sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Pesquisa sobre Dieta e Autismo

Pesquisa sobre Dieta e Autismo vai realizar uma investigação sobre os alimentos que podem afetar o comportamento autista

ScienceDaily (9 Agosto, 2008)

Pesquisadores da Universidade do Texas Health Science Center em Houston se lançaram em uma das primeiras pesquisas duplo-cego, estudos clínicos para determinar se glúten e os produtos lácteos desempenham um papel no comportamento autista como os pais têm anunciado.

O estudo-piloto é um dos sete atuais estudos sobre autismo, do Departamento de Pediatria e do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade do Texas Medical School em Houston. "Há muita desinformação, por isso este estudo é tão importante", disse Fernando Navarro, MD, professor assistente de pediatria da escola médica e líder investigador do estudo. "Centenas e centenas de pais pensam que isto funciona, mas nós necessitamos de sérios indícios".

Autismo é uma complexa desordem neuro-comportamental ligada a anormalidades cerebrais precoces no desenvolvimento. De acordo com o Instituto Nacional de distúrbios neurológicos e AVC, isto afeta até seis de cada 1000 crianças e é caracterizada por imparidade de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal, incomuns movimentos repetitivos ou severamente limitadas nas atividades e interesses.

Os pesquisadores descobriram que existem diferenças no sistema nervoso central, em função da anatomia entre aqueles com diagnóstico de autismo, mas a causa da doença ainda é desconhecida. Especialistas teorizam que pode ser uma combinação de genética e do meio ambiente. "Muitas das crianças com autismo têm problemas gastrointestinais como constipação e diarréia. Se estes problemas estão relacionados com o desenvolvimento cerebral é uma questão em aberto", disse Katherine Loveland, Ph.D., co-investigadora e professora de ciências comportamentais e psiquiatria, pediatria e ciências biomédicas em centros de saúde. "Há neuroreceptores e neurotransmissores na flora intestinal que correspondam às do cérebro. Há algumas razões científicas para pensar que algumas crianças podem se beneficiar deste regime alimentar. "

Para o estudo duplo-cego, financiados na sua fase inicial até suplementação de novos fundos concedidos pelo Departamento de Pediatria, os pesquisadores irão matricular 38 crianças autistas idades de 3 a 9. Eles irão analisar a influência das proteínas do leite e do glúten, em função do intestino. Glúten é uma proteína de trigo; caseína e o soro de leite são proteínas do leite. Caseomorfina, um peptídeo no secor do leite, e gliadomorfina, um peptídeo em glúten, acredita-se que estão relacionada às mudanças no comportamento destas crianças. As crianças serão retiradas glúten e produtos lácteos antes das quatro semanas de estudo e, depois, metade vai ser alimentada com glúten / leite em pó e outra metade será dado um placebo em pó.

Pesquisadores vão estudar a permeabilidade intestinal (leaky gut) através da urina e de comportamento através da coleta de testes psicométricos.

Co-investigadores para o estudo são J. Marc Rhoads, MD, professor e diretor de gastroenterologia na escola médica, e Deborah A. Pearson, Ph.D., professor de psiquiatria e ciências comportamentais. As crianças serão inscritos através da UT Médicos gastroenterologia pediátrica e clínica da Universidade do Texas Mental Sciences Institute. Navarro e Rhoads sao médicos do hospitais Memorial Hermann.

Texto original http://www.sciencedaily.com/releases/2008/08/080807175440.htm
Traduzido por Ana Muniz do Grupo Autismo Esperança

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Programa Son-Rise - Inspirações para o Crescimento

1) Acredite na criança. Se você não acredita que a sua criança pode quebrar os laços das suas aparentes limitações, você nunca conseguirá inspira-la para conseguir.

2) Querer com liberdade – sem pressão ou medo. Nossa motivação para fazer o programa não vem de promessas, obrigações morais ou medo do que vai acontecer se nós não vamos fazê-lo; nossa motivação vem de nossa liberdade de participar. Toda manhã nós decidimos se vamos ou não participar do programa. Se nós queremos fazer o programa, nós vamos fazê-lo.

3) Convide. Utilize atração e sedução para puxar a criança para dar o primeiro passo para subir a montanha (aversão nunca produz o extraordinário).

4) Persistência apaixonante. Nós queremos tudo e não precisamos de nada. Quando nós estamos felizes e não julgamos, nós estamos livres para querer algo apaixonadamente e perseguir o objetivo. Porque nossa felicidade não depende de conseguir o que nós queremos, nós podemos persistir alegremente – inabalado por aparente falha, sem frustração e sem desistir. ( Nós não só nos aproximamos das nossa crianças com esta atitude, nós somos modelo para eles copiarem.)

5) Apaixone-se e apaixone a sua criança. O fator mais importante para uma criança crescer é a sua motivação apaixonante. Nós aprofundamos nosso amor para encorajar nossas crianças a amar. Nossa paixão inspira a paixão deles.

6) Flexibilidade profunda. Quando nós temos um profundo espaço com nossa criança e a nossa criança não está envolvida em alguma coisa, nós apaixonadamente nos movemos para fazer algo diferente. Se a nossa criança se move em outra direção, deixamos de fazer o que estávamos fazendo e nos juntamos a nossa criança.

Trecho extraído do Manutal Start Up do Programa Son-Rise

Programa Son-Rise - Atitudes Fundamentais

Aderindo através de aceitação

1) Ser amado e aceito. A atitude de amar e aceitar é o fundamento sobre o qual interações e programas são construídos.

2) Não julgar. Nós não julgamos nossas crianças. Nós não dizemos que um comportamento é bom ou ruim, certo ou errado, apropriado ou inapropriado.

