quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Temple Grandin - Tradutora Animal

Temple Grandin é autista. Porém, essa cientista venceu as barreiras e hoje leciona na Universidade do Colorado, EUA. Segundo ela, seu autismo teria lhe dado uma janela para o mundo mental dos bichos. " Animais e autistas pensam de um jeito parecido", diz.

Na adolescência, freqüentou uma escola especial para jovens com "problemas emocionais", na qual o contato com cavalos, era parte do currículo. Tratar dos bichos todos os dias lhe deu estabilidade emocional. "Os animais me salvaram", afirma ela.

Temple é portadora da síndrome de Asperger, uma das muitas condições de autismo A própria cientista descreve: sua mente funciona como uma sucessão de imagens ultra detalhadas. Falar sempre foi um sacrifício para Temple. O ponto aqui é uma memória detalhada em termos visuais. Pessoas normais vêem a floresta inteira - ela vê as árvores isoladamente.

Em humanos normais, tudo o que acontece nos 3 "cérebros" é amarrado e transformado num conjunto consistente em regiões especializadas do neocórtex. Os animais têm essa região muito pouco desenvolvida - mas nem sempre. As pessoas normais usam os lobos frontais e o neocórtex para criar uma visão "lógica" do mundo, num todo coerente. Os autistas têm lobos frontais perfeitamente normais, mas provavelmente não estão bem ligados ao resto do cérebro. O problema é a falta de evidências sólidas."

O que a mente animal tem a ver com isso tudo? Na prática, lobos frontais "desconectados" ou pequenos acabam dando resultados parecidos. Tanto animais quanto autistas vêem o mundo de forma muito mais imediata, fragmentada e baseada nos sentidos, dando atenção aos menores detalhe. Por isso é que, nas instalações de abate com problemas, os donos dificilmente sacavam o que estava deixando os bichos assustados, digamos. Era algum detalhe que os sentidos humanos normais deixavam passar. Porcos não queriam atravessar um piso metálico cheio de poças d''água com reflexos que eles achavam assustadores; vacas eram forçadas a sair de uma passagem escura para um pátio iluminado, ou vice-versa. Muitos dos casos envolviam um contraste brusco - para os sentidos dos animais.

A diferença é que o cérebro humano tem uma capacidade de filtrar detalhes do ambiente. Grande parte dos autistas, têm uma sensibilidade aguçada para as mudanças insignificantes, o que normalmente lhes causa muito desconforto - outro paralelo com a mente animal.

O mundo emocional dos bichos é outro indício de como seu cérebro e o dos autistas pode estar organizado de forma parecida. As emoções básicas de animais e pessoas são as mesmas: medo, raiva, curiosidade, atração sexual, ligação social ("amizade"). A diferença, é que a menor capacidade do cérebro animal para associar coisas ajudaria a manter essas coisas separadas. Bichos não têm relações de amor e ódio com alguém: se o seu cão te ama, ele te ama e ponto.

Animais também saltam com a maior facilidade de um momento de raiva para outro de tranqüilidade. O mesmo valeria para os humanos com autismo. Nessa falta de intimidade com as nuances emocionais pode estar a raiz da dificuldade que os autistas têm em se relacionar e se comunicar com outras pessoas.

Há também relatos de que pessoas com autismo, tal como muitos animais, têm uma percepção mais amena da dor física. Temple atribui isso a uma possível falta de conexão entre a dor e sentimentos como ansiedade e preocupação.

A memória fotográfica e a capacidade de perceber detalhes são só a ponta do iceberg. Simples ratos de laboratório parecem ter senso de humor e emitem sons que só poderiam ser classificados de riso; a complexidade do canto dos pássaros e das baleias dão um vislumbre de como a nossa própria linguagem pode ter evoluído. Ainda que a analogia com o autismo tenha seus problemas, as pontes entre nós e eles devem se tornar cada vez mais fortes.

Texto extraído do site SHVOONG

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Olhe nos meus olhos!

"Olhe nos meus olhos!" - O autor John Elder Robison cansou de ouvir essa frase durante a infância. Isso porque as pessoas não compreendiam a reação que freqüentemente esboçava quando alguém lhe dirigia a palavra. John desviava seus olhos, não por ser um pessoa que inspirasse desconfiança, mas, sim, por ter sérias dificuldades de interagir socialmente. Ele sofre da Síndrome de Asperger, doença caracterizada por um leve autismo. Com o passar do tempo, as pessoas passaram a entender as limitações de John e sua maneira de lidar com os outros. Mas até chegar a isso, ele passou por muitas experiências desagradáveis, situações embaraçosas e cenas constrangedoras. John agora pode contar sua história.

Desde criança, mesmo com dificuldade de interagir socialmente. John Robison ansiava em se relacionar com outras pessoas. Na adolescência, os problemas se agravaram e seus estranhos hábitos - uma inclinação para falar sem pensar, evitar estabelecer contato visual com os outros, desmontar rádios, manias "pirotécnicas" e cavar buracos de dois metros (prendendo seu irmão mais novo dentro deles) - fizeram-no ser rotulado como um jovem com desvios de conduta. Não recebeu nenhum tipo de orientação, seja por parte da mãe, que não conseguia falar sobre assuntos mais densos, ou por parte do pai, que passava as noites mergulhado em bebidas.

Depois de sair de casa e abandonar a escola secundária, sua impressionante habilidade em visualizar circuitos eletrônicos lhe proporcionou um trabalho com a banda de rock KISS, e criou as lendárias guitarras de Ace Frehey. Mais tarde, tentou integrar-se em um emprego "de verdade", como engenheiro, numa grande empresa de brinquedos. Porém, quanto mais Robison galgava posições na companhia e esforçava-se em agir como uma pessoa "normal", mais se distanciava de realizar aquilo que acreditava ser capaz de fazer: comunicar-se. No entant, esse sacrifício não valia o salário.

Somente aos 40 anos Robison foi diagnosticado por um atento terapeuta: era portador de uma forma de autismo, chamada Síndrome de Asperger. Essa súbita compreensão transformou a maneira com Robison se via - e como via o mundo.

Olhe nos meus olhos é a tocante narrativa por vezes transbordante de humor negro, de alguém que cresceu com a Síndrome de Asperger numa época em que esse diagnóstico não existia. Contador de histórias nato, Robison leva o leitor a uma viagem à mente de um rapaz cujos professores, além de outros adultos, consideravam "imperfeito", que não conseguia tirar proveito do infindável manacial de tiete do KISS, e ainda possuia uma peculiar aversão em usar o nome próprio das pessoas (ele chama sua esposa de Unidade Dois). O livro proporciona também um relato fascinante sobre o irmão mais novo, que foi deixado à mercê dos pais amalucados - rapaz que, mais tarde, mudou seu nome para Augusten Burroughs e escreveu o best-seller Correndo com as Tesouras.

No final das contas, esta é a história da jornada de Robison pelo seu mundo e de que forma alcançou o nosso, de sua nova vida como marido, pai e bem-sucedido dono de um negócio de restauração de automóveis - um de seus mais acalentados sonhos de criança. É um relato estranho, por vezes malicioso, contudo sincero e profundamente humano.

John Robison mora com sua esposa e filho em Amherst, Massachussetts. Sua empresa, JE Robison Service, conserta e restaura carros europeus.

Visite seus sites: http://www.robisonservice.com/ e http://www.johnrobison.com/

Autismo e Nutrição Funcional

O autismo é uma doença que vêm freqüentemente crescendo e há fortes indícios que seria por causa de fatores ambientais, já que a proporção desse aumento não pode ser justificado apenas pela genética, pois alterações genéticas sempre mantém a mesma proporção.

Muitos estudos, então, vêm tentando desvendar outros fatores que levam ao aparecimento desta doença. Dentre as alterações que constantemente aparecem em autistas estão alterações gastrintestinais, como a má digestão de certos alimentos, hiperpermeabilidade intestinal, o que facilita a passagem de alimentos mal digeridos pelo intestino, alcançando a corrente sanguínea, desencadeando reações alérgicas, e /ou inflamatórias, que ativam o nosso sistema imunológico.

O sistema imunológico é o segundo pilar que deve ser estudado quando se trata de autismo, que pode ser modulado, através de nutrientes, além de outras alternativas, como tratamentos antifúngicos, extremamente relacionados com esta patologia. E em terceiro lugar temos as alterações no sistema cerebral, que pode ser influenciado pelos outros fatores já descritos.

A desintoxicação de metais pesados também parece ser extremamente necessária em pacientes autistas, então, este deve ser mais uma linha de pesquisa na busca do tratamento destes pacientes.

Quando se pensa em nutrição para autistas dependerá muito das causas, história do desenvolvimento dos sintomas, se foi após uso de antibióticos, se foi após alguns tipos de vacinas, ou se não houve motivo aparente. Então o tratamento nutricional destes pacientes deve ser muito individualizado, e de preferência, depende de uma série de exames para identificação desde alergias alimentares (nunca desprezando sintomas clínicos), até a presença de crescimento de fungos no intestino e/ou aumento de toxinas ou compostos análogos (parecidos com os que encontramos normalmente no organismo), mas que interrompem ou prejudicam as vias metabólicas normais destes indivíduos.

Os alimentos que foram mais relacionados com o autismo são os que possuem glúten (trigo, cevada, centeio, aveia) e caseína (laticínios), mas outros também podem ser prejudiciais dependendo da individualidade bioquímica, como: ovos, tomate, berinjela, abacate, pimenta soja, milho e nozes.

Devem ser evitados aditivos químicos como os corantes, conservantes, nitratos, sódio e adoçantes. Portanto, evitar o consumo de alimentos industrializados e procurar uma alimentação rica em frutas, verduras, grãos integrais e legumes. Além disso, é importante evitar consumir cafeína e nem bebidas alcoólicas.

Procurar manter os níveis de glicose no nosso sangue constantes, pois é importante para a função cerebral. Para isso, consumir alimentos a cada 3 horas em pequenas quantidades, assim, o organismo tem suprimento constante de energia e não vai ter picos e nem quedas de glicose ao longo do dia.

Uma dieta antioxidante que ajudará a eliminar as toxinas e nutrir o organismo, além de manter glicemia é fundamental. Estas condutas também auxiliarão no bom funcionamento do intestino que é fundamental nestes pacientes, tanto para melhorar a sensibilidade alimentar, quanto para diminuir hiperpermeabilidade intestinal e melhor a imunidade. A utilização de produtos antifúngicos também pela nutrição é de grande valia.

Com isso, podemos perceber que invariavelmente a nutrição está envolvida com o tratamento do autismo, sendo que, muitos profissionais acreditam que a nutrição individualizada nestes pacientes deve vir antes de outras alternativas, tanto pela sua melhora do quadro, quanto por preparar o organismo para responder melhor aos outros tipos de tratamentos.

