E já foi logo emendando, é a primeira vez que você me deseja um bom-dia. Eu olhei pra ela surpreso e disse: – É a primeira vez que ele deseja um bom-dia para alguém. Ela riu e sentiu-se honrada. Pode até ter sido uma ecolalia (repetição imediata ou tardia de palavras ou frases) afinal eu venho por todo o caminho até chegar ao elevador cumprimentando a todos: o guardador de carros, o jardineiro, o porteiro, a recepcionista, até chegar à ascensorista. O mais importante é que a frase foi dita no contexto, respeitando uma regra social, isso para uma criança autista é um grande progresso. Fiquei muito feliz neste dia.

Continuamos indo as sessões as segundas e quintas-feiras, pegando o mesmo elevador e ouvindo a simpática ascensorista nos desejar bom-dia sem obter resposta de Peu, eu digo então que ele não está a fim de falar, mas ela é persistente e espera assim como eu poder ouvir de novo aquela voz baixinha e calma dizendo bom-dia!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Educação Social

Pesquisadores têm encontrado cada vez mais resultados que dão suporte às “abordagens de relacionamento” (aquelas com foco na qualidade da interação entre facilitador e criança) no tratamento do autismo. A texto abaixo explica o porquê. No final da postagem, encontram-se técnicas fáceis que você pode começar a aplicar imediatamente para encorajar o desenvolvimento social de sua criança com autismo.

As primeiras teorias viam o autismo como uma desordem comportamental e por conseqüência buscavam tratá-lo através da mudança comportamental, ou seja, o reforço de comportamentos não-autísticos e a punição de comportamentos autísticos para a eliminação dos sintomas do autismo. Esta perspectiva floresceu nos anos 50 (logo após as Síndromes do Autismo e de Asperger terem sido descritas pela primeira vez), quando a linha de pensamento em voga na psicologia era a comportamental, uma teoria que dotava de valor apenas o estudo do comportamento dos organismos, afirmando que a ciência não deveria investir no estudo de pensamentos, emoções ou experiências conscientes com o objetivo de compreender os seres humanos. Muitos trabalhos de pesquisa na área comportamental vieram de experimentos com o treinamento de animais. É deste ambiente científico que surgiram metodologias de tratamento para o autismo, como por exemplo, a ABA (Análise Aplicada do Comportamento) e várias formas da terapia original proposta por Ivan Lovaas.

Felizmente, a psicologia tem evoluído e percebido a importância crucial de se estudar os pensamentos, as emoções e a experiência consciente com o objetivo de melhor compreender os seres humanos. Desta psicologia mais moderna e holística tem sido construída uma nova perspectiva em relação ao autismo, associando o autismo com a dificuldade em se estabelecer relações básicas. Recentes estudos demonstram que é possível notar-se sinais precoces do autismo em crianças de cerca de 6 meses de idade. Atualmente, estes sinais costumam ser identificados apenas em retrospecto, mas os pesquisadores têm se esforçado para desenvolver métodos que possibilitem a identificação do autismo anterior aos 2 anos e meio ou 3 anos de idade.

Crianças com autismo (ou aquelas que num período posterior serão diagnosticadas com autismo) não se orientam socialmente de maneira típica. Isto significa que elas não prestam tanta atenção aos estímulos sociais como as outras crianças, estímulos como, por exemplo, um adulto chamando-as pelo nome ou olhando para o olho delas. Esta é uma habilidade social básica que crianças de desenvolvimento típico aprendem nos primeiros meses de vida. As crianças que têm um atraso na aprendizagem da habilidade de orientação social apresentam dificuldade no processamento de estímulos sociais e apresentam então atraso no desenvolvimento de habilidades como a atenção compartilhada (prestar atenção à mesma atividade ou tópico que outra pessoa está prestando) e a expressão de afeto (compartilhar experiências emocionais com outros).