3) Use os três Es. Nós utilizamos Energia, Excitação (emoção) e Entusiasmo em todas as sessões.

4) Transforme-se em "um detetive feliz". Deixe de lado suposições sobre como as crianças se sentem e pensam e observe os com alta sensibilidade (atenção). Procure pistas (indicações) e sinais para nos ajudar a entender o comportamento e rotina deles, ajude-os mais, junte-se a eles e ajude-os a aprender.

5) Esteja presente de corpo e mente. Existem diferentes modelos mentais que as pessoas podem adotar. Pensar no presente e não o que foi ou o que não foi feito no passado. Sem arrependimentos do passado ou medo do futuro, é possível estar mais a vontade (confortável) com nossas crianças, mais criativo, mais divertido e disponível.

6) Seja grato por tudo que a sua criança fizer. Toda resposta e tentativa de interação, mesmo se for pequena. Faça sua gratidão visível e tangível e celebre (faça festa).

7) Felicidade é uma escolha. (Um de cada 6 anteriores são escolhas.) Nossos sentimentos não são produto de eventos externos. Eles são produtos de eventos internos – nossos julgamentos, interpretações, crenças e decisões.

Nós podemos utilizar atalhos para a felicidade e fazer disto uma prioridade!

  • Fazendo da felicidade uma prioridade!
    NOTA – Não é possível enganar ou iludir uma criança tentando mostrar sentimentos (como aceitação e etc.) que no momento não estamos sentindo. Não é útil fazer de conta que não está julgando como uma estratégia para conseguir mudanças.
  • Deixar de lado os julgamentos.
  • Estar presente.
  • Ser grato (agradecer).
  • Decidir ser feliz.
Trecho extraído do Manual Start Up do Programa Son-Rise

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Programa Son-Rise - Os pais

Os pais, a melhor fonte para a criança

A mais poderosa, dedicada e útil fonte amorosa no mundo da criança são os seus pais. Este simples fato é freqüentemente desconsiderado, mesmo desprezado, em muitas propostas profissionais.

Os “especialistas” não conhecem e não podem conhecer a criança como os pais. O contato dos profissionais com a criança é limitado, freqüentemente em simples visitas. Alguns professores treinados e terapeutas interagem com os seus jovens em grupo ou no ambiente escolar onde um instrutor e um auxiliar trabalham simultaneamente com várias crianças que freqüentemente tem diferentes deficiências. Em muitos casos, testes com resultados e a “literatura” são usados como indicadores mais importantes que informações e dicas da mãe e do pai.

No Centro Americano de Tratamento do Autismo, os pais não são apenas considerados como a mais importante fonte de conhecimento, mas é buscado um modo de colocar este poder em favor da criança. Embora o Programa Son-Rise seja centrado na criança, nós treinamos os pais para serem os mentores deles. O conhecimento, amor, interesse e cuidado durante suas vidas não pode ser equiparado à nenhum profissional que vê a criança como mais uma criança. Estes profissionais fazem o melhor que podem para você com as melhores das intenções e, certamente, podem prover assistência muito importante. Mas os pais podem fazer muito mais, porque possuem uma posição única na vida da criança.

O Instituto acredita no poder da família, o incrível potencial do lar como um ambiente amoroso, nutriente e ensinador e a melhor fonte da criança, os pais!

Trecho extraído do Manual Start Up do Programa Son-Rise

Programa Son-Rise - Workshop Avançado

Irá realizar-se nos dias 28, 29 e 30 de novembro de 2008 em Brasília um workshop avançado do Programa Son-Rise. Eu participei do workshop de introdução que aconteceu no Rio de Janeiro em março de 2008 e não vejo hora de reencontrar mais uma vez esta equipe de profissionais experiente que conhecem a fundo as necessidades de nossas crianças.

Son-Rise é uma abordagem para tratamento e educação projetada para ajudar crianças com autismo, suas famílias e provedores de cuidados. Baseia-se em alguns princípios fundamentais, entre os quais:
  • Participar ativamente de comportamentos incomuns ou repetitivos da criança na tentativa de facilitar mais a interação social.
  • Focar nas motivações e interesses da criança para facilitar a aprendizagem e aquisição de aptidões.
  • Incentivar brincadeiras interativas e usá-las para aprendizagem.
  • Manter uma atitude positiva, imparcial e amorosa em interações e expectativas.
  • Reconhecer que os pais ou provedores de cuidado são o recurso mais importante e duradouro da criança.
  • Criar uma área de trabalho/diversão segura e livre de distrações.

Essa abordagem explora os interesses da criança e o adulto interage com o que a criança faz. Baseia-se muito em entrar na realidade da criança. Sugere que as interações sociais e a aprendizagem são mais bem facilitadas por meio dos interesses da própria criança. Pede-se, sobretudo, aos terapeutas que não dominem, nem controlem as brincadeiras e as interações. A terapia começa na sala de jogos, preparada segundo diretrizes específicas e necessariamente tranqüila e decorada sem cores fortes e excesso de elementos. A abordagem reconhece que a ansiedade da criança autista inibe a interação e a aprendizagem, e que os ambientes e as atividades que a minimizam facilitam melhor a aprendizagem. Na maioria das vezes, os terapeutas serão pais e voluntários treinados em cursos especiais.

Ainda estou preparando o quarto de brincar, contudo, usamos diariamente com Peu os conceitos aprendidos no curso e estamos obtendo ótimos resultados.