Texto extraído do Blog VP - Nutrição Funcional

A saga do autista que animou shows do Kiss

Portador da síndrome de Asperger, que afeta a capacidade de sentir, o norte-americano John Elder Robison fala do seu livro Olhe nos Meus Olhos

Antonio Gonçalves Filho

A síndrome é relativamente comum: uma em 150 pessoas tem Asperger ou outro transtorno autista, o que, nos Estados Unidos, corresponderia a 2 milhões de almas. Uma delas pertence a um homem que ficou famoso após seu irmão, Augusten Burroughs, publicar um best seller que virou filme, Correndo com Tesouras (Ediouro, 2007, R$ 34,90). Animado com a repercussão da história de sua família disfuncional, John Elder Robison resolveu contar a própria versão dela em Olhe nos Meus Olhos, também transformado em best seller nos EUA e agora lançado no Brasil pela Editora Larousse (tradução de Júlio de Andrade Filho e Clene Soares, 256 págs., R$ 19,90).

De Massachusetts, onde mora com a mulher e o filho, Robison concedeu por telefone uma entrevista ao Estado, revelando as razões que o levaram a escrever o livro após assistir ao filme de Ryan Murphy. Nele, seu irmão gay Augusten (que assina o prefácio de seu livro) é entregue aos 12 anos à família do excêntrico psiquiatra que cuida da mãe de ambos, Deirdre, uma poetisa bissexual e depressiva que enlouquece quando vai viver só num hotel, após o divórcio. Separado dela, o marido, um professor alcoólatra, passa a espancar ainda mais o filho mais velho - justamente o autor de Olhe nos Meus Olhos. O título vem da frase que era repetida inutilmente pelo pai bêbado enquanto o garoto contemplava a pilha de garrafas vazias de vinho sob a mesa da cozinha.

Visto como psicótico pelos pais e os amiguinhos da escola, John Elder cresceu tímido e introvertido, certo de que viraria um assassino serial por não olhar as pessoas nos olhos ou não conseguir se emocionar diante da tragédia alheia. Até ser reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como uma espécie leve de autismo, em 1984, a síndrome de Asperger era diagnosticada como doença mental. Não é bem assim. Há quem aposte que Einstein e o cineasta Stanley Kubrick sofriam da mesma síndrome, cujos portadores são sempre pessoas com uma inteligência acima da média mas incapazes de manifestar emoções.

A despeito das limitações que a síndrome impõe a seus portadores, ela não impediu Robison de ser bem-sucedido na vida profissional. Os 'aspergers' têm uma habilidade incomum para lidar com máquinas e computadores. Robison diz, brincando, que eles pertencem à raça do doutor Spock, o alienígena de Star Trek, meio humano, meio marciano. Foi como uma espécie de professor Pardal que, reparando os equipamentos dos músicos de sua cidade, conheceu Ace, o guitarrista da banda de rock Kiss, que o convidou para cuidar dos efeitos pirotécnicos - sonoros e visuais - de seus shows. Robison cansou de simular os incêndios da guitarra de Ace. Resolveu levar uma vida pacata. Hoje restaura carros antigos em Amherst, Massachussets, e cuida do filho, que, desconfia, é também um 'asperger'.

Há muitos traços positivos na síndrome de Asperger, mas há também os negativos. Quais são eles?

Pessoas com a síndrome da Asperger são normalmente vistas como sociopatas pela dificuldade que têm de expressar o que sentem ou não esboçar reações diante do que os outros julgam ser algo excepcional. Simplesmente não tenho total controle quando estou conversando com alguém, pois outros estímulos podem distrair minha atenção (o que deve ter acontecido durante a entrevista ao telefone, pois ele preferiu sair do escritório para falar com o repórter do celular no carro). Acho que temos uma cabeça mais voltada para o cálculo científico, uma habilidade para consertar coisas ou, como dizem, uma estranha empatia com máquinas. Eu simplesmente adoro restaurar carros antigos. É como se eu conseguisse entrar no coração dessas máquinas. Por outro lado, sofremos com o preconceito por conta de nossa dificuldade de interagir de acordo com as regras sociais. Escrevi o livro justamente para ajudar as pessoas a entender a síndrome.

Ou para que as pessoas não falem mais que você se parece com o doutor Spock, de Star Trek. Você diria que a síndrome de Asperger é uma disfunção tipicamente contemporânea, uma vez que vivemos numa era essencialmente racional e pouco propensa a emoções?

Não sei se a era da informática, caracterizada pelo racionalismo, tem algo a ver com o crescimento de portadores da síndrome. Posso falar por mim, que tenho uma habilidade excepcional para lidar com sistemas mecânicos e eletrônicos, a ponto de ter desenvolvido jogos para um fabricante de brinquedos e aparelhos de som para a companhia do grupo Pink Floyd. Não importa o tempo em que vivemos, seremos sempre incapazes de agir conforme desejam as outras pessoas. Cansei de ouvir na adolescência que ninguém confia em quem não olha os outros nos olhos. Isso não significa nada. Numa época dominada por computadores, esse virou o comportamento padrão. E nós, os 'aspergers', temos um talento incomum para lidar com eles.

Você conta que viveu a adolescência entre canivetes e outras armas, o que faz com que a sociedade desconfie de pessoas com síndromes como a sua, classificando-as de psicopatas. Isso lhe incomoda?

Eu carregava canivetes para me defender das agressões que sofria por conta da síndrome, não para atacar ninguém. É um equívoco associar a síndrome à violência ou às tragédias registradas nas escolas dos EUA, onde alunos saem atirando uns contra os outros.

Você parece ter superado seu isolamento. O que mudou em sua vida nos últimos anos?

Sou outra pessoa nesses últimos anos. Quando você exercita a linguagem do corpo, forçando-se a prestar atenção nas pessoas que estão ao lado, começa a perceber o quanto era cego. Eu andava como um robô desajeitado, incapaz de responder a qualquer estímulo facial ou mesmo sorrir. Quanto mais cedo os pais descobrirem que a criança é uma 'asperger', melhor para ela, pois muitos não conseguem nem viver sozinhos nem descobrir sua vocação profissional, porque não se trata de uma doença, mas de uma forma de estar no mundo.

Médicos estão recorrendo à energia magnética para cuidar de portadores da síndrome de Asperger. Isso funciona?

Alguns estudos têm demonstrado que sim, que a energia magnética pode nos ajudar, mas acho que o principal é uma disposição interna para mudar. Minha habilidade social era pequena antigamente. Aprendi a lidar com ela aos trancos e acho que já posso andar por conta própria. Os 'aspergers' têm enorme poder de concentração. É só não discriminá-los como fazem nas escolas, celeiros de regras que mantêm as crianças condicionadas a seguir normas e segregar os que são diferentes. Isso, sim, é doença.

Matéria extraída do site do jornal O Estado de São Paulo

domingo, 12 de outubro de 2008

Einstein e Isaac Newton eram autistas, afirmam cientistas britânicos

Por Cassiano Sampaio

O Princípio da Gravitação Universal e a Teoria da Relatividade podem ser frutos do intelecto de dois autistas. Dois grandes gênios da ciência, diga-se de passagem, Albert Einstein e Isaac Newton, possivelmente sofriam da síndrome de Asperger, uma forma amena de autismo, segundo notícia divulgada pela Reuters esta semana e publicada no Journal of the Royal Society of Medicine, da Inglaterra. O distúrbio foi descoberto pelo médico austríaco Hans Asperger em 1944, e ocorre em função de um problema de desenvolvimento cerebral que causa deficiências nas faculdades sociais e de comunicação, assim como obsessão. Entretanto a SA não afeta o aprendizado, nem o intelecto. Muitos portadores dessa síndrome possuem talentos ou habilidades extraordinárias.

Os pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Oxford, estudaram as personalidades e a biografia de Einstein e Newton.


Isaac Newton é nitidamente um caso clássico da síndrome de Asperger. Não falava e esquecia de comer, tamanho seu envolvimento com o trabalho. Começou a desvendar a lei da gravidade aos 23 anos, era um sujeito distante, de poucas palavras, e freqüentemente tinha acessos de mau humor. Desde a infância, quando se apaixonava por um tema, ele o fazia com tanta intensidade que se impunha longos períodos de solidão para estudá-lo. Outros traços da síndrome de Asperger, o desleixo com a aparência e a mania de reescrever até vinte vezes os seus estudos, sem fazer quase nenhuma alteração de uma cópia para outra.


No caso de Einstein, que formulou a teoria da relatividade aos 26 anos, os sintomas também seriam claros. Quando criança, ele costumava repetir a mesma frase durante horas e estava sempre sozinho. Mais tarde, na Universidade de Princeton, adotou uma rotina curiosa. Fizesse chuva ou sol, todos os dias, ele e seu único amigo (um matemático neurótico chamado Kurt Göbel) saíam para passear depois de se telefonarem pontualmente às 11 horas. Einstein, assim como Newton, também tinha uma maneira peculiar de vestir-se. Ele mantinha sete ternos idênticos.

A maioria dos autistas que chegam a universidade possuem a SA e tem um Q.I normal ou acima da média. A fala desenvolve-se normalmente, existe a inversão pronominal, a linguagem é repetitiva, existe a falha em entender regras que controlam a conduta social, fazem uso de temas repetitivos, as preocupações são intensas, possuem muita originalidade e criatividade. Uma citação de Isaac Newton sobre como revolucionou os princípios físicos, matemáticos e astronômicos, representa sua personalidade: "Se enxerguei além dos outros é por que estava no ombro de gigantes."

Texto extraído do site SHVOONG

Espelhos da mente

Qual é a semelhança entre um elefante vaidoso, um camundongo camarada e um macaco pidão, e por que nos arrepiamos quando olhamos alquém que se cortou?

Recentemente, foi mostrado que elefantes possuem a curiosa capacidade de se reconhecerem quando em frente a espelhos. Também foi mostrado que camundongos sentem compaixão quando observam companheiros de gaiola sofrendo. Apesar desses estudos parecerem meras curiosidades do mundo animal, eles revelam que certos animais, assim como os humanos, possuem um certo nível de auto-consciência. Mas onde entram o macaco pidão e o arrepio ao vermos alguém que acaba de se cortar?

Graças a uma descoberta feita sem querer por cientistas italianos da Universidade de Parma em 1996, o grupo de neurônios responsável por reconhecer outros indivíduos, interpretar suas ações e expressões e se relacionar com eles - os chamados neurônios-espelho - foi identificado. Giaccomo Rizzolatti e seus colaboradoes em Parma estavam apenas estudando o grupo de neurônios que aumentavam a atividade quando um macaco estendia o braço para pegar uma banana, por exemplo. Eles acreditavam que estavam estudando apenas neurônios envolvidos com a atividade motora do macaco. Durante uma pausa no experimento, um dos colaboradores pegou uma banana, com a intenção de comê-la. Para a surpresa de todos os cientistas presentes naquele momento, os mesmos neurônios do macaco aumentaram a atividade, sem que o macaco se mexesse! Ou seja, os neurônios que estão em atividade quando o indivíduo executa uma ação são os mesmos que estão em atividade quando o indivíduo observa outro executando a ação. Esses neurônios foram batizados de neurônios-espelho, pois através deles conseguimos nos projetar em outros indivíduos e experimentar suas sensações.