Estes são passos cruciais durante os primeiros anos do desenvolvimento da criança e formam a fundação para todo o aprendizado social e boa parte do aprendizado cognitivo. Sem a habilidade de atenção compartilhada, o indivíduo não é capaz de sustentar uma conversa ou até envolver-se em uma simples brincadeira de cócegas por muito tempo. De maneira similar, esta criança não consegue colocar-se “no lugar de outra pessoa” e imaginar o que a outra pessoa possa estar pensando ou sentindo (desenvolvendo a Teoria da Mente), o que é vital para a participação em trocas sociais dinâmicas e espontâneas. Sem estas habilidades, a criança com autismo fica perdida na arena social – a qual modifica-se a todo instante – e procura focar em pontos que seu cérebro está melhor equipado para processar, como objetos e sistemas mecânicos não dinâmicos.
Ainda não está claro por que crianças com autismo respondem aos estímulos sociais desta maneira. Alguns pesquisadores apontam para o fato de os estímulos sociais apresentarem natureza complexa, diversificada e dinâmica, o que representaria para cérebros estruturados da maneira discutida na página anterior, Ambiente, um desafio maior na hora de serem processados (ou filtrados), em comparação com estímulos fixos e não dinâmicos.

Hoje em dia, é amplamente aceita entre a comunidade de psicólogos e pedagogos a noção de que crianças típicas aprendem através de interações sociais recíprocas e que os primeiros relacionamentos formam a fundação que possibilita as crianças sintam-se seguras para explorar o mundo. As crianças que se desenvolvem com um cérebro autístico tendem a ter dificuldade para engajar-se nesta educação social básica e fundamental.
Aqui estão alguns simples primeiros passos – porém de grande impacto – que você pode tomar para começar a redirecionar a educação social de sua criança.

1. Passe pelo menos 30 minutos por dia no quarto especial que você preparou para sua criança ou, neste estágio, em qualquer quarto silencioso onde você possa estar sozinho com a sua criança.
2. Siga a sua criança. Faça qualquer coisa que ela queira fazer. Não há nenhuma atividade em particular que você deva fazer, apenas faça o que a criança quiser. Procure divertir-se ao invés de tentar ensinar qualquer coisa para sua criança. Lembre-se que o simples ato de brincar com outra pessoa é a meta aqui, que a interação é muito mais importante para a criança com autismo do que qualquer informação que talvez você consiga ajudá-la a aprender neste ponto. Apenas divirta-se!

3. Tenha como foco o contato visual. Posicione-se em frente à sua criança e o quanto mais possível abaixo do nível do olho dela enquanto vocês brincam juntos. Antes de entregar um brinquedo para a criança, procure posicioná-lo próximo aos seus olhos, o que facilita que ela para você. Por fim, CELEBRE todas as vezes que sua criança olhar nos seus olhos – elogie, aplauda, cante – qualquer coisa que você tiver vontade de fazer para celebrá-la. O seu objetivo é fazer a experiência de contato visual prazerosa para sua criança. Brinque! Seja engraçado, ninguém está observando! Divirta-se com você mesmo, com sua criança e com o simples ato de olhar no olho desta preciosa pequena pessoa.
Extraído do site Inspirados pelo autismo

quinta-feira, 20 de março de 2008

A Ciência explica o autismo

O autismo é referido como uma desordem de espectro devido à grande variedade de sintomas presentes em pessoas com o diagnóstico. Pesquisadores, utilizando tecnologias que possibilitam o estudo da estrutura cerebral, também afirmam que os cérebros de pessoas com o diagnóstico de autismo variam vastamente de um para o outro. Por conseqüência, alguns cientistas têm sugerido que devemos estudar não apenas a estrutura do cérebro, mas também o mecanismo em que neurônios (células cerebrais) individuais se conectam e comunicam para que encontremos o problema de conexão neural que afete todas as pessoas com autismo. Pesquisadores têm encontrado evidências de que a maneira com que alguns neurônios são conectados no cérebro de pessoas com autismo pode levar a uma correlação baixa entre sinal e ruído.

Isto significa que muitos dos sinais que as células cerebrais estão enviando umas para as outras talvez venham acompanhados de “barulho” ou “ruído”, como a estática em um sinal de rádio. Esta é uma das explicações do por que crianças com autismo tornariam-se hiper-estimuladas por informações sensoriais e teriam então dificuldade para escolher entre duas fontes diferentes de informação. Por exemplo, é geralmente mais difícil para uma criança com autismo conseguir ouvir o que o professor fala quando outras crianças estão fazendo barulho.