Maiores informações sobre o workshop pode ser vista no site http://www.inspiradospeloautismo.com.br

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Idéias para ajudar na comunicação

Figuras e fotografias

Para ensinar crianças a se comunicarem, temos que ajudá-las a entender que palavras, figuras e símbolos têm significado. O processo inicial é ensinar a associação entre figuras e objetos, que pode ser feito com jogos nos quais se nomeiam objetos. Depois, pode expandir-se para atividades, inicialmente usando-se ações reais (por exemplo, beber no copo) e, então, o abstrato (por exemplo, fingir que bebe no copo). Assim, pode-se usar a figura de um copo para expressar a necessidade de beber. Depois que se aprende essa etapa, pode-se acrescentar mais figuras.

Há dois modos de se usar figuras mais sistematicamente: o sistema de comunicação por troca de figuras para melhorar a comunicação e o horário visual, o qual emprega uma série de figuras para explicar uma seqüência de eventos futuros. Constata-se que ambos são de grande utilidade para muitas crianças. Algumas talvez não atinjam esse estágio, mas ainda assim recebem ajuda com o uso de cartões isolados para indicar que o farão a seguir.

Objetos

No início, algumas crianças acham dificílimo entender a ligação entre figuras e atividade. Nesse caso, é melhor começar usando-se um objeto real, talvez mostrando sapatos para indicar que a criança logo sairá. Ela pode comunicar a necessidade de beber alguma coisa colocando o copo sobre a mesa.

Os pais talvez queiram ajudar o filho a encontrar o caminho mais adequado para buscar ajuda. Por exemplo, podem usar uma técnica denominada “modelagem”.

Usar linguagem simples

Em geral, nossa linguagem é muito complicada para crianças com autismo. Muitos pais ficam perplexos ao descobrir o volume de complexidade da linguagem que usar ao assistirem a si próprios em vídeo, quando estão em casa com o filho. É mais útil manter frases curtas e o vocabulário simples. Usar primeiro o nome da criança e ater-se a verbos e substantivos simples pode fazer maravilhas em alguns casos: “George, dê o livro à mamãe” é mais eficaz do que: “Por favor, poderia me passar o livro?”

Contato frente a frente

Crianças reagem melhor se nos aproximamos delas e as olhamos no olho. É assim com todas as crianças, mas é muito importante para aquelas com autismo. Como ela praticamente não lançam mão do contato visual, é tentador achar que não é importante. Contudo, talvez nunca o aprendam se não vivenciarem regularmente.

Dar tempo para as respostas

Crianças com autismo costumam ter problemas de processamento da linguagem. Demoram mais para entender o que os outros dizem. Portanto, é importante dar-lhes mais tempo do que o normal para ouvirem, entenderem e descobrirem como responder. Deve-se falar mais devagar e esperar mais tempo pela resposta. Alguns pais ficam perplexos ao perceberem a diferença que essa atitude causa.

Computadores

Às vezes crianças com autismo reagem bem às informações em uma tela de computador. Há muitos jogos e programas didáticos no mercado. Chegou-se a se pensar que o uso de computadores levaria as crianças a desenvolverem automaticamente obsessões com essas máquinas e, assim, reduziria seu contato social. Na verdade, o uso de computadores costuma ajudar a incentivar a comunicação porque motiva muitas crianças, que se dispõem a pedir ajuda e compartilhar seu entusiasmo. Contudo, é importante proporcionar várias atividades alternativas e ter cautela quanto ao tempo que a criança passa exclusivamente brincando com o computador, pois o desenvolvimento de obsessões é uma realidade.

Usar o interesse e as aptidões da criança

Use os interesses e as aptidões de seu filho para ajudar seu desenvolvimento. Se ele é interessado em marcas de carro, por exemplo, tente criar jogos com elas para que seu filho denomine-as ou as relacione com palavras ou símbolos.

Trecho extraído do livro Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger.

sábado, 9 de agosto de 2008

Dieta SGSC de Peu

Já está completando quase quatro meses do início da dieta SGSC de Peu, e já podemos observar alguns resultados positivos.

A dieta consiste na retirada dos alimentos que contém glúten (alimentos feitos com trigo: pães, biscoitos, massas em geral), caseína (leite e derivados) e alimentos industrializados que possuem aditivos químicos (como glutamato monossódico e aspartame que são nocivos até para os não autistas).

Os aditivos químicos da alimentação moderna são verdadeiros venenos para nossas crianças que devido a alterações metabólicas não conseguem detoxicar (botar pra fora) essas substâncias, enfraquecendo o seu organismo e trazendo cada vez mais comportamentos autísticos. Dê preferência aos alimentos orgânicos!

A dieta está sendo acompanhada por sua Nutricionista Dra. Efigênia Leite que criou um cardápio adaptado para compensar através de outros alimentos os nutrientes retirados (proteínas, vitaminas e minerais).

O processo foi bastante tranqüilo retiramos o glúten e a caseína de uma só vez, ele não resistiu a mudança e nem apresentou crise de abstinência, a única coisa que ele não aceitou foi o leite de soja. Encontramos substitutos para o macarrão e os biscoitos no site Sem Glúten Marilis que possui uma linha de produtos sem glúten bem variada.

Benefícios da dieta observados:
  • Melhora do contato visual;
  • Melhora do sono (só dorme a noite e seu sono é tranqüilo);
  • Maior concentração nas atividades (casa, terapias e escola);
  • Diminuição de hiperatividade (apesar dele não apresentar muita);
  • Mais tranqüilidade no contato com outras pessoas;
  • Não apresenta mais constipação estomacal (prisão de ventre);
  • Tem freqüentado a escola todos os dias e participado das atividades.

Como já dito em outra postagem o objetivo da dieta não é a cura do autismo e sim uma melhoria dos sintomas que são amplificados e até causados pela ingestão de alimentos inadequados as nossas crianças.

O que o autismo não é

Contrário a crença popular, algumas crianças e adultos com autismo expressam afeição, sorriso e riso, e mostram uma variedade de outras emoções, mas em graus variados. Embora as crianças com distúrbios do espectro do autismo sejam freqüentemente descritas como “distantes” ou “centradas” em si mesmas, muitas delas gostaria de ter amigos. Contudo a própria natureza da sua incapacidade torna difícil para elas estabelecerem ou manterem o relacionamento básico dos pares que se torna amizade.

Autismo não é resultado de origem pobre.

Crianças com autismo não são rebeldes ou mimadas com um problema de comportamento.

A grande maioria das pessoas com autismo não são sábias como o personagem de Dustin Hoffman no filme “Rain Man”.

Crianças com autismo não são sem sentimentos e emoções.

Trecho retirado de publicação da ASA - Autism Society of America

O que é Autismo?

O autismo é um distúrbio neurológico que rompe o aprendizado e a socialização de uma criança.

Sendo o nome derivado do grego “self” (a própria pessoa), o autismo é freqüentemente associado com crianças que parecem concentradas em si próprias e exibem comportamentos estranhos. É um distúrbio de aspecto, o que significa que duas pessoas diagnosticadas com autismo podem ter sintomas e/ou características diferentes.

Crianças com o distúrbio variam de altamente produtivas (quase indistinguível das crianças que não tem autismo) a profundamente incapazes.
Algumas crianças diagnosticadas com autismo podem ter outros diagnósticos, como o Distúrbio de Asperger ou Distúrbio de Desenvolvimento Generalizado - não especificado de outra forma (PDD-NOS).

O autismo é a terceira incapacidade de desenvolvimento mais comum, seguindo o retardo mental e a paralisia cerebral; é a 4 vezes mais prevalente em meninos do que em meninas. Os Centros de Controle para Prevenção de Doença estima agora que uma a cada 150 nascidas nos Estados Unidos hoje terá o espectro do autismo. Estima-se que 1.500.000 pessoas nos Estados Unidos hoje têm autismo. O autismo é geralmente diagnosticado durante os três primeiros anos de vida. Não há teste médico para o autismo; um diagnóstico é determinado por um grupo de profissionais através de observação e testes com a criança, associados com entrevistas com os pais ou responsáveis. Nesse grupo de profissionais pode incluir um neurologista, psicólogo, pediatra especialista em desenvolvimento infantil, fonoaudiólogo, e/ou outros profissionais conhecedores do autismo. As descobertas do grupo são então comparadas com o protocolo definitivo para indicar um diagnóstico de autismo como apresentado no DMS IV – TR (Manual Diagnóstico e Estatístico para Distúrbios Mentais – 4ª edição Texto Revisado) publicado pela Associação Psiquiátrica Americana.

Para que se faça um diagnóstico, a criança deve exibir alguns sintomas nas três categorias seguintes, embora o nível de gravidade possa variar:

1. Danos qualitativos na interação social. Crianças com autismo podem ter grande dificuldade em desenvolver relacionamentos com seus pares apropriados ao seu nível de desenvolvimento. Muitos podem ter dificuldades em entender regras ou sugestões sociais, participar de comunidade ou atividades de lazer, ou outras.

2. Danos qualitativos na comunicação. Crianças com autismo podem ter dificuldades em entender a linguagem falada ou ler comunicações “não-verbais”, tais como expressões faciais ou gestos. Alguns falam de maneira estranha ou não convencional.

3. Modelos de comportamento, interesses e atividades restritas repetitivas e estereotipadas. Crianças com autismo podem ter preocupações incomuns, estranhas ou maneirismos motores repetitivos, e/ou modelos de interesse restritos que são anormais ou em intensidade ou em foco.

A dificuldade em processar a absorção sensorial pode levar algumas crianças a ter reações incomuns aos sons, toques, visões ou cheiros.

Freqüentemente crianças com distúrbios do espectro do autismo exibem desenvolvimento irregular nas habilidades motoras, sociais, comunicação, de adaptação e cognitivas. Algumas vezes, forças significantes em habilidades isoladas podem associar-se com déficits significantes em outras. Como outras crianças, elas respondem ao seu ambiente de maneira positiva ou negativa.

Embora o autismo possa afetar a variação de respostas e torna mais difícil controlar como corpo e a mente reagem às situações do dia-a-dia, as pessoas com distúrbios do espectro do autismo vivem períodos de vida normal e certos comportamentos associados podem co-existir com o autismo, como ataques, retardo mental, ou distúrbio obsessivo e compulsivo.

Os cientistas e pesquisadores estão explorando um número de teorias relacionadas às causas do autismo. Infelizmente, até agora, nenhuma causa ou cura foi identificada.

Lista de checagem do autismo

  • insistência na mesmice, resiste à mudança da rotina;
  • déficits graves na linguagem;
  • dificuldade em expressar as necessidades, usa gestos ou aponta ao invés de palavras;
  • ecolalia (repetição de palavras ou frases no lugar de linguagem normal, responsiva);
  • rir, chorar, ou mostrar aflição sem motivo aparente;
  • dificuldade em se misturar com os outros;
  • pode não querer ser tocado ou não acariciado fisicamente;
  • pouco ou nenhum contato com os olhos;
  • não receptivo aos métodos de ensinamento padrão;
  • rodopiar objetos;
  • ligação inapropriada a objetos;
  • aparente super sensibilidade ou falta de sensibilidade à dor;
  • nenhum medo real de perigos;
  • super atividade física notável ou extrema falta de atividade;
  • não responsivo às sugestões verbais, age como se fosse surdo embora sua audição esteja à nível normal;
  • habilidades motoras delicadas / grosseiras irregulares (pode não chutar uma bola, mas pode empilhar blocos).

Obs.: Esta lista de sintomas não é um substituto de uma avaliação diagnóstica completa.

Trecho retirado de publicação da ASA - Autism Society of America

Jogos didáticos

Recebi uma dica muito boa de Sofia Passos (Mamã Sofia) que desenvolveu alguns jogos didáticos para seu filho João Maria, também dentro do espectro autista, ela disponibiliza os jogos gratuitamente para download é só entrar no blog http://jogosdidacticos.blogspot.com/ e baixar.

Jogos disponíveis: Vamos Brincar às Cores; Vamos Reciclar; Vamos Contar; Jogo dos Opostos; Formas Geométricas, Cores Pintadas.

Ela também escreve os blogs: Partilhar Ombro Amigo e PECS que também tratam de autismo infantil de forma otimista, vale a pena visitá-los.

Aprendizagem cerebral e autismo

Cientistas descobrem fator que leva à aprendizagem cerebral

Washington, 7 ago (EFE) - Cientistas dos Estados Unidos anunciaram em um relatório divulgado hoje pela revista "Cell" que descobriram o fator que promove a aprendizagem.

Segundo os pesquisadores do Hospital Infantil de Boston (Massachusetts), o fator pode ajudar a explicar a grande capacidade de aprendizagem das crianças.

Trata-se da proteína identificada como OTX2, considerada responsável por desencadear um período de plasticidade no qual o cérebro faz novas conexões.

Em experiências feitas com ratos para compreender a forma como o cérebro forma as conexões neurológicas perante os impulsos externos, o sinal que desencadeia a proteína não provém do cérebro, mas de fontes externas no sistema, disseram.

Os pesquisadores acrescentaram que o momento no qual se produz esse sinal é crucial, porque "o cérebro precisa se reconectar no momento preciso, quando recebe um impulso sensorial ótimo".

Segundo Takao Hensch, professor do Departamento de Neurobiologia do Hospital Infantil de Boston, o controle desse momento concreto, no qual o cérebro faz novas conexões, é possível que combata transtornos de desenvolvimento como o autismo.

Neste tipo de transtornos, segundo os pesquisadores, os períodos críticos de desenvolvimento são retardados ou acelerados de forma inadequada.

Esse controle também pode ajudar a que algumas pessoas tenham maior capacidade de aprendizagem após a infância, aumentem seus conhecimentos de outro idioma, desenvolvam uma habilidade musical ou se recuperem de uma lesão cerebral.

Na pesquisa, os cientistas descobriram que as células que entram em ação no sistema da visão não produzem a proteína OTX2, mas esta provém da retina.

"O olho é o que diz quando se devem ser feitas as reconexões, e não o cérebro", diz Hensch.
Os cientistas liderados por Hensch demonstraram que quando os ratos crescem na escuridão, ao não ter estímulo visual, a proteína OTX2 se mantém na retina.

Só quando os roedores recebem esse estímulo visual começa a aparecer a proteína no córtex cerebral.

Em outras experiências, os pesquisadores injetaram OTX2 diretamente no córtex cerebral, o que desencadeou um processo de amadurecimento nas células até quando os ratos estavam na escuridão.

Finalmente, quando a síntese de OTX2 foi bloqueada no olho, as células da região cerebral vinculada à visão deixaram de amadurecer.

Segundo os cientistas, um fenômeno similar poderia ocorrer em outros sistemas sensoriais, como o do olfato e a audição.

Texto retirado do Yahoo Notícias

domingo, 3 de agosto de 2008

Peu e a orientação espacial

Já li a respeito da dificuldade de direção e de localização espacial que alguns portadores do distúrbio do espectro autista apresentam. No filme Uma Missão Especial um dos gêmeos autistas Stephen (Zac Efron) vivia se perdendo nos treinos de corrida cross country, para superar esta falta de orientação e lembrar por qual caminho deveria percorrer o seu padrasto teve a idéia de marcar o percurso com fitas vermelhas presas em árvores. Resultado Stephen venceu a competição.

Com Peu acho que ocorre o inverso, ele consegue lembrar-se de locais e caminhos com uma facilidade incrível, neste sábado fomos ao Salvador Shopping e como de costume ele me guiou até a Livraria Saraiva, estávamos do lado oposto da entrada da loja e o shopping estava relativamente cheio, mesmo assim ele me pegou pela mão e foi me levando, entrou na loja e foi para o seu cantinho favorito a sessão de livros infantis. Lá ele se diverte, escolhe os livrinhos na prateleira e vai sentar-se a mesa junto a outras crianças.

Sua alegria ao encontrar o livro do Grover (personagem da Vila Sésamo) foi tremenda.

sábado, 2 de agosto de 2008

Cegueira Mental - Teste Sally Ann

“Cegueira mental” refere-se a ser cego em relação à mente de outras pessoas. Significa que indivíduos com distúrbios do espectro do autismo têm grande dificuldade em entender o ponto de vista ou as idéias ou sentimentos alheios. Alguns pesquisadores denominaram isso de “Teoria da Mente” insuficiente, como taquigrafia para dizer que crianças com autismo têm entendimento precário do que outros pensam ou sentem: um entendimento precário da mente alheia. A Teoria da Mente (TOM) refere-se a nossa habilidade de fazer suposições precisas sobre o que os outros pensam ou sentem ou nos ajuda a prever o que farão. Trata-se de uma aptidão crucial para a vida em sociedade; e a cegueira mental causa problemas nesse ponto. Uma criança com autismo grave pode ter TOM totalmente enfraquecida, mas, na maioria das vezes, TOM apresenta atraso de desenvolvimento. Ou seja, crianças com distúrbios do espectro do autismo desenvolvem essas aptidões posteriormente e em menor grau do que as outras.


O teste Sally Ann

Simon Baron-Cohen foi o primeiro a usar o termo “cegueira mental” para explicar alguns dos problemas vivenciados por pessoas com distúrbios do espectro do autismo. Há também um teste muito simples que é, às vezes, usado como parte da avaliação de crianças mais jovens – o teste Sally Ann (Wimmer e Perner, 1983). Trata-se de uma forma direta de explicar a Teoria da Mente.



Crianças com TOM precária, ou cegueira mental, não entendem que Sally não sabe que a bolinha de gude passou do cesto para a caixa. Costumam responder que Sally olhará na caixa. Parecem confiar em sua experiência ou conhecimentos de onde a bolinha está sem levar em conta os conhecimentos ou experiência do outro. Não ver as coisas do ponto de vista de Sally, apenas do próprio. Cerca de 80% das crianças com quatro anos, em desenvolvimento, percebem que Sally acha que a bolinha está onde ela a deixou – no cesto. Apenas cerca de 20% de crianças com quatro anos, portadoras de autismo, dirão que Sally olhará no cesto.

Considerar o mundo do ponto de vista do outro parece ser muito difícil para a maioria dos indivíduos com transtorno do espetro autista. Se tentarmos imaginar a incapacidade de compreender como alguém se sente ou pensa ou de levar em conta seu ponto de vista, percebemos como o mundo deve parecer confuso e assustador e como as interações sociais devem ser difíceis. Portanto, não é nenhuma surpresa que jovens com autismo pareçam muito egoístas e tenham um comportamento distinto de outras crianças. Não é exatamente o mesmo que egoísmo. É o problema de compreender outras pessoas. Diz-se que crianças com transtorno do espectro autista tratam pessoas como objetos.

Como a cegueira mental se mostra no comportamento de nossas crianças com autismo?
Se uma criança mais jovem, que apresenta distúrbios do espectro do autismo, não tem compreensão dos pensamentos ou motivações de outrem, ela tem menor probabilidade de apresentar comportamentos que se comunicam com a mente do outro ou de levar em conta os pensamentos e sentimentos alheios.


Ela pode ter dificuldade em:

  • Apontar coisas para outros.
  • Estabelecer contato visual.
  • Seguir os olhos de outro indivíduo quando esse está falando sobre aquilo que estão olhando.
  • Usar gestos para comunicar-se.
  • Entender as emoções no rosto alheio.
  • Usar variação normal de expressões emocionais no próprio rosto.
  • Mostrar interesse em outras crianças.
  • Saber como envolver-se com outras crianças.
  • Manter-se calma quando se sente frustrada.
  • Entender que alguém pode ajudá-la.
  • Entender como os outros se sentem em algumas situações (por exemplo, irritado ou amedrontado).

Trecho extraído do livro Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger.

O presente de uma criança Especial

Nós podemos fazer uma lista infinita de dificuldades específicas que acontecem durante a nossa vida que muitos de nós gostaríamos de evitar: a morte de pai ou mãe, a perda de um emprego, um investimento que deu errado, divórcio, doença ou... Ter uma criança com dificuldades aparentes ou mesmo severas.

Algumas pessoas se fecharão sob stress e experimentar situações na vida consideradas muito pesadas e se sentirão: (“Coisas ruins só acontecem comigo” ou “Eu sou azarado”). Outros irão sobreviver e tentarão enfrentar com êxito (“A vida é uma série de altos e baixos.”). Poucos usarão estas aparentes dificuldades e transformá-las em experiência de crescimento. (“Esta é uma oportunidade para mim.”).

Para quebrar o padrão e abordar os eventos em nossas vidas com uma nova mentalidade (ex. dando boas-vindas à nossas experiências ao invés de lutar contra elas), nós primeiro adotamos uma nova visão – um novo princípio. Boa fortuna é uma atitude, não um evento. Por isso, cada problema pode se tornar uma oportunidade, de modo que nós a abracemos quando ela aparecer.

Cada pessoa é um indivíduo, precioso e único para apóia-lo. Freqüentemente, quando nós ouvimos palavras como autista, esquizofrênico, paralisia cerebral, retardado, desenvolvimento atrasado, prejudicado cerebralmente, epilético ou coisa parecida, nós recuamos cheios de medo. A crença: alguma coisa “ruim” aconteceu para nossa criança e nós. No final, nós perdemos contato com nossa apreciação e deleite na presença de nossa criança.

Uma criança com necessidades especiais não é uma praga, mas um presente – um presente que nos desafia a responder com enorme energia e dedicação. Achando um meio de ajudar a criança, estando lá no modo mais amoroso, dando apoio e facilitando, e como resultado, aprendendo a expressar a mais poderosa e humana parte de nós mesmos. Este é um processo diário, momento pós-momento é um tesouro para todos nós.

Trecho extraído do Manual Start-up do Programa Son-Rise.

A Nutrição da Criança Autista - Parte 2

De posse de todas informações semiológicas necessárias ao entendimento do distúrbio, é indicado utilizar as seguintes estratégias nutricionais propostas:

Orientações e informações sobre a desordem do autismo e suas implicações na nutrição, inicialmente devem ser direcionadas para os pais e profissionais não-médicos da instituição que, por ventura atenda estes pacientes;

Observar a viabilização do tratamento nutricional na residência dos autistas, sempre respeitando as condições sócio-econômicas de cada família;

O tratamento Nutricional, somente deve ser iniciado, após o conhecimento da complexidade da doença, que, se faz com a retirada controlada dos principais nutrientes que resultam na formação dos opióides, que é um dos principais causadores dos problemas neurológicos de cognição e comportamento do autista.

Assim, sugere-se o seguinte protocolo adaptado e ordenado:

A. Retirada da caseína e de todos os produtos derivados dessa proteína dos alimentos destinados aos autistas, com observação constante do Nutricionista por um período de 3 semanas (tempo experimental de possíveis reações adversas do procedimento);

B. Após o período experimental em relação à restrição da caseína e derivados, inicia-se a retirada do glúten e derivados da alimentação do autista, seguindo o mesmo critério de observação utilizado para caseína, mas agora por um período experimental de 5 meses;

As observações constantes do nutricionista se fazem necessárias com o objetivo de prevenir possíveis quadros de deficiências de vitaminas e minerais que possam ser iniciadas com a retirada dos componentes alimentares conforme descritos e, principalmente, a possibilidade do aparecimento da síndrome de abstinência, ocasionada pelo bloqueio e interferência da ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central, a qual pode não apresentar grande conseqüência nutricional para o paciente. Mas se houver, alguma conseqüência, estas surgirão como alterações psicológicas e psicomotoras significativas, e nesse caso, deverão ser discutidos juntamente com a equipe de tratamento do paciente.

A ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central deve ser um dos fatores mais importantes discutidos no tratamento da criança com autismo, bem como, os efeitos da síndrome de abstinência nestes indivíduos, relacionada à restrição de glúten e caseína, requerem uma atenção intensiva, não só do Nutricionista, mas também, do outros profissionais que estão vinculados ao tratamento do autista.

Diante de todas as implicações do distúrbio autista associado à Nutrição, o tratamento deve ser sempre aplicado de forma interativa e multidisciplinar, bem como integração dos membros da família do paciente, objetivando, não a cura da doença, mas uma melhora efetiva nas características e sintomas da desordem.

César Augusto Bueno dos Santos
Nutricionista
Prof. Patologia Geral
Coordenador Curso Nutrição – UNIFENAS/BH

A Nutrição da Criança Autista - Parte 1

O autismo é um distúrbio neurológico com deterioração progressiva na interação social e na linguagem das pessoas afetadas, apresentando padrões repetitivos de comportamento. Ainda sem causa conhecida, esta desordem apresenta anormalidades no sistema límbico e cerebelar, estruturas importantes no controle motor e emocional do ser humano. Além desta anormalidade, observa-se também, alteração metabólica direcionadas para a importância de alguns nutrientes da alimentação do paciente autista. Isto se deve, principalmente, à detecção de elevados níveis de algumas substâncias no sangue dos pacientes, que são: gluteomorfina e caseomorfina, peptídeos derivados da proteína do glúten e da caseína respectivamente. Estes peptídeos apresentam similaridade às substâncias opióides e às suas ações no sistema nervoso central.

Também promovem outros efeitos, tais como: redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição de alguns neurotransmissores. De acordo com os dados observados, as substâncias opióides são derivadas de algumas proteínas da alimentação comum, tais como: o glúten e a caseína. Assim a terapia nutricional específica voltada para o paciente autista torna-se um dos primeiros pontos a ser discutido como tratamento. Portanto, com a eliminação padronizada e controlada dos alimentos que promovem a formação das substâncias similares aos opiódes da dieta dos autistas, percebe-se melhora significativa na sociabilidade e comunicação destes pacientes, bem como, uma redução dos efeitos de abstinência destes compostos. Diante de todas as implicações do distúrbio neurológico e metabólico do autista, este tratamento deve ser aplicado de forma interativa e multidisciplinar, sendo a nutrição um importante contribuinte no somatório para melhoria nas características e nos sintomas da desordem autista.

Segundo informações do “Centro de Tratamento Pfeiffer (PTC)”: AUTISM: RESERCH UPDATE (1995), os autistas apresentam, entre outras alterações, um defeito na função da proteína metalotionina que tem como função básica, a detoxificação de metais pesados, anormalidade esta que aparenta ser genética, tornando, o cérebro do autista extremamente sensitivo para metais tóxicos e outras substâncias ambientais. Esta proteína está, também, envolvida diretamente no desenvolvimento e maturação cerebral e do trato gastrintestinal nos primeiros anos de vida do ser humano.

Por outro lado, a função diminuída da proteína metalotionina dificulta também, a entrada de alguns minerais nas células. Entre eles estão o cobre e o zinco que são responsáveis pela maturação intestinal, função imune e crescimento celular.

De fato, algumas das principais evidências observadas no autismo são as anormalidades neurológicas e metabólicas. Diante disso, várias investigações têm sido direcionadas para a função de alguns nutrientes na alimentação do autista, objetivando uma melhora nos sintomas da desordem neurológica, e, tornando o tratamento nutricional um dos primeiros pontos que devem ser observados nas crianças autistas.

PANKSEPP (1979) em um experimento, observou similaridades dos sintomas dos indivíduos com autismo em relação a animais que consumiam experimentalmente opióides, no caso estudado: a morfina.

Em 1988, GILLBERG, detectou elevados níveis de algumas substâncias conhecidas na época por pseudo-endorfinas (substância com atividade opióide) no líquido céfalo-raquidiano de alguns autistas.

E em 1990, SHATTOCK identificou a presença de alguns peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos) anormais na urina de 80% das 1.100 pessoas autistas analisadas. Esses peptídeos são derivados do metabolismo incompleto de certas proteínas. O mesmo autor descreveu que uma parte desses compostos pode ser direcionada ao cérebro, provocando interferências na atividade dos neurotransmissores, devido sua ação neuro-regulatória e possível estimulação pré-sináptica. Os peptídeos anormais detectados foram nomeados de gluteomorfina ou gliadomorfina proveniente do metabolismo do glúten e a caseomorfina proveniente do metabolismo da proteína caseína.

As substâncias inicialmente já identificadas por PANKSEPP (1979) e depois por REICHELT (1981) foram confirmadas por SHATTOCK & LOWDON (1991) que sustentaram a seguinte hipótese: o autismo pode ser uma conseqüência da ação dos peptídeos de origem exógena, a qual afeta diretamente a neurotransmissão do sistema nervoso central dos indivíduos já afetados pelo distúrbio.

KNIVSBERG et al.,(1995) ao analisarem a urina de autistas, também, observaram níveis anormais dos mesmos peptídeos, provenientes de defeitos no metabolismo do glúten e caseína nestes pacientes (15).

Evidências têm mostrado que estes peptídeos, provenientes da quebra de alguns compostos protéicos, apresentam ação similar aos opióides, e, quando intactos podem atravessar a parede do intestino, atingir a corrente sangüínea e chegar ao cérebro em maior quantidade nos indivíduos autistas.

Nos últimos 30 anos, alguns autores têm relatado entre outros problemas uma série de disfunções gastrintestinais nos autistas. HORVATH & PERMAN (2002) descreveram alterações patológicas na permeabilidade intestinal, aumento da resposta secretória à injeção intravenosa de secretina e diminuição da atividade enzimática digestiva, o que demonstra uma conexão relativa entre as ações do cérebro e do intestino.

Entretanto, também existem relatos de doença celíaca e intolerância à lactose associada à síndrome do autista, embora um grupo considerável de indivíduos que apresentam essas desordens neurológicas em concomitância com outras, sejam passíveis de problemas na digestão das proteínas do glúten e da caseína, o que acrescentaria maiores problemas aos indivíduos afetados e maiores complicações na patogênese do autismo.

Diversos outros efeitos são observados quando os peptídeos opióides se elevam na corrente sangüínea, entre eles estão, a alteração do nível de acidez estomacal, alteração da motilidade intestinal e redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e conseqüente alteração na neurotransmissão.

O excesso de atividade dos peptídeos opióides no sistema nervoso central também pode resultar em um grande número de interferências neurais por elevadas alterações funcionais de atividade nervosa, o que afeta diretamente a percepção, a emoção, o humor e o comportamento do autista, entre outros sintomas.

Diante das variações neurológicas de cognição e comportamento, as alterações metabólicas e os efeitos nutricionais dos peptídeos opióides nos autistas são significativos, segundo o grupo de REICHELT et al.,(1990) ao publicarem dados em relação a nutrição, demonstraram a efetividade dos programas de nutrição, apesar de alguns trabalhos ainda não serem considerados conclusivos e não estarem tão claros em relação a atividade nutricional para o autista.

No entanto, outros autores também têm considerado que o tratamento nutricional do autista é fundamental, através de embasamentos experimentais ou individuais, obtendo relatos de respostas efetivas. Os estudos de RIMLAND & BAKET (1996) mostraram dados positivos de melhora no tratamento nutricional quando unicamente utilizando a terapia baseada em medicamentos.

Diante das ações terapêuticas nutricionais existentes, o tratamento do autista é complexo e deve ser feito com base em uma série de abordagens clínico-nutricionais, com o objetivo também de detectar possíveis deficiências nutricionais decorrentes ou não da doença. Associado a isso deve ser feito, também, o levantamento semiológico completo da vida do paciente. Enfoques e evidências médicas que possam ser somadas as alterações neurológicas e/ou clínicas (tais como: uso de medicamentos que possam interferir no metabolismo de algum componente da dieta, distúrbios físicos e/ou psíquicos, entre outros), tornam-se importantes no tratamento geral do autista.

César Augusto Bueno dos Santos
Nutricionista
Prof. Patologia Geral
Coordenador Curso Nutrição – UNIFENAS/BH

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Estigma

Algumas famílias (felizmente em menor número hoje do que antigamente) ouvem comentários negativos da comunidade. Um exemplo típico é a crítica ao fazerem compras. Críticas quando a criança tem um ataque de mau humor podem magoar muito. Talvez seja difícil seguir uma determinada maneira de agir e colocá-las em prática quando outros nos observam.

Alguns pais ignoram isso, outros explicam que o filho tem autismo. Existem alguns que distribuem um cartão com explicações sobre o autismo. Todas essas estratégias podem funcionar. O que não funciona nem para os pais, nem para o filho, é ficar em casa com medo das críticas.

Às vezes, as pessoas são deliberadamente desagradáveis e não devemos permitir que nos façam sentir mal. Discutir estratégias saudáveis para lidar com essas ocorrências é muito útil.

Helen era mãe de Jed, um garoto com autismo. Ela explicou que no início ficava muito inibida em público e não saia com ele. Disse que, com o decorrer do tempo, ela ficava mais forte e chegou o momento em que decidiu que viveria a vida e faria tudo o que desejava fazer com Jed sem se preocupar com o que os outros pensavam ou diziam. Ela controlou a situação ao dividir as pessoas em dois grupos: aquelas com a perspectiva receptiva e as intolerantes. Ela aprendeu rapidamente sobre quem deveria valorizar e com quem não deveria se preocupar. As amizades eram fortes e duradouras, mas ela percebeu que tinha menos “conhecidos” do que teria em outras circunstâncias.

Desenvolver atitude, crenças e estratégias positivas ajuda a enfrentar a situação.

Trecho extraído do livro Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger