domingo, 12 de outubro de 2008

Einstein e Isaac Newton eram autistas, afirmam cientistas britânicos

Por Cassiano Sampaio

O Princípio da Gravitação Universal e a Teoria da Relatividade podem ser frutos do intelecto de dois autistas. Dois grandes gênios da ciência, diga-se de passagem, Albert Einstein e Isaac Newton, possivelmente sofriam da síndrome de Asperger, uma forma amena de autismo, segundo notícia divulgada pela Reuters esta semana e publicada no Journal of the Royal Society of Medicine, da Inglaterra. O distúrbio foi descoberto pelo médico austríaco Hans Asperger em 1944, e ocorre em função de um problema de desenvolvimento cerebral que causa deficiências nas faculdades sociais e de comunicação, assim como obsessão. Entretanto a SA não afeta o aprendizado, nem o intelecto. Muitos portadores dessa síndrome possuem talentos ou habilidades extraordinárias.

Os pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Oxford, estudaram as personalidades e a biografia de Einstein e Newton.


Isaac Newton é nitidamente um caso clássico da síndrome de Asperger. Não falava e esquecia de comer, tamanho seu envolvimento com o trabalho. Começou a desvendar a lei da gravidade aos 23 anos, era um sujeito distante, de poucas palavras, e freqüentemente tinha acessos de mau humor. Desde a infância, quando se apaixonava por um tema, ele o fazia com tanta intensidade que se impunha longos períodos de solidão para estudá-lo. Outros traços da síndrome de Asperger, o desleixo com a aparência e a mania de reescrever até vinte vezes os seus estudos, sem fazer quase nenhuma alteração de uma cópia para outra.


No caso de Einstein, que formulou a teoria da relatividade aos 26 anos, os sintomas também seriam claros. Quando criança, ele costumava repetir a mesma frase durante horas e estava sempre sozinho. Mais tarde, na Universidade de Princeton, adotou uma rotina curiosa. Fizesse chuva ou sol, todos os dias, ele e seu único amigo (um matemático neurótico chamado Kurt Göbel) saíam para passear depois de se telefonarem pontualmente às 11 horas. Einstein, assim como Newton, também tinha uma maneira peculiar de vestir-se. Ele mantinha sete ternos idênticos.

A maioria dos autistas que chegam a universidade possuem a SA e tem um Q.I normal ou acima da média. A fala desenvolve-se normalmente, existe a inversão pronominal, a linguagem é repetitiva, existe a falha em entender regras que controlam a conduta social, fazem uso de temas repetitivos, as preocupações são intensas, possuem muita originalidade e criatividade. Uma citação de Isaac Newton sobre como revolucionou os princípios físicos, matemáticos e astronômicos, representa sua personalidade: "Se enxerguei além dos outros é por que estava no ombro de gigantes."

Texto extraído do site SHVOONG

Espelhos da mente

Qual é a semelhança entre um elefante vaidoso, um camundongo camarada e um macaco pidão, e por que nos arrepiamos quando olhamos alquém que se cortou?

Recentemente, foi mostrado que elefantes possuem a curiosa capacidade de se reconhecerem quando em frente a espelhos. Também foi mostrado que camundongos sentem compaixão quando observam companheiros de gaiola sofrendo. Apesar desses estudos parecerem meras curiosidades do mundo animal, eles revelam que certos animais, assim como os humanos, possuem um certo nível de auto-consciência. Mas onde entram o macaco pidão e o arrepio ao vermos alguém que acaba de se cortar?

Graças a uma descoberta feita sem querer por cientistas italianos da Universidade de Parma em 1996, o grupo de neurônios responsável por reconhecer outros indivíduos, interpretar suas ações e expressões e se relacionar com eles - os chamados neurônios-espelho - foi identificado. Giaccomo Rizzolatti e seus colaboradoes em Parma estavam apenas estudando o grupo de neurônios que aumentavam a atividade quando um macaco estendia o braço para pegar uma banana, por exemplo. Eles acreditavam que estavam estudando apenas neurônios envolvidos com a atividade motora do macaco. Durante uma pausa no experimento, um dos colaboradores pegou uma banana, com a intenção de comê-la. Para a surpresa de todos os cientistas presentes naquele momento, os mesmos neurônios do macaco aumentaram a atividade, sem que o macaco se mexesse! Ou seja, os neurônios que estão em atividade quando o indivíduo executa uma ação são os mesmos que estão em atividade quando o indivíduo observa outro executando a ação. Esses neurônios foram batizados de neurônios-espelho, pois através deles conseguimos nos projetar em outros indivíduos e experimentar suas sensações.

Os pesquisadores foram ainda mais longe e mostraram que os mesmos neurônios que disparam quando somos espetados por uma agulha disparam quando vemos outra pessoa espetada por uma agulha. Em outras palavras, literalmente experimentamos a dor alheia. Mais interessante ainda, por meio de técnicas de imagem cerebral como eletro-encefalograma (EGG) e ressonância magnética (fMRI), pesquisadores mostraram que conseguimos experimentar as emoções alheias, com a mesma intensidade que vivenciamos as nossas próprias emoções.

Vários cientistas, entre eles Vilayanur S. Ramachandran, especulam que a descoberta dos neurônios-espelho é o elo perdido que ajuda a explicar por que somente o homem, entre todas as especies conhecidas, teve capacidade cognitiva suficiente para desenvolver linguagem e cultura. Ramachandran acredita que, em um momento-chave durante a evolução do homem, neurônios-espelho ficaram muito melhores (mais rápidos e mais numerosos) do que os presentes em outros animais, fazendo com que o aprendizado via observação e repetição se tornasse mais eficiente, promovendo a passagem de qualquer conhecimento adquirido diretamente de uma geração para outra (dita herança cultural), sem a necessidade de aguardar o lento processo de seleção natural darwiniana. Como já observado por Rizzolatti, esses neurônios possivelmente foram responsáveis pela imitação dos movimentos de lábio e língua que possivelmente produziu a oportunidade de a linguagem se desenvolver (é por isso que, quando você mostra a língua para um recém-nascido, ele provavelmente mostrará a língua de volta).

Outra evidência interessante é que em humanos os neurônios-espelho se localizam no córtex frontal inferior, próximo à área de Broca, considerada uma região relacionada à linguagem.

O que acontece quando os neurônios-espelho não funcionam como o previsto? Pouco se sabe sobre a regulação e participação exata dos neurônios-espelho no circuito do sistema nervoso central (afinal de contas, eles só foram descobertos há dez anos!). Entretanto, há alguns indícios de que distúrbios no sistema de neurônios-espelho podem causar problemas de socialização.

Há fortes evidências, em trabalhos cientificos recentemente publicados pelos grupos de Vilayanur Ramachandran e Marco Iacoboni, de que crianças com autismo apresentam uma disfunção no sistema de neurônios-espelho. O autismo aflige aproximadamente 0,5% das crianças nos Estados Unidos. Muitos portadores de autismo têm níveis de inteligência normal, muitas vezes até acima do normal, mas possuem sérios problemas de socialização. Os principais indicios clínicos da doença são: isolamento social, falta de contato visual, reduzida capacidade de linguagem ou comunicação e ausência de empatia.

O teste realizado pelos pesquisadores para confirmar a deficiência de neurônios-espelho nas crianças autistas foi simples e direto, e as medidas de atividade cerebral foram feitas como uso do encefalograma. Primeiramente, os pesquisadores pediram para a criança abrir e fechar a mão direita em forma de pinça e mediram a atividade de um grupo específico de neurônios. O próximo experimento foi mostrar um filme em que uma pessoa executava exatamente o mesmo movimento com a mão. Em uma criança normal, os mesmos neurônios-espelho seriam reativados. Em crianças autistas, não aconteceu a ativação. Ou seja, em crianças autistas “os espelhos estariam quebrados”.

Texto extraído do blog Espiral de Alysson Muotri

sábado, 11 de outubro de 2008

As Fronteiras do cérebro

Marco Antônio Arruda

Ler um livro em 60 minutos e reproduzir com fidelidade de 99% cerca de 12 mil livros lidos é uma habilidade de causar inveja a todos nós. E o que dizer da prodigiosa aptidão de após um vôo de helicóptero sobre o centro de Londres, apanhar um lápis e reproduzir numa tela mais de duzentos edifícios com fidelidade perfeita de escala e perspectiva.

Essas são as histórias de Kim Peek e Stephen Wiltshire, portadores de autismo e da Síndrome de Savant ou Savantismo. Essa síndrome neuropsiquiátrica foi descrita em 1887 pelo Dr. John Langdon Down (o mesmo da Síndrome de Down) ao observar habilidades mentais prodigiosas em dez pacientes portadores de autismo e lesões cerebrais das mais diversas causas. Trata-se de uma condição bastante rara, observada em cerca de 10% dos autistas, seis vezes mais freqüente no sexo masculino e caracterizada por habilidades prodigiosas dos mais variados tipos como memória, música, pintura e números.

Os cinéfilos se lembrarão das incríveis histórias de Kim Peek levadas ao cinema com o filme Rain Man (1988) do diretor Barry Levinson, estrelado por Dustin Hoffman e Tom Cruise. Muitos portadores de savantismo chegam a apresentar múltiplas habilidades, a despeito de não terem autonomia para as atividades da vida diária como comer, se trocar e tomar banho. Mas nem todos portadores de savantismo são autistas, acreditem que há casos descritos em que tais habilidades surgem após traumatismo craniano e epilepsia! Mais impressionante ainda são os achados de Allan Snyder e seu grupo da Universidade de Sydney (Austrália) que, suprimindo a atividade elétrica da região frontotemporal esquerda do cérebro (ponto localizado entre a orelha e o olho esquerdos) através de ondas eletromagnéticas, observou um desempenho expressivamente melhor dos voluntários em tarefas de leitura e desenho (Rain Man por um dia!).

Este e outros estudos indicam a possibilidade dessas habilidades estarem em todos nós, como diz Darold Treffert da Universidade de Wisconsin: "há um gênio em todos nós, persiste o mistério de como destrancá-lo". Uma outra habilidade bastante freqüente entre os portadores da Síndrome de Savant é a de dizer com rapidez impressionante qual dia da semana cairá determinada data, quer tentar? Pois bem, que dia da semana será 24 de dezembro de 2.328? Difícil? E que tal o dia 19 de outubro de 2008? Acertou, é o dia do nosso reencontro aqui na Gazeta. Até lá!

(Marco Antônio Arruda é Neurologista da Infância e Adolescência e doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo)

Texto extraído do site Gazeta de Ribeirão

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Falando de Autismo

Por Nilton Salvador*

Até pouco tempo atrás, falar de autismo era um assunto que não provocava interesse jornalístico, pois não justificava discussões nas redações, até que a partir de meados de 2005 a mídia norte americana começou a elevar as pautas da síndrome infantil para a categoria de doença, sugerindo que estava em curso uma epidemia mundial do distúrbio, aumentando a carga de preocupação sobre os conceitos existentes e indefinidos em relação às características dos portadores.

Além de não passar de mais uma enganação alarmista para pais e responsáveis precariamente informados sobre o autismo em nosso país, onde ainda não há órgãos oficiais de saúde para cuidados específicos, sabe-se lá que interesses estariam por detrás daquelas notícias falsas, já que os índices de portadores diagnosticados no mundo, são os mesmos há mais de três décadas, e esse tempo fica bem próximo da descrição da síndrome por Leo Kanner, psiquiatra infantil da John Hopkins University em 1943.

Infelizmente no Brasil, o autismo começou a ficar mais conhecido, quando alguns políticos que surfaram nas ondas das CPIs de corrupção e imoralidade, se utilizavam dele para desqualificar o presidente da República, ministro, senador, deputado estadual, federal e personalidades, estabelecendo um adjetivo que por pouco não vira moda.

Felizmente, numa cruzada silenciosa: pais, associações, grupos de discussão na internet no mundo inteiro e movimentos pró autistas, conseguiram conter a onda, pois muitos daqueles políticos e outros que se utilizaram do autismo para caracterizar alguém com um "defeito", desconheciam a condição médica do mesmo.

Alguns profissionais da saúde em autismo ao invés de orientar, invertem situações para os pais, fazendo-os crer que o portador não se relaciona com outra pessoa que não seja igual a ele, incluindo propensões para outras síndromes especialmente na adolescência, de acordo com seu arbítrio, por falta de preparo técnico e experiência.

Enquanto isso, o autista e seus pais continuarão pagando o alto preço do seu aprendizado que deveria ter a definição da causa da síndrome vindo da escola de formação do profissional, para manter a esperança da cura de um quadro psicológico abstrato sem precedentes.

Em condições normais, nós, pais de autistas ou não, não precisávamos estar nos engalfinhando com políticos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, rogando que se altere o artigo do projeto do Estatuto do Deficiente, onde está definido o autismo como deficiência, pela expressão: transtorno global do desenvolvimento, abrangendo outras síndromes, evitando que fiquem fora da proteção da lei.

O autismo pode também ser uma proposta de educação, pois é de função pedagógica. Tudo que se faz pelo autista é orientado para educá-lo dentro dos princípios da pedagogia, não podendo ser visto como uma sina de caráter assistencialista, mas sim como uma linha reta de bom senso, merecedor de confiança.

Autistas precisam de psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas e pedagogos e adjacentes competentes, que não fiquem praticando autofagia, cada um querendo deter monopólio de saberes, mas sim aprimorando experiências até para o governo a exemplo do que acontece em outros países onde a saúde é levada a sério.

Autistas não devem ser catalogados apenas como crianças patologicamente necessitadas de apoio médico ao receberem o seu diagnóstico, e que seus pais não se deixem levar pelo imediatismo, aceitando docilmente prescrições que seus efeitos colaterais os levem do seu estado natural para situações perturbadoras.Não podemos esquecer que nossos filhos autistas ou não, só vieram através de nós. Cada autista é único, vêm com sua própria personalidade, talentos e pensamentos.

* Nilton Salvador é pai de autista, reside em Curitiba, Paraná.rosador@brturbo.com.br

Texto retirado do site SENTIDOS - Inclusão Social da Pessoa com Deficiência

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Jenny McCarthy recupera filho com autismo

Jenny McCarthy atriz e namorada do ator Jim Carrey disse que acredita que o autismo do seu filho foi desencadeado por vacinas que ele recebeu quando era um bebê - e ela ajudou a aliviar a condição alterando sua dieta.

Evan, filho de Jenny com o ex-marido John Asher, foi diagnosticado com a doença em 2005, quando tinha três anos de idade, recentemente Jenny escreveu um livro sobre o tema relatando sua experiência, "Louder than Words: A Mother's Journey em Healing Autism".

No programa de entrevistas Larry King ela disse recentemente: "Muitas dessas crianças têm Cândida, que é supercrescimento de levedura. Depois que eu limpei o intestino do Evan colocando para fora toda a Candida - e eu vou dizer isto muito claramente - ele se tornou uma criança típica". "Ele começou a falar completamente. Seu desenvolvimento social retornou. Ele está agora em uma escola para crianças típicas. Ele está entendendo tudo muito melhor. E a minha história não é a única. "

"Em 1983, o calendário de vacinas era de 10. Dez vacinas dadas. Atualmente, há 36, e um monte de gente que não sabe disso. Não acredito que as vacinas sejam a única causa para o autismo. Eu acredito que elas possam ser um gatilho. Há alguma coisa que enfraquece o sistema imunológico dessas crianças, e elas talvez não possam processar as vacinas. "

"Eu não acho que sejam exclusivamente as vacinas. Acho que são as toxinas que existem no ambiente e os pesticidas. É como uma espécie de acúmulo de fatores. Se você puder encher um balde de todas as coisas que acontecem com essas crianças, se elas tiverem um fraco sistema imunológico, claro que toda esta porcaria vai sobrecarregar ".

Notícia extraída do site
Fametastic

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Autismo infantil e Ritalina

Especialistas condenam prescrição de psicofármaco Ritalina a menores de cinco anos
Aconselhado apenas para casos extremos

Desta vez, os avisos vêm do Reino Unido. As novas linhas orientadoras ditadas pelo National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) referem que o conhecido medicamento chamado Ritalina (nome comercial do metilfenidato) usado para casos de défice de atenção e hiperactividade não deve “em caso algum” ser prescrito a menores de cinco anos e, apenas em último recurso, deve ser usado por crianças mais velhas. Em Portugal, os especialistas sublinham que a prescrição destes fármacos a crianças com menos de 5 anos abrange uma pequena minoria e situações muito especiais.

As novas directivas britânicas neste campo foram divulgadas hoje pelo diário inglês "The Guardian". Segundo este jornal, os especialistas defendem que antes de receitar Ritalina é preciso assegurar que todas as outras estratégias foram tentadas e falharam. Assim, fala-se numa aposta na formação de pais e professores para que aprendam a lidar com estas situações delicadas antes de simplesmente prescrever o medicamento que acalma a criança. Para a formação é proposto um programa de 12 semanas e apenas nos casos mais graves e como último recurso deve ser usado o psicofarmaco, sublinham. Além disso, o uso destes medicamentos, diz o NICE, deve ser sempre acompanhado de apoio psicológico.

A prescrição de medicamentos como a Ritalina sempre foi alvo de controvérsia e debate na comunidade científica. Ainda assim, há milhões de crianças em todo o mundo que parecem precisar desta medicação para resolver problemas de desatenção. Em Portugal, o problema deverá afectar entre 3 a 5 por cento da população escolar. “O manancial de experiência adquirido até hoje permite concluir que é um medicamento eficaz e seguro. Temos dados suficientes para concluir que a taxa de complicações a curto e longo prazo é muito baixa”, referiu ao PÚBLICO, o neuropediatra José Carlos Ferreira, especialista nesta área, admitindo que o fármaco pode produzir efeitos secundários já relatados como, por exemplo, palpitações e falta de apetite. “Há sempre muita vigilância nestas situações”, nota. O pediatra Pedro Cabral acrescenta: “É prescrito a muito poucas crianças com menos de cinco anos e com cuidados especialíssimos”, refere, notando que deve ser sempre investigada outra explicação para o problema como perturbações do espectro do autismo.

24.09.2008 - 20h41 Andrea Cunha Freitas
Notícia extraída do Jornal On Line Público.PT