Estudos analisando a eletricidade no cérebro de pessoas com autismo mostram que mesmo quando elas estão tentando ignorar certos aspectos de seu ambiente (como o barulho em uma sala de aula), seus cérebros respondem a estas informações do mesmo jeito que responde à informação que a criança está tentando prestar atenção (como a voz do professor). O problema para muitas crianças com autismo parece ser o de “filtragem”, isto é, elas são menos capazes do que as crianças típicas de filtrar e descartar a informação sensorial que é irrelevante para o que elas estão tentando prestar atenção. Conseqüentemente, os cérebros daqueles com autismo dão igual valor para todos os estímulos recebidos, causando um bombardeio de informação sensorial com o qual a criança tem de lidar. Os cérebros de crianças típicas aprendem a filtrar e descartar os estímulos irrelevantes durante os primeiros anos de vida, o que possibilita que, ao começarem a freqüentar a escola, consigam focar sua atenção na atividade pedida pelo professor. É muito difícil para um grande número de crianças com autismo conseguir aprender em um ambiente onde existem muitas informações sensoriais concomitantes (incluindo-se barulhos, toques, cheiros, estímulos visuais, etc.), como acontece em uma sala de aula.

Crianças com autismo estão absorvendo uma quantidade enorme de informação a todo o momento; isto significa que em algum ponto elas terão que escolher entre reter ou descartar essas informações. Estudos demonstram que, em comparação com pessoas neurotípicas, as pessoas com autismo tendem a retardar este processo de “escolha”. Uma analogia para este processo seria como andar pelos corredores de um supermercado e colocar em seu carrinho uma unidade de cada item a venda para apenas depois, na chegada ao caixa, descartar o que você não quer comprar. Isto causa uma demora no processamento de estímulos. Estudos com tecnologias que permitem ver que partes do cérebro estão sendo utilizadas durante uma tarefa confirmam que este é o fenômeno acontecendo dentro do cérebro de pessoas com autismo. Há mais atividade nas regiões do cérebro designadas para o processamento de baixa ordem (como o andar pelos corredores do supermercado) do que em regiões cerebrais especializadas para o processamento de alta ordem (passar pelo caixa e levar para casa os itens que constavam na sua lista de compras).

Talvez isto explique por que as crianças com autismo freqüentemente apresentam dificuldades em áreas de processamento de alta ordem (ex: memória, atenção, organização, linguagem, etc.). Elas passariam tanto tempo tentando lidar com a recepção de informação sensorial (baixa ordem) que acabariam não tendo tempo para praticar o processamento de alta ordem que outras crianças da mesma idade praticam. Desta forma, o cérebro da criança com autismo começaria a se desenvolver de forma diferenciada em relação ao cérebro de seu irmão com desenvolvimento típico. Há sinais de que este estilo de processamento da informação já se encontre presente na época do nascimento da criança, mesmo que os comportamentos autísticos não sejam identificados até os cerca de 18 a 24 meses de idade.

Especialistas dão a este estilo de processamento (que limita-se em parte ao processamento de baixa ordem) o nome de “fraca coerência central”. A coerência central refere-se à habilidade de processar contextualmente a informação recebida, associando informações para se chegar a um significado do todo, geralmente às custas da memória de detalhes. Assim sendo, na fraca coerência central haveria a tendência entre aqueles com autismo de prender-se ao processamento de detalhes ao invés da visão do todo em uma situação. Por exemplo, após olhar para figuras idênticas e receberem a requisição para se lembrarem do que estava na figura, uma pessoa típica provavelmente descreveria a cena como sendo “um pôr-do-sol na floresta”, enquanto que uma pessoa com autismo poderia descrevê-la como “folhas brilhantes, luz laranja e um galho com uma balança pendurada”. Este estilo de processamento é a razão pela qual algumas pessoas com autismo, em comparação com pessoas típicas, apresentam performances superiores em certas tarefas. Uma destas tarefas é o teste da figura inserida. Como um exemplo desta tarefa, a figura de um carro seria apresentada para as pessoas. Todas conseguiriam identificar facilmente o carro. Porém, quando fosse pedido que apontassem os três triângulos na figura, as pessoas sem autismo seriam muito mais lentas do que aquelas com autismo. Isto se deve ao fato de pessoas típicas focarem rapidamente no todo da figura, não prestando tanta atenção aos detalhes. As pessoas com autismo identificariam rapidamente os triângulos por estarem acostumadas a ver o mundo através dos detalhes.

Pesquisas envolvendo pessoas com autismo, desde estudos sobre como as células cerebrais conectam-se até estudos sobre como as pessoas atuam em testes psicológicos, nos oferecem a imagem de um mundo fragmentado, sobrecarregado e tomado por “barulho” para aqueles com autismo. Esta noção é confirmada por relatos autobiográficos de pessoas com autismo. A compreensão do mundo fragmentado e sobrecarregado de uma criança com autismo nos leva a ver a importância que tem o ambiente ao seu redor na elaboração dos programas educacionais e nos tratamentos que a ela são oferecidos. Também explica a razão das crianças com autismo procurarem ordem e previsibilidade em seus ambientes físicos.

Ambientes físicos com grandes quantidades de estimulação sensorial (ex: painéis com cores fortes, barulho de fundo, etc.) aumentaram o “barulho” num sistema sensorial já sobrecarregado, tornando extremamente difícil qualquer nova aprendizagem – como tentar aprender japonês dentro de um barulhento shopping center. Devido à presença de outras crianças e do tamanho do espaço físico necessário para abrigá-las, a sala de aula convencional é altamente limitada em termos de poder atender às necessidades das crianças com autismo. Até a iluminação por meio de lâmpadas fluorescentes, tão comum em salas de aula, tem sido apontada em estudos científicos como sendo um fator que afeta o comportamento de crianças com autismo. Infelizmente, estas considerações relativas ao ambiente da criança são geralmente desprezadas e têm sua importância desvalorizada quando programas educacionais são oferecidos para crianças com autismo, ou ficam além dos limites físicos e materiais das escolas convencionais.

Por Kat Houghton - Extraído do site Inspirados pelo Autismo

sábado, 8 de março de 2008

Auxílio na comunicação

Imagine-se em um outro país com uma cultura, hábitos, língua diferentes. Como você se sentiria neste lugar onde não consegue se comunicar ou compreender os atos das pessoas que são bem diferentes dos seus? A sua primeira reação provavelmente seria a de tentar manter uma comunicação. Da mesma maneira o autista precisa encontrar um caminho para se comunicar e, com isso diminuir sua frustração, trabalhar a socialização e seu crescimento como ser humano.Comunicação é uma área muito difícil para os autistas.

Algumas características dos autistas que dificultam a comunicação são: a distração, a dificuldade de processar instruções orais, manter atenção e organizar informações que estão recebendo. Também têm dificuldade de processar os cincos sentidos (tato, visão, audição, paladar, olfato) de uma só vez, ou mesmo de utilizar mais que um deles de cada vez. Esta inabilidade de ser compreendido afeta o comportamento podendo gerar maneiras inapropriadas para se comunicar como bater a cabeça, gritar, ou manter hábitos indicadores típicos do autismo. Um exemplo: os pais podem compreender que andar de um lado para o outro quer dizer que ele necessita ir ao banheiro, mas para outras pessoas esta ação não terá um significado a ser imediatamente compreendido. Conseqüentemente, se você estabelecer uma maneira de manter a comunicação, poderá eliminar muitos problemas de comportamento.

Muitos autistas têm uma compreensão limitada do processo de comunicação ou nenhum tipo de compreensão. Ao escolher um método de comunicação é necessário que a meta usada seja a de possibilitar ao autista conquistar sua independência, encorajar iniciativa, estabelecer uma comunicação espontânea conseguindo expressar suas vontades, necessidades, pensamentos, sentimentos, em diferentes situações e com distintas pessoas. Se um autista consegue efetivamente conquistar a habilidade da comunicação antes de atingir os seis anos de idade, terá melhores condições de desenvolver a comunicação e se tornar um autista de bom funcionamento.

Maneiras de trabalhar a comunicação:

» Dar ênfase ao lado visual;
» Rotina;
» Criar situações nas quais o indivíduo tenha que fazer uma escolha entre um objeto; que gosta e um objeto que não gosta;
» Estabelecer uma meta de comunicação para cada atividade;
» Encorajar interação com outras crianças;
» Encorajar brincadeiras nas quais tenha que se revezar.

Encorajar a comunicação:

» Validar qualquer tipo de comunicação.
» Encorajar atividades que envolvam materiais como atividades físicas, movimentos, música (incorpore música e movimento nas atividades).
» Encorajar a iniciação de comunicação (não antecipe as necessidades. Controle aceso aos objetos preferidos).

Problemas motores podem resultar em dificuldades no desenvolvimento da fala indicando a necessidade de estabelecer uma maneira alternativa de comunicação. Esses sistemas não são desenvolvidos para substituir a fala, mas para servirem como suplementos e facilitar a verbalização em de uma maneira eficaz.

» Gestos e apontar
» Comunicação com objetos e fotos
» Trocas de objetos ou fotos
» Fotos de símbolos com palavras
» Palavras e letras
» Linguagem de sinais

Estes métodos alternativos de comunicação podem oferecer uma maneira de comunicação que seja apropriada e afetiva e, com isso, poderá ocorrer a aprendizagem.

» Aprender o processo de comunicação.
» Engajar em comunicação intencional para expressar vontades e necessidades
» Experiência em trocar comunicação.

Apontar, gestos e birra podem ser apropriados para alguns. Comunicações mais simples são freqüentes para se poder começar uma comunicação funcional. Seja qual for o método de comunicação que você escolher, explicite-o, deixe-o sempre a mostra, faça com que ele seja reconhecido pelo autista.

» Troca de objetos funciona bem para pessoas que não apontam, que têm problemas de visão ou têm dificuldades com fotos (as fotos muitas vezes são abstratas no começo e podem ser usadas coladas em um objeto por elas representado - Exemplo: em um copo, colar a foto de um copo do PECS para pedir água). Uma maneira de introduzir esse método é criando uma caixa de objetos que a pessoa pode usar quando desejar pedir ou comunicar algo. A caixa poderá ser dividida em quatro ou mais divisões e as fotos separadas por classes (Exemplo: brinquedos; comidas; utensílios, etc.).

» Fotos (PECS) podem ser arrumadas em um fichário ou roteiro colocados na parede. Este sistema oferece o suporte visual necessário. (Pesquisas provam que este sistema e a linguagem de sinais também facilitam o desenvolvimento da fala, quando usados corretamente, para não criar dependência).

» A linguagem de sinais tem sido usada não só para surdos e mudos, mas também para pessoas com problemas de comunicação. Pode ser usada para cada palavra que você diz ou para palavras especificas que deseja acentuar. Este método tem sido uma maneira bem afetiva de ensinar comunicação e manter a atenção. Deve ser usado com consistência: em casa, na escola e nas atividades diárias.

» Estimule o individuo a fazer qualquer barulho para pedir algo. Então você dará o que ele deseja. Com isso, aos poucos ele descobrirá a importância de usar as palavras. Exemplo: "bis" para biscoito (coloque o biscoito em um lugar que ele não tenha acesso) faça de conta que não compreende o que está sendo pedido até que ele use o som "bis" (ao dar o biscoito fale "biscoito"). Quando começar a usar o "bis" para biscoito ensine outro som para representar outra coisa. Depois da criança aprender umas dez palavras aproximadamente e começar a falar claramente (não necessita ser perfeito), articule palavras até que ela comece a usar duas palavras juntas ("quero biscoito").

Fonte: Material produzido por Andréa Simon do site Autimismo

Peu cresceu e O Mundo de Peu também mudou.

Bem-vindo ao blog O Mundo de Peu! Olá, tudo bem? Meu nome é Marcelo Rodrigues, pai de Pedro (Peu), sou o criador do blog O Mund...