Os pesquisadores foram ainda mais longe e mostraram que os mesmos neurônios que disparam quando somos espetados por uma agulha disparam quando vemos outra pessoa espetada por uma agulha. Em outras palavras, literalmente experimentamos a dor alheia. Mais interessante ainda, por meio de técnicas de imagem cerebral como eletro-encefalograma (EGG) e ressonância magnética (fMRI), pesquisadores mostraram que conseguimos experimentar as emoções alheias, com a mesma intensidade que vivenciamos as nossas próprias emoções.

Vários cientistas, entre eles Vilayanur S. Ramachandran, especulam que a descoberta dos neurônios-espelho é o elo perdido que ajuda a explicar por que somente o homem, entre todas as especies conhecidas, teve capacidade cognitiva suficiente para desenvolver linguagem e cultura. Ramachandran acredita que, em um momento-chave durante a evolução do homem, neurônios-espelho ficaram muito melhores (mais rápidos e mais numerosos) do que os presentes em outros animais, fazendo com que o aprendizado via observação e repetição se tornasse mais eficiente, promovendo a passagem de qualquer conhecimento adquirido diretamente de uma geração para outra (dita herança cultural), sem a necessidade de aguardar o lento processo de seleção natural darwiniana. Como já observado por Rizzolatti, esses neurônios possivelmente foram responsáveis pela imitação dos movimentos de lábio e língua que possivelmente produziu a oportunidade de a linguagem se desenvolver (é por isso que, quando você mostra a língua para um recém-nascido, ele provavelmente mostrará a língua de volta).

Outra evidência interessante é que em humanos os neurônios-espelho se localizam no córtex frontal inferior, próximo à área de Broca, considerada uma região relacionada à linguagem.

O que acontece quando os neurônios-espelho não funcionam como o previsto? Pouco se sabe sobre a regulação e participação exata dos neurônios-espelho no circuito do sistema nervoso central (afinal de contas, eles só foram descobertos há dez anos!). Entretanto, há alguns indícios de que distúrbios no sistema de neurônios-espelho podem causar problemas de socialização.

Há fortes evidências, em trabalhos cientificos recentemente publicados pelos grupos de Vilayanur Ramachandran e Marco Iacoboni, de que crianças com autismo apresentam uma disfunção no sistema de neurônios-espelho. O autismo aflige aproximadamente 0,5% das crianças nos Estados Unidos. Muitos portadores de autismo têm níveis de inteligência normal, muitas vezes até acima do normal, mas possuem sérios problemas de socialização. Os principais indicios clínicos da doença são: isolamento social, falta de contato visual, reduzida capacidade de linguagem ou comunicação e ausência de empatia.

O teste realizado pelos pesquisadores para confirmar a deficiência de neurônios-espelho nas crianças autistas foi simples e direto, e as medidas de atividade cerebral foram feitas como uso do encefalograma. Primeiramente, os pesquisadores pediram para a criança abrir e fechar a mão direita em forma de pinça e mediram a atividade de um grupo específico de neurônios. O próximo experimento foi mostrar um filme em que uma pessoa executava exatamente o mesmo movimento com a mão. Em uma criança normal, os mesmos neurônios-espelho seriam reativados. Em crianças autistas, não aconteceu a ativação. Ou seja, em crianças autistas “os espelhos estariam quebrados”.

Texto extraído do blog Espiral de Alysson Muotri

sábado, 11 de outubro de 2008

As Fronteiras do cérebro

Marco Antônio Arruda

Ler um livro em 60 minutos e reproduzir com fidelidade de 99% cerca de 12 mil livros lidos é uma habilidade de causar inveja a todos nós. E o que dizer da prodigiosa aptidão de após um vôo de helicóptero sobre o centro de Londres, apanhar um lápis e reproduzir numa tela mais de duzentos edifícios com fidelidade perfeita de escala e perspectiva.

Essas são as histórias de Kim Peek e Stephen Wiltshire, portadores de autismo e da Síndrome de Savant ou Savantismo. Essa síndrome neuropsiquiátrica foi descrita em 1887 pelo Dr. John Langdon Down (o mesmo da Síndrome de Down) ao observar habilidades mentais prodigiosas em dez pacientes portadores de autismo e lesões cerebrais das mais diversas causas. Trata-se de uma condição bastante rara, observada em cerca de 10% dos autistas, seis vezes mais freqüente no sexo masculino e caracterizada por habilidades prodigiosas dos mais variados tipos como memória, música, pintura e números.

Os cinéfilos se lembrarão das incríveis histórias de Kim Peek levadas ao cinema com o filme Rain Man (1988) do diretor Barry Levinson, estrelado por Dustin Hoffman e Tom Cruise. Muitos portadores de savantismo chegam a apresentar múltiplas habilidades, a despeito de não terem autonomia para as atividades da vida diária como comer, se trocar e tomar banho. Mas nem todos portadores de savantismo são autistas, acreditem que há casos descritos em que tais habilidades surgem após traumatismo craniano e epilepsia! Mais impressionante ainda são os achados de Allan Snyder e seu grupo da Universidade de Sydney (Austrália) que, suprimindo a atividade elétrica da região frontotemporal esquerda do cérebro (ponto localizado entre a orelha e o olho esquerdos) através de ondas eletromagnéticas, observou um desempenho expressivamente melhor dos voluntários em tarefas de leitura e desenho (Rain Man por um dia!).

Este e outros estudos indicam a possibilidade dessas habilidades estarem em todos nós, como diz Darold Treffert da Universidade de Wisconsin: "há um gênio em todos nós, persiste o mistério de como destrancá-lo". Uma outra habilidade bastante freqüente entre os portadores da Síndrome de Savant é a de dizer com rapidez impressionante qual dia da semana cairá determinada data, quer tentar? Pois bem, que dia da semana será 24 de dezembro de 2.328? Difícil? E que tal o dia 19 de outubro de 2008? Acertou, é o dia do nosso reencontro aqui na Gazeta. Até lá!

(Marco Antônio Arruda é Neurologista da Infância e Adolescência e doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo)

Texto extraído do site Gazeta de Ribeirão

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Falando de Autismo

Por Nilton Salvador*

Até pouco tempo atrás, falar de autismo era um assunto que não provocava interesse jornalístico, pois não justificava discussões nas redações, até que a partir de meados de 2005 a mídia norte americana começou a elevar as pautas da síndrome infantil para a categoria de doença, sugerindo que estava em curso uma epidemia mundial do distúrbio, aumentando a carga de preocupação sobre os conceitos existentes e indefinidos em relação às características dos portadores.

Além de não passar de mais uma enganação alarmista para pais e responsáveis precariamente informados sobre o autismo em nosso país, onde ainda não há órgãos oficiais de saúde para cuidados específicos, sabe-se lá que interesses estariam por detrás daquelas notícias falsas, já que os índices de portadores diagnosticados no mundo, são os mesmos há mais de três décadas, e esse tempo fica bem próximo da descrição da síndrome por Leo Kanner, psiquiatra infantil da John Hopkins University em 1943.

Infelizmente no Brasil, o autismo começou a ficar mais conhecido, quando alguns políticos que surfaram nas ondas das CPIs de corrupção e imoralidade, se utilizavam dele para desqualificar o presidente da República, ministro, senador, deputado estadual, federal e personalidades, estabelecendo um adjetivo que por pouco não vira moda.

Felizmente, numa cruzada silenciosa: pais, associações, grupos de discussão na internet no mundo inteiro e movimentos pró autistas, conseguiram conter a onda, pois muitos daqueles políticos e outros que se utilizaram do autismo para caracterizar alguém com um "defeito", desconheciam a condição médica do mesmo.

Alguns profissionais da saúde em autismo ao invés de orientar, invertem situações para os pais, fazendo-os crer que o portador não se relaciona com outra pessoa que não seja igual a ele, incluindo propensões para outras síndromes especialmente na adolescência, de acordo com seu arbítrio, por falta de preparo técnico e experiência.

Enquanto isso, o autista e seus pais continuarão pagando o alto preço do seu aprendizado que deveria ter a definição da causa da síndrome vindo da escola de formação do profissional, para manter a esperança da cura de um quadro psicológico abstrato sem precedentes.

Em condições normais, nós, pais de autistas ou não, não precisávamos estar nos engalfinhando com políticos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, rogando que se altere o artigo do projeto do Estatuto do Deficiente, onde está definido o autismo como deficiência, pela expressão: transtorno global do desenvolvimento, abrangendo outras síndromes, evitando que fiquem fora da proteção da lei.

O autismo pode também ser uma proposta de educação, pois é de função pedagógica. Tudo que se faz pelo autista é orientado para educá-lo dentro dos princípios da pedagogia, não podendo ser visto como uma sina de caráter assistencialista, mas sim como uma linha reta de bom senso, merecedor de confiança.

Autistas precisam de psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas e pedagogos e adjacentes competentes, que não fiquem praticando autofagia, cada um querendo deter monopólio de saberes, mas sim aprimorando experiências até para o governo a exemplo do que acontece em outros países onde a saúde é levada a sério.

Autistas não devem ser catalogados apenas como crianças patologicamente necessitadas de apoio médico ao receberem o seu diagnóstico, e que seus pais não se deixem levar pelo imediatismo, aceitando docilmente prescrições que seus efeitos colaterais os levem do seu estado natural para situações perturbadoras.Não podemos esquecer que nossos filhos autistas ou não, só vieram através de nós. Cada autista é único, vêm com sua própria personalidade, talentos e pensamentos.

* Nilton Salvador é pai de autista, reside em Curitiba, Paraná.rosador@brturbo.com.br

Texto retirado do site SENTIDOS - Inclusão Social da Pessoa com Deficiência

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Jenny McCarthy recupera filho com autismo

Jenny McCarthy atriz e namorada do ator Jim Carrey disse que acredita que o autismo do seu filho foi desencadeado por vacinas que ele recebeu quando era um bebê - e ela ajudou a aliviar a condição alterando sua dieta.

Evan, filho de Jenny com o ex-marido John Asher, foi diagnosticado com a doença em 2005, quando tinha três anos de idade, recentemente Jenny escreveu um livro sobre o tema relatando sua experiência, "Louder than Words: A Mother's Journey em Healing Autism".

No programa de entrevistas Larry King ela disse recentemente: "Muitas dessas crianças têm Cândida, que é supercrescimento de levedura. Depois que eu limpei o intestino do Evan colocando para fora toda a Candida - e eu vou dizer isto muito claramente - ele se tornou uma criança típica". "Ele começou a falar completamente. Seu desenvolvimento social retornou. Ele está agora em uma escola para crianças típicas. Ele está entendendo tudo muito melhor. E a minha história não é a única. "

"Em 1983, o calendário de vacinas era de 10. Dez vacinas dadas. Atualmente, há 36, e um monte de gente que não sabe disso. Não acredito que as vacinas sejam a única causa para o autismo. Eu acredito que elas possam ser um gatilho. Há alguma coisa que enfraquece o sistema imunológico dessas crianças, e elas talvez não possam processar as vacinas. "

"Eu não acho que sejam exclusivamente as vacinas. Acho que são as toxinas que existem no ambiente e os pesticidas. É como uma espécie de acúmulo de fatores. Se você puder encher um balde de todas as coisas que acontecem com essas crianças, se elas tiverem um fraco sistema imunológico, claro que toda esta porcaria vai sobrecarregar ".

Notícia extraída do site
Fametastic

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Autismo infantil e Ritalina

Especialistas condenam prescrição de psicofármaco Ritalina a menores de cinco anos
Aconselhado apenas para casos extremos

Desta vez, os avisos vêm do Reino Unido. As novas linhas orientadoras ditadas pelo National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) referem que o conhecido medicamento chamado Ritalina (nome comercial do metilfenidato) usado para casos de défice de atenção e hiperactividade não deve “em caso algum” ser prescrito a menores de cinco anos e, apenas em último recurso, deve ser usado por crianças mais velhas. Em Portugal, os especialistas sublinham que a prescrição destes fármacos a crianças com menos de 5 anos abrange uma pequena minoria e situações muito especiais.

As novas directivas britânicas neste campo foram divulgadas hoje pelo diário inglês "The Guardian". Segundo este jornal, os especialistas defendem que antes de receitar Ritalina é preciso assegurar que todas as outras estratégias foram tentadas e falharam. Assim, fala-se numa aposta na formação de pais e professores para que aprendam a lidar com estas situações delicadas antes de simplesmente prescrever o medicamento que acalma a criança. Para a formação é proposto um programa de 12 semanas e apenas nos casos mais graves e como último recurso deve ser usado o psicofarmaco, sublinham. Além disso, o uso destes medicamentos, diz o NICE, deve ser sempre acompanhado de apoio psicológico.

A prescrição de medicamentos como a Ritalina sempre foi alvo de controvérsia e debate na comunidade científica. Ainda assim, há milhões de crianças em todo o mundo que parecem precisar desta medicação para resolver problemas de desatenção. Em Portugal, o problema deverá afectar entre 3 a 5 por cento da população escolar. “O manancial de experiência adquirido até hoje permite concluir que é um medicamento eficaz e seguro. Temos dados suficientes para concluir que a taxa de complicações a curto e longo prazo é muito baixa”, referiu ao PÚBLICO, o neuropediatra José Carlos Ferreira, especialista nesta área, admitindo que o fármaco pode produzir efeitos secundários já relatados como, por exemplo, palpitações e falta de apetite. “Há sempre muita vigilância nestas situações”, nota. O pediatra Pedro Cabral acrescenta: “É prescrito a muito poucas crianças com menos de cinco anos e com cuidados especialíssimos”, refere, notando que deve ser sempre investigada outra explicação para o problema como perturbações do espectro do autismo.

24.09.2008 - 20h41 Andrea Cunha Freitas
Notícia extraída do Jornal On Line Público.PT

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Famosos com traços autistas

Thomas Jefferson - Mencionado no livro Diagnosing Jefferson, de Norm Ledgin, como tendo possívelmente Síndrome de Asperger,foi presidente dos Estados Unidos de 1800 a 1808. Nasceu em 1743 na Virgínia (EUA). Formou-se em Direito. Em 1776 redigiu a Declaração da Independência. Foi vice-presidente e, em 1800, eleito presidente e re-eleito novamente em 1804. Casou-se e teve filhos. Morreu em 1826. Algumas de suas frases:

"Quando nervoso, conte ate dez antes de falar; Se você estiver muito nervoso, até cem." (Thomas Jefferson para Thomas Jefferson Smith, 21de fevereiro de 1825)

"Os dois princípios a que nossa conduta com os índios deve ser fundada são a justiça e o medo. Depois do sofrimento que causamos a eles, não conseguem nos amar..." (Thomas Jefferson para Benjamin Hawkins, 13 de agosto de 1786)

"Nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e não se pode ter limitações sem se perder".

Vincent Van Gogh - (citado por Temple Grandin no livro "Thinking in pictures" como tendo características autistas) foi um grande pintor, que em vida só conseguiu vender uma pintura. Nasceu em 1853 em Holanda. Quando criança gostava de ficar sozinho, tinha dificuldade de se relacionar com outros, sofria acessos de raiva, aparentava sempre estar em outro mundo.Só foi descobrir seu talento para a arte aos 27 anos. Suicidou-se em 1890.

Frase: "Eu não posso pensar em uma definição melhor para o mundo da arte do que essa: natureza, realidade, verdade; mas com significados... Um caráter que o artista traz dentro dele, e a ele dá expressão".

Albert Einstein - Nasceu na Alemanha em 1879 e tinha a Síndrome de Asperger. Foi um grande cientista e desenvolveu as duas teorias da relatividade (a restrita e a geral). Einstein só falou aos três anos e repetia frases para ele mesmo até os sete anos de idade. Nunca foi considerado um gênio na infância, aliás, tinha algumas dificuldades: preferia brincar sozinho não se socializava bem. Apesar de ser tranqüilo tinha rompantes de insatisfação.

Foi casado duas vezes e teve dois filhos no primeiro casamento. Em 1922, recebeu o prêmio Nobel de Física. Em 1933, temendo os nazistas por ser judeu, mudou-se para os Estados Unidos, onde se tornou cidadão americano em 1940. Foi professor da Universidade de Princeton. Seus alunos tinham dificuldades de acompanhar suas classes (segundo Temple Grandin por que ele pensava visualmente e os outros não o acompanhavam). Morreu em 1955 de um ataque cardíaco. Foi eleito pela Revista Times Magazine como personalidade do século pelo seu descobrimento. Frase:

"O único homem que está isento de erros, é aquele que não arrisca acertar".

Ludwing Wittgenstein - foi sugerido por Oliver Sack que ele teria traços de um autista "high-Functioning" de bom funcionamento. Era um filosofo.Teve dificuldade para desenvolver a fala começou a falar com quatro anos. E era considerado um idiota na infância. Sempre foi um péssimo estudante, mas tinha grandes habilidades mecânicas. Construiu uma máquina de costura com apenas 10 anos.

Bill Gates - (citado no livro "Thinking in pictures" de Temple Grandin como tendo características autistas) é diretor da Microsoft e inventor do Windows. Nasceu em 1955 em Seattle (EUA). Gates se balança continuamente durante reuniões de negócios e em aviões (autistas fazem isso quando nervosos), não gosta de manter contato olho-aolho e tem pouca habilidade social. Não dá importância à sua aparência.

Matéria retirada do site Autimismo

Autistas famosos

Dra. Temple Grandin - Nasceu em 1947 e foi diagnosticada como autista aos dois anos. É PHD em Ciência Animal e professora da Universidade do Colorado. Grandin oferece várias palestras sobre autismo além de ter escrito alguns livros sobre a sua experiência como autista. Inventou a "Squeeze-Machine" ("Máquina do aperto") para ajudá-la nas suas dificuldades sensoriais. No seu livro "Thinking in Picture" Grandin relata que a sua primeira língua foi visual e como esta experiência a ajudou profissionalmente. A Dra. Grandin diz que conseguiu sucesso graças às oportunidades de mentores na escola e o apoio da família, principalmente o da mãe. Sua mãe publicou um livro "A thorn in my pocket" sobre sua experiência de criar uma criança autista em um tempo que as mães eram consideradas culpadas pelo autismo dos filhos e suas crianças eram encaminhadas para uma instituição por não existir cura.

Matthew Savage foi diagnosticado com autismo (Pervasive Developmental Disorder) quando tinha três anos de idade. Os pais começaram então a seguir o protocolo DAN. Matthew naquela época não suportava sons, mas com a "auditory integration Therapy" (terapia de integração auditiva) conseguiu superar este problema. Os pais de Mattew usaram a fascinação do menino por palavras e, exploram o seu lado visual, para estimular e complementar as atividades. Hoje, com 11anos, ele compõem música e tem um trio de jazz. " The Matt Savage Trio" participa de festivais de Jazz e da concertos, sempre lotados, pelos EUA e Canadá. Já lançou três CDs e o dinheiro arrecadado com a venda foi doado para pesquisas sobre autismo. Matt continua com dificuldades de comportamento, fixação por certos assuntos, com dificuldade para se desligar deles. As vezes não compreende o que falam com ele ou compreende de maneira diferente.

Ryan Wilson é um autista de bom funcionamento ("High Functioning") e estava com nove anos quando escreveu e ilustrou o livro "The legendary Blobshocker". Com a ajuda da professora Beth Alshanskey da Universidade de New Hampshire, que usou um programa de colagem (arte) e ensinou a Ryan como usar sua criatividade e seu talento visual para aprender literatura e explorar estas habilidades.

Tito Rajarshi Mukhopadhyay - um adolescente do sul da Índia que foi diagnosticado com autismo clássico aos três anos. Ele se balança, gira, faz movimentos repetitivos, faz barulhos estranhos, não consegue ler expressão do rosto de outras pessoas, não mantém contato olho-a-olho. Embora tenha um autismo clássico ele consegue expressar seus pensamentos e sentimentos. Descreve como se sente preso a um corpo autista, um caso único.
Segundo Tito ele se balança e faz movimentos repetitivos com as mãos para conseguir sentir o seu corpo. Não olha no olho porque só consegue processar um sentido de cada vez, ou seja, não consegue ver e escutar ao mesmo tempo (só foi perceber que isso não era normal ao se dar conta que outras pessoas podiam usar outros sentidos juntos). Uma mãe perguntou a ele em uma conferência qual o conselho que daria aos pais de autistas. Ele disse "Acreditem nos seus filhos". Tito é fluente em inglês e bengali (tem dificuldades para falar e ser compreendido escreve muito bem e é mais fácil para ele escrever no computador) têm dois livros publicados: Beyond the silence: My life, the world, and autism e The mind tree: A miraculous child breaks the silence of autism. Ele conseguiu superar as barreiras que o autismo lhe proporcionou graças à mãe Soma Mukhopadhyay que desenvolveu uma maneira de ensinar e comunicar com o filho chamada "The rapid Prompting Method".

Jerry Newport - nasceu em 1948 e foi diagnosticado com síndrome de Asperger em 1995 Possui um B. A em Matemática pela Universidade de Michigan. Trabalha como free-lance accounting, participa de palestras sobre Autismo/Asperger pelos Estados Unidos e também escreve para revista Autism Asperger´s Digest Magazine. É casado com Mary Newport que também tem Síndrome de Asperger. Escreveram juntos o livro "Autism-Asperger´s and sexuality puberty and beyond". A vida dele é tema do filme "Mozart and the Whale".

Donna Willians - É uma australiana que antes de receber o diagnostico de autista foi taxada de louca, de ter distúrbios emocionais, fez vários testes de surdez. Não conseguia responder simples perguntas ou ficar sentada por muito tempo. Oas 24 anos ela começou a dieta sem glúten, caseína, açúcar, nenhum tipo de conservantes, corantes e pouco salicitato (ela continua na dieta). Donna relata que se sentia como uma drogada com a única diferença que não usava drogas, mas certos alimentos faziam com que ela agisse assim. Hoje ela é casada, trabalha como consultora em uma escola, participa de palestras sobre autismo e também escreve música, pinta e faz esculturas.

Matéria retirada do site Autimismo

sábado, 27 de setembro de 2008

Urubus e sabiás

"Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas para os sabiás... Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa , e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.

— Onde estão os documentos dos seus concursos? E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente...

— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.

E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...

MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá."

Trecho extraído do livro Estórias de quem gosta de ensinar. Rubem Alves, São Paulo: Cortez, 1984. p. 61-2.

É incrível como em pleno século XXI ainda existam profissionais que se prendem aos seus velhos paradigmas e repelem com veemência as novas alternativas de tratamento para o autismo que lhes são apresentadas. Estou me referindo ao preconceito de certos profissionais a programas de tratamento como o Son-Rise, dietas nutricionais e tratamentos biomédicos, intervenções que são utilizadas amplamente nos Estados Unidos e Europa que possuem vários resultados positivos relatados pelos pais.

Talvez o problema seja realmente este, como podem os pais que não são possuidores de nenhuma formação acadêmica sugerir e divulgar tais tratamentos já que os mesmos não possuem nenhuma “comprovação científica”?

Alguns nos dizem para ser realistas e parar de tentar achar uma cura milagrosa, outros nos sugerem parar de pesquisar e estudar, pois esta área não nos compete. Será que teremos que esperar 10 ou 20 anos até que existam pesquisas conclusivas sobre estes tratamentos?

Nossos filhos merecem esperar por tanto tempo?

Fica a pergunta.

Sobre as abordagens:

Programa Son-Rise: Abordagem focada no desenvolvimento da interação social da criança, que uma vez conseguida facilitará o sucesso de outras abordagens tradicionais.

Dieta SGSC: Abordagem nutricional que retira da alimentação das crianças o glúten e a caseína. O glúten está presente no trigo, no centeio e na cevada e, a caseína, em derivados do leite. A teoria é que as proteínas no glúten e na caseína quebram-se no intestino, transformando-se em peptídeos tóxicos. A estrutura molecular destes peptídeos lembra a dos opiáceos (por exemplo, a heroína e morfina) e parece afetar o cérebro de forma similar aos narcóticos. Crianças com intolerância ao glúten e à caseína costumam “viciar-se” em alimentos que possuem estas proteínas.

Tratamentos Biomédicos: Abordagem que identifica se a criança tem problemas de saúde. Estes problemas poderão incluir uma necessidade crítica de vitaminas e minerais essenciais (por exemplo, vitaminas B6 com magnésio, Dimetilglicina, ou DMG e vitaminas A e C), problemas gastrointestinais (por exemplo, intestino permeável, supercrescimento de cândida e infecções virais), altos níveis de metais pesados e outras toxinas (por exemplo, mercúrio e chumbo), sensibilidades ou alergias a certos tipos de comida e outros. A maioria dos indivíduos autistas tem um ou mais destes problemas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dieta SGSC e o relato de um Asperger

Eu sou um homem de 42 anos com Síndrome de asperger e vivo nos Estados Unidos.

Como parte dos meus planos para o ano novo, começei uma dieta sem glúten e sem caseína e tenho a seguido religiosamente.

Já faz quase seis meses que iniciei e posso dizer a vocês que ela me proporcionou mudanças discretas, mas definitivas. Se alguém me forçar a a dizer quanto, eu posso dizer que minhas dificuldades melhoraram 25%.

Descobri que posso usar uma variedade maior de roupas e roupas mais justas e apropriadas, porque alguns tecidos não se parecem mais como formigas andando sobre a minha pele, o que sempre foi um problema desde que era bem pequeno.

A minha coordenação motora também melhorou consideravelmente. Hoje posso dançar sem machucar minha parceira ou a mim mesmo e posso praticar artes marciais como tai chi chuan com um senso melhor de equilíbrio... e de fato ela melhorou com meus movimentos estimulatórios.

Minha coordenação olho/mão também melhorou bastante. Posso usar ferramentas sem me machucar, tanto quanto fazer trabalhos minuciosos (como desmontar um relógio de pulso ou uma camêra) com muito mais facilidade.

Eu me descobri menos perfeccionista e não tenho mais ataques de ansiedade quando as coisas não saem perfeitas.

Eu tinha problemas digestivos e estomacais desde que era menino, piores quando era criança, menores agora, e esses problemas sumiram cerca de um mês depois de me livrar de glúten e caseína.

Meus interesses obsessivos mudaram de natureza e intensidade. Agora sou capaz de seguir em frente com uma variedade de interesses que posso compartilhar com outras pessoas e não é tão exaustivo me socializar tanto quanto era antes da dieta. Também descobri que sou menos ofensivo com as pessoas e não as ignoro como antes.

Isto pode parecer como recomendação entusiasta e realmente é, mas também me trouxe alguns problemas.

Eu sempre tive uma memória fotográfica quando se referia a certas coisas e agora, mesmo que eu não tenha nenhum outro problema de memória, minha memória fotográfica sumiu junto com os meus problemas de estômago.

Eu sou um editor de ficção científica e escritor de estórias de horror que recebeu pequenos elogios da crítica especializada (meu trabalho foi publicado em revistas como Analog Science Fiction and Fact, Blood Moon Rising, Skeptical Inquirer, etc) e minha capacidade de escrever foi bloqueada imediatamente ao entrar na dieta.

Eu também tinha uma patente de invenção na área médica e também trabalhava numa série de outros projetos quando descobri para minha surpresa, que não podia liberar minhas invenções sem que as revisasse, pois precisava refiná-las. A abundância de criatividade que já experimentei, secou, embora não tenha se esvaído completamente.

Igualmente interessante, descobri que é um pouco mais dificil ler do que antes das mudanças. Sempre fui um leitor ávido, tenho cerca de 4.000 livros em minha casa e hoje leio um pouco mais devagar do que antes e as vezes me vejo tropeçando em palavras. Não é como dislexia e nem fiquei analfabeto repentinamente, também não tenho difuculdades para ler, só fiquei um pouco mais lento.

Me parece que eu não posso ter as bençãos do autismo sem os problemas que vem junto com ele.

Algumas coisas permaneceram as mesmas. Eu ainda tenho os mesmos problemas para interpretar a linguagem corporal e ainda tenho dificuldades em mostrar a diferença entre uma piada amigável ou um insulto pessoal.

Eu poderia com certeza voltar a minha dieta antiga, mas não acredito que voltarei. Eu tenho gostado muito mais da minha vida e me sentido muito menos sozinho e desamparado quanto me sentia.

Eu realmente acredito que se tivesse seguido essa dieta desde a minha infância, eu teria sido muito melhor na escola e ido mais longe na vida do que fui.

Eu continuo aspie, mas ficou mais fácil me passar por normal (o que quer que isso seja!).

Espero que isso ajude,
Com carinho,
Kevin Levites

Esse relato foi publicado na revista Autism File nº 29 e traduzido por Claudia Marcelino, moderadora do Autismo Esperança e mãe de Maurício, 17 anos - RJ

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Brincando com os coleguinhas

Peu começou a freqüentar a escola desde que tivemos o primeiro alerta sobre o seu autismo (setembro/2006), optamos por colocá-lo na mesma escola que sua irmã Mariana (9 anos), pois fica próxima a nossa residência e lá sempre tivemos um bom relacionamento com a direção e com as professoras. A nossa intenção de colocá-lo tão cedo na escola estava mais no interesse da obtenção de interação social com outras crianças que aquisição de qualquer habilidade cognitiva.

No início ele evitava a sala de aula preferia se isolar na quadra de esportes ou no parquinho, a professora conseguia com algum esforço levá-lo a sala, porém era difícil fazê-lo participar de qualquer atividade. Com freqüência éramos chamados para buscá-lo por conta de seu sono que sempre vinha no meio da tarde e não tinha nada que conseguisse mantê-lo acordado, ele costumava ficar até uma semana sem ir para escola por conta deste sono fora de hora em que dormia durante as tardes e ficava acordado até altas horas da madrugada. Essas ausências por longos períodos faziam com que todos os progressos conseguidos em sala de aula fossem perdidos e a cada semana tínhamos que começar tudo de novo.

Tudo começou a mudar a partir de maio deste ano (coincidentemente semanas após o início da dieta SGSC). Seu sono normalizou-se e com isso começou a freqüentar a escola diariamente, começou a participar das atividades propostas pela professora, parou de fazer birra para ir a escola, muito pelo contrário vai sorrindo e feliz, e o que estamos achando mais importante: está começando a interagir com os coleguinhas.

Nesta segunda-feira tivemos uma grande novidade, ao chegar à escola para levá-lo para casa encontrei a professora Loara toda feliz e entusiasmada, ela dizia: - Marcelo você não vai acreditar no que aconteceu hoje, Pedro brincou de roda com os coleguinhas, brincou de pique e ainda por cima correu atrás dos meninos com uma alegria que você precisava ver. Eu fui logo perguntando: - E aí, filmou este momento raro? Ela disse que chegou a procurar pela câmara filmadora da escola e disseram que estava quebrada, contudo, não se fez de rogada chamou duas testemunhas para assistir a cena: a Pró Letícia (Diretora da escola) e a Pró Isabel. Todas ficaram surpresas e contentes com mais este avanço de Peu, eu então não me contive de tanta alegria, saber que meu filho está começando a interagir com outras crianças me deixa mais confiante dos seus progressos e mostra que os esforços de todos para a melhora de sua interação social tem dado bons resultados.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Comportamento autístico por um Asperger

ELIMINAR O COMPORTAMENTO AUTÍSTICO NÃO CURA O AUTISMO
Eliminating Autistic Behavior Does Not Cure Autism – Kris Brink (Fev/01)
Fonte : www.themestream.com
Tradução de Mônica Accioly

Acontece de vez em quando. Você encontra alguém que acredita existir cura para o autismo. Uma cura simples. Esta cura seria na verdade como a cura de muitas doenças. Você eliminaria o que é autístico como se fosse um câncer, removendo o tumor.

O que o mundo vê no autismo e, o que é sem dúvida autista, é o comportamento. Se o autismo fosse como um câncer, os comportamentos inadequados seriam o alvo do tratamento, seriam eliminados e, pronto, acabou o autismo. Esse enfoque funcionou muito bem para um defeito que eu tinha no coração. Fui operado e agora ele trabalha melhor do que nunca. Entretanto, minha doença cardíaca não era pervasiva. Ela existia independente dos meus outros aspectos. Embora eu soubesse que a doença poderia matar-me a qualquer momento e, de alguma maneira, isso influenciava a minha personalidade e o meu comportamento, ser portador da síndrome de Asperger, influencia diretamente toda a minha vida. Eu entendo que o desejo de eliminar todos os comportamentos autísticos derivam provavelmente de uma falta de compreensão destes comportamentos, combinada com o desejo de que as pessoas tenham uma vida feliz. O que não ocorre a algumas pessoas, é que essas duas coisas necessariamente não se excluem.

Muitos comportamentos que ocorrem no autismo são estressantes para quem os presencia, sendo alguns até mesmo perigosos para o indivíduo. Comportamentos graves de auto-agressão não podem ser permitidos. Estes comportamentos precisam ser trabalhados e modificados.

Alguns dos comportamentos “alvos” do enfoque “eliminação como cura”, são benignos. Muitos têm propósitos importantes. Se a pessoa que se sente atraída por este enfoque, olhar além daquele motivo já conhecido, desejar o melhor para a criança, pode descobrir que o motivo real é fazer com que a criança não pareça autista. Eu posso compreender isto. O mundo é cruel com aqueles que são diferentes. E as razões são muitas vezes fortuitas. Por ter Asperger, já haver sido hospitalizado por grave episódio de depressão, e trabalhar com crianças com necessidades especiais, já vi e ouvi uma quantidade impressionante de crueldades neste mundo. Eu ia dizer que já vi de tudo, mas infelizmente isso pode não ser verdade. Como alguém talvez ainda me surpreenda com alguma nova frase ou atitude, é melhor eu continuar na defensiva.

Não importa o quanto eu discorde deste enfoque de “cure o autismo eliminando o comportamento autístico”, eu tento ser gentil com as pessoas que acreditam nele. Se eu não sou, peço desculpas, sei que preciso discuti-lo calma e racionalmente.

Se você pedir a uma pessoa que tem pouco conhecimento sobre o autismo para descrevê-lo, ela provavelmente descreverá alguns daqueles movimentos conhecidos como “stims” (comportamentos auto-estimulatórios). O balançar, o abanar das mãos, movimentos que chamam tanto a atenção que são lembrados mesmo por pessoas que não convivem com o autismo.

Às vezes estes comportamentos realmente atrapalham o aprendizado de novos comportamentos e, talvez eu pule esta questão colocando uma pergunta feita por um professor de psicologia comportamental. Ele trabalhava numa escola com uma criança autista. O objetivo era eliminar os comportamentos autísticos que comprometiam seu aprendizado e dificultava sua aceitação pelos colegas. O programa levou muitos anos e foi considerado um sucesso. O único problema foi que um dia, o professor viu o menino num canto, muito entretido em abanar as mãos. Ele colocou a pergunta para a nossa turma : essa criança ainda é autista?

Essa turma era estritamente comportamental e não seriam tolerados modelos de outras áreas. Então, não podíamos dizer que, se a estrutura de seu cérebro não havia mudado, ele obviamente continuava autista. Nem podíamos abordar nenhum outro ponto de vista não-comportamental. A turma concluiu que se o problema de comportamento havia sido eliminado no local desejado, a sala de aula, o autismo dele poderia ser considerado curado. E agora ele sabia encontrar um outro lugar para seus comportamentos autísticos. O professor que nos contou esse caso não era do tipo que diz a resposta certa. Ele gostava de deixar você pensando.

Como minha mente é autística, esta pergunta nunca me abandonou. É claro que eu sei que o menino continua tão autista quanto antes, mas eu fico pensando em todas as possíveis possibilidades para ele. Será que ele se ressentiu das intervenções que objetivaram fazer dele o que não era? Quando ele procurou aquele canto para balançar as mãos, será que sentiu vergonha de não ser normal, ou isto foi um desafio? Será que ele percebeu que estava certo ser autista e tinha o direito de fazer o “stim”? Será que hoje ele é rico e pode ter um quarto todo equipado para todos os tipos imagináveis de auto-estimulação? As possibilidades são infinitas. Minha habilidade em perseverar nessa questão por doze anos tem intrigado a mim mesmo.

O que esse caso demonstra é que há uma necessidade para os comportamentos auto-estimulatórios. Muitos dos adultos com quem converso na internet, os quais são muito bem sucedidos, estão entre os campeões da auto-estimulação.

Na minha própria vida, circulando por aí, eu tenho tentado ser discreto nos stims. Sempre gostei muito do modo como se pode brincar com luz e sombra. Com uma simples inclinação de cabeça ou do relógio, posso me acalmar e até ficar feliz. Para mim, uma das bençãos do autismo é ver a beleza em lugares onde nenhuma outra pessoa pensou em procurar. Porém, quando me deixo levar pela beleza dessas coisas, sem dúvida, pareço totalmente idiota. Tenho um amigo que descreve esses lapsos como “ter um momento autista”. Embora isso não signifique que, para nós, haja momentos que não sejam, mas que existem aqueles que deixam claro para todos que não compartilhamos a mesma realidade.

Como não vivemos num mundo onde existe uma aceitação incondicional, freqüentemente precisamos passar por “normais”. Como eu já sei que tal coisa vai ser estressante e que eu talvez não consiga, tenho que me permitir um pouco de stims confortantes, que me aliviem da pressão antes que eu precise de uma dose (de stims) maior. Do tipo que seria menos complicado se feito em casa. Grandes balanceios, brincar com a luz, deixar que sua cabeça bata na lateral do ônibus para sentir a vibração maravilhosa que percorre todo o seu corpo, tudo isso atrai olhares. O que leva a mais estresse. E a uma maior necessidade de stims. Se eu me percebo na direção de maiores stims, em situações em que eu não deveria estar estressado, eu tento parar. Embora considere a probabilidade de estar sob mais pressão do que imaginava.

Eu carrego objetos auto-estimulatórios para momentos como estes. Eu facilmente me reconforto com as certezas matemáticas, então uma calculadora pode me ajudar a parecer normal, quando na verdade me envolvo em complicados jogos com números. Muitos aparelhos eletrônicos permitem que escapemos do mundo de uma forma aceitável. Eu já usei headphones ligados ao meu bolso e não a um walkman, porque assim as pessoas desculpam minha falta de atenção e eu não tenho que ouvir música. Ninguém nunca notou que não havia nada no meu bolso.

Eu não me balanço apenas para me acalmar. Balanço por felicidade, ou se algo é engraçado, ou se eu estou muito concentrado. O que é constante para a maioria dos meus stims é que lidam com o excesso. Seja de felicidade, estresse, concentração, tristeza etc.

Stims têm um outro objetivo que talvez seja difícil entender de fora do autismo. Nós precisamos continuamente nos assegurarmos que certas partes de nós de fato existem. Pode ajudar se movermos o corpo muitas vezes. Às vezes alguns dos meus comportamentos auto-agressivos têm esta causa, embora eu esteja sempre procurando substituí-los. Pode ser difícil, mas tente imaginar o medo que se origina da sensação de que nada separa você do caos do mundo. É claro que você vai procurar maneiras de checar se você continua como você imagina que é.

Eu passei por uma fase em que fui tolo o bastante para pensar que havia superado o pior. Não percebia como certas coisas que eu fazia para me sentir “seguro” eram para auto-controle. Cognitivamente eu posso dizer as medidas exatas do corpo que leva o meu nome. No entanto, algumas partes de mim ainda precisam certificar-se que existem limites adequados. Só assim posso me sentir bem. Ainda vou escrever mais especificamente sobre isso.

Então, quando você organiza um plano de tratamento para sua criança, ou se você mesmo é um adulto, tente ter em mente o seu objetivo. Lembre-se que eliminar o comportamento autístico pode significar eliminar um mecanismo de ajuste. De fora do autismo, é fácil pensar que é absurdo que estes comportamentos tenham valor, mas eles têm. Pode acreditar que eu muitas vezes desejei que não fosse assim. Teria evitado muitos olhares desagradáveis que recebo. Trabalhe com os comportamentos que estão presentes. Se você não aderiu ao modelo da eliminação, você talvez transforma algo que parece autístico num comportamento mais aceitável socialmente, ou quem sabe, até útil.

Minha maior preocupação quando falo a pessoas que verdadeiramente acreditam que eliminar o comportamento autístico é necessário e esta é a cura, reside no fato de que existe muita dor e vergonha envolvidas.

A criança não sabe que o que ela faz é que desgosta seus pais. Para ela, deve ser ela mesma. Quando quase tudo o que você faz causa desprazer, você rapidamente conclui que você é que não presta e causa vergonha. Sei, por experiência própria, que é necessário muito mais tempo pare desfazer esta idéia do que foi para criá-la.

Quando você encontrar sua criança balançando-se embaixo de uma mesa, brincando com a luz e parecendo feliz, tenha esperança. Não de que você possa eliminar esse comportamento, mas de que talvez um dia , ela possa mostrar a você a beleza que ela vê. Há muita beleza no autismo, basta que você procure melhor.

Extraído do site da ONG Associação Mão Amiga

domingo, 21 de setembro de 2008

Recuperado do autismo - Raun Kaufman


Vídeo com entrevista do Raun Kaufman ao Canal Fox News contando como seus pais o recuperaram do autismo e apresentando o Programa Son-Rise.

Legendas em Português.

Informações sobre o Programa Son-Rise no Brasil visite o site Inspirados pelo Autismo


sábado, 20 de setembro de 2008

Crianças autistas aprendem quando brincam

A especialista Bryna Siegel destacou esta quinta-feira (15/05/2008), no Porto, a importância da brincadeira para a aprendizagem das crianças autistas, que aprendem "com maior facilidade, se estiverem em contato com objectos que gostam", noticia a agência Lusa.

Bryna Siegel, autora do livro "O mundo da criança com autismo - Compreender e tratar perturbações do espectro do autismo", caracterizou o comportamento dos autistas e apresentou várias técnicas que os pais e educadores podem implementar durante a aprendizagem das crianças.

"Sem a brincadeira, não há bases para a aprendizagem. Embora as crianças autistas não brinquem com os brinquedos da mesma forma que as outras crianças, aprendem com maior facilidade, se estiverem em contacto com objectos que gostam", afirmou Bryna Siegel, especialista em autismo, da Universidade da Califórnia.

Bryna Siegel relatou uma situação em que uma criança normal brinca com um caminhão, enquanto uma criança autista "coloca todos os caminhões numa fileira simétrica e analisa cada detalhe do brinquedo".

De acordo com Siegel, através da repetição das palavras e da pronúncia feita num tom de voz mais elevado, as crianças com deficiência social podem aprendem os nomes das cores, dos números, das partes do corpo, horas e datas.

Bryna Siegel disse ainda que os autistas compreendem "mais facilmente substantivos do que os verbos, porque fazem a relação com as coisas que vêem" e que os educadores devem utilizar fotografias para levá-los a pensar sobre o objeto.

Siegel explicou que a criança autista tem a tendência a não estar consciente dos sentimentos das outras pessoas e apresentam problemas de comunicação.

"Embora as crianças não falem, podem fazer-se entender. Conseguem brincar e relacionar-se com crianças normais e com as que falam outras língua, através da linguagem não-verbal", afirmou a investigadora.

Referiu também que "a criança autista é capaz de compreender que um sorriso e um aceno de cabeça podem ter significados positivos, que remetem a uma ação correta".

"Mas a criança que não compreende o gesto, não compreende o funcionamento da mente, por isso nem sempre pede ajuda porque não têm consciência de que os outros conseguem interpretar o mundo à sua volta", frisou Siegel.

Bryna Siegel é diretora da Clínica para o Autismo e professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia, em São Francisco.

O seu projeto mais recente, Jump Start, consiste num "modelo para ajudar crianças com autismo a aprenderem a aprender e ajudar os pais a integrarem serviços da escola e da casa".

Notícia extraída do jornal on-line IOL Diário Portugal

Autismo: método de sucesso chega a Portugal

Técnicos dedicam 25 a 40 horas por semana a cada criança, durante dois anos
Paula Lagarto, da Agência Lusa

Duas em cada cinco crianças autistas podem ultrapassar esse diagnóstico através de um método norte-americano de Análise Comportamental Aplicada, que será utilizado a partir do final do mês numa escola perto de Almada, escreve a Lusa.

Partindo da sua experiência de pai à procura de respostas, Carlos França conheceu no Natal de 2007 a escola ABC Real, localizada em Sacramento (Califórnia), e quase sete meses depois vê um desejo concretizado: aplicar em Portugal o método ABA (Applied Behaviour Analysis).

"No início do diagnóstico do meu filho houve um período de desorientação e procura de informação para descobrir algo. Nos Estados Unidos disseram-me que a altura ideal para uma intervenção teria sido aos 2 anos e meio/quatro", contou à Agência Lusa Carlos França.

Mesmo ultrapassada a "época de ouro", já que o filho tinha 9 anos e sabendo que não iria aproveitar os resultados do método a 100 por cento, este pai percebeu que poderia beneficiar outras crianças portuguesas e decidiu fundar uma escola para autistas e doentes com síndrome de Asperger.

A desembolso de mil euros mensais afastou alguns interessados, mas ainda assim este custo fica muito aquém do valor real por a escola norte-americana não cobrar pelos seus serviços fora da Califórnia e o Colégio Campo de Flores, onde funcionará a escola, ceder gratuitamente uma sala, explicou Carlos França.

Por isso, no futuro os entusiastas nacionais do ABA querem fazer crescer a experiência-piloto e angariar apoios, também para fazer diminuir os encargos dos pais.

A primeira escola de ABA na Europa Continental vai juntar 10 famílias, oriundas de vários pontos do país, tendo uma delas trocado Coimbra pela Sobreda da Caparica.

"Foi só com a boa vontade dos pais que foi possível trazer este método para Portugal, mas isso é também o mais importante, porque o Estado é lento a auxiliar", reforçou o presidente da escola "mãe" ABC Real, Joseph E. Morrow.

O ABA passa por integrar habitualmente crianças durante dois anos, mas o tempo de intervenção depende da gravidade dos problemas que afetam cada criança.

Resultados espetaculares

Comum é o trabalho intenso de 25 a 40 horas semanais de um técnico para cada criança, que pode levar a "resultados espetaculares" e fazer com que 40 por cento das crianças deixem de ter características autistas, segundo o norte-americano.

Todas as crianças autistas têm problemas de comunicação e metade não verbaliza, por isso o método ABA começa por ensinar os mais novos a pedirem aquilo que querem e necessitam, de forma a conseguir mais tarde integrá-los no ensino regular.

Aos pais, Joseph E. Morrow aconselha a estarem atentos a déficits na comunicação, a perceberem se as crianças apontam para o que querem e se os olham nos olhos, porque caso contrário poderão ter problemas de autismo.

"As crianças parecem ser surdas por não darem atenção", acrescentou à Lusa o norte-americano, referindo ainda que os pediatras não devem desvalorizar alguns sinais e dizer apenas que os problemas serão ultrapassados.

"Costuma lembrar-se que o Einstein começou a falar aos quatro anos. Mas como nos Estados Unidos, tal como em Portugal, há o ditado: mais vale prevenir que remediar", concluiu.

Notícia extraída do jornal on-line IOL Diário Portugal

sábado, 13 de setembro de 2008

Quais as causas do autismo?

As causas do autismo ainda estão por ser esclarecidas completamente.

As evoluções na pesquisa científica têm vindo a apontar para o fato de poderem existir diversas causas, algumas presentes, outras não, em determinada pessoa:
  • Parece existir uma pré disposição genética que pode dar origem ao aparecimento de autismo.
  • Alguns fatores pré e peri natais podem igualmente ter um papel determinante.
  • Pode haver uma conjunção entre o potencial genético e o meio ambiente (ex: infecções virais; exposição a determinados componentes do ambiente; desequilíbrios metabólicos).
  • Uma causa conhecida reúne o consenso: o autismo é causado por anomalias nas estruturas e funções cerebrais.

Causas Sociais do Autismo?

Uma das primeiras conclusões a que se chegou no início das investigações acerca das causas do autismo foi a de que não existe qualquer influência entre os estilos parentais, as características sociais de uma família (ex: cultura ou rendimento) e a manifestação de autismo.

Assim:

Em todo o mundo, o autismo manifesta-se de forma independente da raça, cultura, educação ou classe social dos indivíduos.

Estrutura e Funções Cerebrais

  • Muitos bebês que desenvolveram autismo tiveram um momento de crescimento atípico/ acelerado do cérebro e perímetro cefálico.
  • Alterações no nível de determinados neurotransmissores são frequentemente detectadas em crianças e adultos com autismo (ex: serotonina).
  • Técnicas de imagem cerebral mostram que as pessoas com autismo ativam diferentes áreas de processamento cerebral quando desenvolvem uma tarefa.
  • Foi encontrada uma diminuição do número de neurônios da amígdala – uma região do cérebro relacionada com o medo e a memória.

    Sabemos hoje que o autismo:
  • É mais frequente em indivíduos do sexo masculino - 4:1.
  • Há maior probabilidade de se manifestar em irmãos gémeos de pessoas com autismo.
  • Parecem existir “genes candidatos” (ou segmentos irregulares do código genético), em diferentes cromossomos que poderão transmitir uma predisposição para o autismo.

O autismo tem um padrão de transmissão genética complexo e “multifactorial”.

Não há uma transmissão genética direta da doença, não se conhece um conjunto circunscrito de cromossomos ou genes que possam ser responsáveis pela manifestação de autismo.

Fatores pré e peri natais

  • Existe um risco acrescido de manifestar autismo, em crianças cujas mães contraíram rubéola na gravidez, ou foram expostas a determinadas substâncias tóxicas.
  • Crianças com desequilíbrios metabólicos e outras condições clínicas (x-frágil; esclerose tuberosa; e fenilcetonúria não tratada), estão em maior risco de manifestar autismo.
  • Foram feitas investigações acerca da influência de substâncias tóxicas na manifestação de autismo (ex: doença celíaca, determinadas alergias ou intolerância a metais com o chumbo) (ex: não parece haver influência da vacina tríplice na manifestação de perturbação autística), no entanto nenhuma relação direta foi estabelecida. Esta é uma área onde é necessária mais investigação.

Interação: potencial genético/ ambiente

Parece haver uma interação determinante entre o potencial genético de uma criança e as condicionantes do meio ambiente.

É como se nascêssemos com o potencial para desenvolver uma síndrome autística, mas tal só iria acontecer se estivéssemos em contato com determinados fatores no ambiente que agiriam como um gatilho, desencadeador do AUTISMO.

Extraído de material da APPDA Lisboa

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Pesquisa sobre Dieta e Autismo

Pesquisa sobre Dieta e Autismo vai realizar uma investigação sobre os alimentos que podem afetar o comportamento autista

ScienceDaily (9 Agosto, 2008)

Pesquisadores da Universidade do Texas Health Science Center em Houston se lançaram em uma das primeiras pesquisas duplo-cego, estudos clínicos para determinar se glúten e os produtos lácteos desempenham um papel no comportamento autista como os pais têm anunciado.

O estudo-piloto é um dos sete atuais estudos sobre autismo, do Departamento de Pediatria e do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade do Texas Medical School em Houston. "Há muita desinformação, por isso este estudo é tão importante", disse Fernando Navarro, MD, professor assistente de pediatria da escola médica e líder investigador do estudo. "Centenas e centenas de pais pensam que isto funciona, mas nós necessitamos de sérios indícios".

Autismo é uma complexa desordem neuro-comportamental ligada a anormalidades cerebrais precoces no desenvolvimento. De acordo com o Instituto Nacional de distúrbios neurológicos e AVC, isto afeta até seis de cada 1000 crianças e é caracterizada por imparidade de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal, incomuns movimentos repetitivos ou severamente limitadas nas atividades e interesses.

Os pesquisadores descobriram que existem diferenças no sistema nervoso central, em função da anatomia entre aqueles com diagnóstico de autismo, mas a causa da doença ainda é desconhecida. Especialistas teorizam que pode ser uma combinação de genética e do meio ambiente. "Muitas das crianças com autismo têm problemas gastrointestinais como constipação e diarréia. Se estes problemas estão relacionados com o desenvolvimento cerebral é uma questão em aberto", disse Katherine Loveland, Ph.D., co-investigadora e professora de ciências comportamentais e psiquiatria, pediatria e ciências biomédicas em centros de saúde. "Há neuroreceptores e neurotransmissores na flora intestinal que correspondam às do cérebro. Há algumas razões científicas para pensar que algumas crianças podem se beneficiar deste regime alimentar. "

Para o estudo duplo-cego, financiados na sua fase inicial até suplementação de novos fundos concedidos pelo Departamento de Pediatria, os pesquisadores irão matricular 38 crianças autistas idades de 3 a 9. Eles irão analisar a influência das proteínas do leite e do glúten, em função do intestino. Glúten é uma proteína de trigo; caseína e o soro de leite são proteínas do leite. Caseomorfina, um peptídeo no secor do leite, e gliadomorfina, um peptídeo em glúten, acredita-se que estão relacionada às mudanças no comportamento destas crianças. As crianças serão retiradas glúten e produtos lácteos antes das quatro semanas de estudo e, depois, metade vai ser alimentada com glúten / leite em pó e outra metade será dado um placebo em pó.

Pesquisadores vão estudar a permeabilidade intestinal (leaky gut) através da urina e de comportamento através da coleta de testes psicométricos.

Co-investigadores para o estudo são J. Marc Rhoads, MD, professor e diretor de gastroenterologia na escola médica, e Deborah A. Pearson, Ph.D., professor de psiquiatria e ciências comportamentais. As crianças serão inscritos através da UT Médicos gastroenterologia pediátrica e clínica da Universidade do Texas Mental Sciences Institute. Navarro e Rhoads sao médicos do hospitais Memorial Hermann.

Texto original http://www.sciencedaily.com/releases/2008/08/080807175440.htm
Traduzido por Ana Muniz do Grupo Autismo Esperança

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Programa Son-Rise - Inspirações para o Crescimento

1) Acredite na criança. Se você não acredita que a sua criança pode quebrar os laços das suas aparentes limitações, você nunca conseguirá inspira-la para conseguir.

2) Querer com liberdade – sem pressão ou medo. Nossa motivação para fazer o programa não vem de promessas, obrigações morais ou medo do que vai acontecer se nós não vamos fazê-lo; nossa motivação vem de nossa liberdade de participar. Toda manhã nós decidimos se vamos ou não participar do programa. Se nós queremos fazer o programa, nós vamos fazê-lo.

3) Convide. Utilize atração e sedução para puxar a criança para dar o primeiro passo para subir a montanha (aversão nunca produz o extraordinário).

4) Persistência apaixonante. Nós queremos tudo e não precisamos de nada. Quando nós estamos felizes e não julgamos, nós estamos livres para querer algo apaixonadamente e perseguir o objetivo. Porque nossa felicidade não depende de conseguir o que nós queremos, nós podemos persistir alegremente – inabalado por aparente falha, sem frustração e sem desistir. ( Nós não só nos aproximamos das nossa crianças com esta atitude, nós somos modelo para eles copiarem.)

5) Apaixone-se e apaixone a sua criança. O fator mais importante para uma criança crescer é a sua motivação apaixonante. Nós aprofundamos nosso amor para encorajar nossas crianças a amar. Nossa paixão inspira a paixão deles.

6) Flexibilidade profunda. Quando nós temos um profundo espaço com nossa criança e a nossa criança não está envolvida em alguma coisa, nós apaixonadamente nos movemos para fazer algo diferente. Se a nossa criança se move em outra direção, deixamos de fazer o que estávamos fazendo e nos juntamos a nossa criança.

Trecho extraído do Manutal Start Up do Programa Son-Rise

Programa Son-Rise - Atitudes Fundamentais

Aderindo através de aceitação

1) Ser amado e aceito. A atitude de amar e aceitar é o fundamento sobre o qual interações e programas são construídos.

2) Não julgar. Nós não julgamos nossas crianças. Nós não dizemos que um comportamento é bom ou ruim, certo ou errado, apropriado ou inapropriado.

3) Use os três Es. Nós utilizamos Energia, Excitação (emoção) e Entusiasmo em todas as sessões.

4) Transforme-se em "um detetive feliz". Deixe de lado suposições sobre como as crianças se sentem e pensam e observe os com alta sensibilidade (atenção). Procure pistas (indicações) e sinais para nos ajudar a entender o comportamento e rotina deles, ajude-os mais, junte-se a eles e ajude-os a aprender.

5) Esteja presente de corpo e mente. Existem diferentes modelos mentais que as pessoas podem adotar. Pensar no presente e não o que foi ou o que não foi feito no passado. Sem arrependimentos do passado ou medo do futuro, é possível estar mais a vontade (confortável) com nossas crianças, mais criativo, mais divertido e disponível.

6) Seja grato por tudo que a sua criança fizer. Toda resposta e tentativa de interação, mesmo se for pequena. Faça sua gratidão visível e tangível e celebre (faça festa).

7) Felicidade é uma escolha. (Um de cada 6 anteriores são escolhas.) Nossos sentimentos não são produto de eventos externos. Eles são produtos de eventos internos – nossos julgamentos, interpretações, crenças e decisões.

Nós podemos utilizar atalhos para a felicidade e fazer disto uma prioridade!

  • Fazendo da felicidade uma prioridade!
    NOTA – Não é possível enganar ou iludir uma criança tentando mostrar sentimentos (como aceitação e etc.) que no momento não estamos sentindo. Não é útil fazer de conta que não está julgando como uma estratégia para conseguir mudanças.
  • Deixar de lado os julgamentos.
  • Estar presente.
  • Ser grato (agradecer).
  • Decidir ser feliz.
Trecho extraído do Manual Start Up do Programa Son-Rise

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Programa Son-Rise - Os pais

Os pais, a melhor fonte para a criança

A mais poderosa, dedicada e útil fonte amorosa no mundo da criança são os seus pais. Este simples fato é freqüentemente desconsiderado, mesmo desprezado, em muitas propostas profissionais.

Os “especialistas” não conhecem e não podem conhecer a criança como os pais. O contato dos profissionais com a criança é limitado, freqüentemente em simples visitas. Alguns professores treinados e terapeutas interagem com os seus jovens em grupo ou no ambiente escolar onde um instrutor e um auxiliar trabalham simultaneamente com várias crianças que freqüentemente tem diferentes deficiências. Em muitos casos, testes com resultados e a “literatura” são usados como indicadores mais importantes que informações e dicas da mãe e do pai.

No Centro Americano de Tratamento do Autismo, os pais não são apenas considerados como a mais importante fonte de conhecimento, mas é buscado um modo de colocar este poder em favor da criança. Embora o Programa Son-Rise seja centrado na criança, nós treinamos os pais para serem os mentores deles. O conhecimento, amor, interesse e cuidado durante suas vidas não pode ser equiparado à nenhum profissional que vê a criança como mais uma criança. Estes profissionais fazem o melhor que podem para você com as melhores das intenções e, certamente, podem prover assistência muito importante. Mas os pais podem fazer muito mais, porque possuem uma posição única na vida da criança.

O Instituto acredita no poder da família, o incrível potencial do lar como um ambiente amoroso, nutriente e ensinador e a melhor fonte da criança, os pais!

Trecho extraído do Manual Start Up do Programa Son-Rise

Programa Son-Rise - Workshop Avançado

Irá realizar-se nos dias 28, 29 e 30 de novembro de 2008 em Brasília um workshop avançado do Programa Son-Rise. Eu participei do workshop de introdução que aconteceu no Rio de Janeiro em março de 2008 e não vejo hora de reencontrar mais uma vez esta equipe de profissionais experiente que conhecem a fundo as necessidades de nossas crianças.

Son-Rise é uma abordagem para tratamento e educação projetada para ajudar crianças com autismo, suas famílias e provedores de cuidados. Baseia-se em alguns princípios fundamentais, entre os quais:
  • Participar ativamente de comportamentos incomuns ou repetitivos da criança na tentativa de facilitar mais a interação social.
  • Focar nas motivações e interesses da criança para facilitar a aprendizagem e aquisição de aptidões.
  • Incentivar brincadeiras interativas e usá-las para aprendizagem.
  • Manter uma atitude positiva, imparcial e amorosa em interações e expectativas.
  • Reconhecer que os pais ou provedores de cuidado são o recurso mais importante e duradouro da criança.
  • Criar uma área de trabalho/diversão segura e livre de distrações.

Essa abordagem explora os interesses da criança e o adulto interage com o que a criança faz. Baseia-se muito em entrar na realidade da criança. Sugere que as interações sociais e a aprendizagem são mais bem facilitadas por meio dos interesses da própria criança. Pede-se, sobretudo, aos terapeutas que não dominem, nem controlem as brincadeiras e as interações. A terapia começa na sala de jogos, preparada segundo diretrizes específicas e necessariamente tranqüila e decorada sem cores fortes e excesso de elementos. A abordagem reconhece que a ansiedade da criança autista inibe a interação e a aprendizagem, e que os ambientes e as atividades que a minimizam facilitam melhor a aprendizagem. Na maioria das vezes, os terapeutas serão pais e voluntários treinados em cursos especiais.

Ainda estou preparando o quarto de brincar, contudo, usamos diariamente com Peu os conceitos aprendidos no curso e estamos obtendo ótimos resultados.

Maiores informações sobre o workshop pode ser vista no site http://www.inspiradospeloautismo.com.br

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Idéias para ajudar na comunicação

Figuras e fotografias

Para ensinar crianças a se comunicarem, temos que ajudá-las a entender que palavras, figuras e símbolos têm significado. O processo inicial é ensinar a associação entre figuras e objetos, que pode ser feito com jogos nos quais se nomeiam objetos. Depois, pode expandir-se para atividades, inicialmente usando-se ações reais (por exemplo, beber no copo) e, então, o abstrato (por exemplo, fingir que bebe no copo). Assim, pode-se usar a figura de um copo para expressar a necessidade de beber. Depois que se aprende essa etapa, pode-se acrescentar mais figuras.

Há dois modos de se usar figuras mais sistematicamente: o sistema de comunicação por troca de figuras para melhorar a comunicação e o horário visual, o qual emprega uma série de figuras para explicar uma seqüência de eventos futuros. Constata-se que ambos são de grande utilidade para muitas crianças. Algumas talvez não atinjam esse estágio, mas ainda assim recebem ajuda com o uso de cartões isolados para indicar que o farão a seguir.

Objetos

No início, algumas crianças acham dificílimo entender a ligação entre figuras e atividade. Nesse caso, é melhor começar usando-se um objeto real, talvez mostrando sapatos para indicar que a criança logo sairá. Ela pode comunicar a necessidade de beber alguma coisa colocando o copo sobre a mesa.

Os pais talvez queiram ajudar o filho a encontrar o caminho mais adequado para buscar ajuda. Por exemplo, podem usar uma técnica denominada “modelagem”.

Usar linguagem simples

Em geral, nossa linguagem é muito complicada para crianças com autismo. Muitos pais ficam perplexos ao descobrir o volume de complexidade da linguagem que usar ao assistirem a si próprios em vídeo, quando estão em casa com o filho. É mais útil manter frases curtas e o vocabulário simples. Usar primeiro o nome da criança e ater-se a verbos e substantivos simples pode fazer maravilhas em alguns casos: “George, dê o livro à mamãe” é mais eficaz do que: “Por favor, poderia me passar o livro?”

Contato frente a frente

Crianças reagem melhor se nos aproximamos delas e as olhamos no olho. É assim com todas as crianças, mas é muito importante para aquelas com autismo. Como ela praticamente não lançam mão do contato visual, é tentador achar que não é importante. Contudo, talvez nunca o aprendam se não vivenciarem regularmente.

Dar tempo para as respostas

Crianças com autismo costumam ter problemas de processamento da linguagem. Demoram mais para entender o que os outros dizem. Portanto, é importante dar-lhes mais tempo do que o normal para ouvirem, entenderem e descobrirem como responder. Deve-se falar mais devagar e esperar mais tempo pela resposta. Alguns pais ficam perplexos ao perceberem a diferença que essa atitude causa.

Computadores

Às vezes crianças com autismo reagem bem às informações em uma tela de computador. Há muitos jogos e programas didáticos no mercado. Chegou-se a se pensar que o uso de computadores levaria as crianças a desenvolverem automaticamente obsessões com essas máquinas e, assim, reduziria seu contato social. Na verdade, o uso de computadores costuma ajudar a incentivar a comunicação porque motiva muitas crianças, que se dispõem a pedir ajuda e compartilhar seu entusiasmo. Contudo, é importante proporcionar várias atividades alternativas e ter cautela quanto ao tempo que a criança passa exclusivamente brincando com o computador, pois o desenvolvimento de obsessões é uma realidade.

Usar o interesse e as aptidões da criança

Use os interesses e as aptidões de seu filho para ajudar seu desenvolvimento. Se ele é interessado em marcas de carro, por exemplo, tente criar jogos com elas para que seu filho denomine-as ou as relacione com palavras ou símbolos.

Trecho extraído do livro Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger.