sábado, 16 de maio de 2009

Uma solução para o Autismo

O site Inspirados pelo Autismo está com uma seleção de vídeos chamada "Uma Solução para o Autismo", neles são apresentadas as técnicas e as metodologias do Programa Son-Rise.

Abaixo os fundadores do Programa Son-Rise, Barry e Samahria Kaufman, falam sobre o programa que desenvolveram para o filho Raun na década de 70, o qual ajudou a criança a chegar à total recuperação do autismo.




Para assistir a outros vídeos também legendados em português é só clicar no link:

http://www.inspiradospeloautismo.com.br/Apoio/videos/AutismoVideo/AutismoVideo.html

Muito mais que um pai e filho, sonhadores...

Oitenta e cinco vezes, Dick Hoyt empurrou seu filho deficiente, Rick, por 42 quilômetros em maratonas. Oitenta vezes, ele não só empurrou seu filho os 42 quilômetros em uma cadeira de rodas, mas também, o rebocou por quatro quilômetros em um barquinho enquanto nadava e pedalou 180 quilômetros, com ele sentado em um banco no guidão da bicicleta, tudo isso em um mesmo dia.

Dick também o levou em corridas de esqui, escalou montanhas com ele às costas e chegou a atravessar os Estados Unidos rebocando-o com uma bicicleta.

E o que Rick fez por seu pai?

Não muito, exceto salvar sua vida.

Esta história maravilhosa de amor começou em Winchester, nos EUA, há quarenta e três anos, quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o parto, ficando com uma lesão cerebral permanente e incapacitado de controlar os membros de seu corpo.

– “Ele irá vegetar pelo resto de sua vida”, disse o médico para Dick e sua esposa Judy, quando Rick tinha nove meses.

– “Vocês devem interná-lo em uma instituição”, complementou o médico. Mas, o casal não acreditou. Eles repararam como os olhos de Rick seguiam os dois pelo quarto.

Quando Rick fez onze anos eles o levaram ao departamento de engenharia da Tufts University e perguntaram se havia algum jeito do garoto se comunicar.

– “Não há jeito, seu cérebro não tem atividade alguma”, disseram a Dick.

– “Conte uma piada para ele”, Dick desafiou.

Eles contaram e Rick riu.

Na verdade, tinha muita coisa acontecendo no cérebro de Rick.

Usando um computador adaptado para ele poder controlar o cursor tocando com a cabeça um botão no encosto de sua cadeira, Rick, finalmente foi capaz de se comunicar.

Suas primeiras palavras? – “Go Bruins!”, o grito da torcida, dos times da Universidade da Califórnia.

Depois que um estudante ficou paralítico em um acidente e a escola em que estudava decidiu organizar uma corrida para levantar fundos para ele, Rick digitou: – “Papai, quero participar”.

Isso mesmo. Mas como Dick poderia, justo ele, que considerava a si mesmo um “leitão”, que nunca tinha corrido mais que um quilômetro de cada vez, como poderia empurrar seu filho por 8 quilômetros?

Mesmo assim, ele tentou.

– “Daquela vez eu fui o inválido”, lembra Dick.

– “Fiquei com dores durante duas semanas”.

Porém, aquilo mudou a vida de Rick.

Ele digitou em seu computador: – “Papai, quando você corria eu me sentia como se não fosse mais portador de deficiências”.

O que Rick disse, mudou também a vida de Dick. Ele ficou obcecado por dar a Rick essa sensação quantas vezes pudesse. Começou a se dedicar tanto para entrar em forma que ele e Rick estavam prontos para tentar a Maratona de Boston em 1979.

– “Impossível!”, disse um dos organizadores da corrida.

Pai e filho não eram um só corredor e também não se enquadravam na categoria dos corredores em cadeira de rodas. Durante alguns anos, Dick e Rick simplesmente entraram na multidão e correram de qualquer jeito.

Finalmente, encontraram uma forma de entrar oficialmente na corrida. Em 1983, eles correram tão rápido em outra maratona, que o tempo obtido por eles permitia qualificá-los para participar da maratona de Boston no ano seguinte.

Depois, alguém sugeriu que tentassem um Triatlon.

Como poderiam?!

Dick nunca soube nadar e não andava de bicicleta desde os seis anos de idade, como rebocaria seu filho de cinqüenta quilos em um Triatlon?

Mesmo assim, Dick tentou.

Hoje, ele já participou de duzentos e doze Triatlons, inclusive, quatro cansativos Ironmans de quinze horas de duração, no Havaí.

Deve ser demais, para alguém com seus vinte e cinco anos de idade, ser ultrapassado por um velho rebocando um adulto em um barquinho, você não acha?

Então por que Dick não competia sozinho?

– “De jeito nenhum”, ele diz. Dick faz tudo isso apenas pela sensação que Rick pode ter e demonstrar com seu grande sorriso, enquanto correm, nadam e pedalam juntos.

Em 2006, aos sessenta e cinco e quarenta e três anos de idade respectivamente, Dick e Rick completaram a vigésima quarta Maratona de Boston na posição 5.083, entre mais de vinte mil participantes.

Seu melhor tempo?

Duas horas e quarenta minutos, em 1992, apenas trinta e cinco minutos a mais que o recorde mundial que, caso você não saiba, foi batido por um homem que não empurrava ninguém numa cadeira de rodas enquanto corria.

– “Não há dúvida”, digita Dick, “meu pai, é o pai do século”.

E Dick também ganhou algo com isso. Há dois anos, ele teve um leve ataque cardíaco, durante uma corrida. Os médicos descobriram que uma de suas artérias estava 95% entupida. Os médicos disseram que se ele não tivesse se dedicado para entrar em forma, é provável que já teria morrido, uns quinze anos antes. De certa forma, Dick e Rick salvaram a vida um do outro.

Rick, que hoje tem seu próprio apartamento (ele recebe cuidados médicos) e trabalha em Boston, e Dick, que se aposentou do exército e mora em Holland, Massachussets, sempre acham um jeito de ficarem juntos. Eles fazem palestras em todo o país e participam de corridas, nos finais de semana.

Em todo dia dos pais, Rick sempre paga um jantar para seu pai, porém, o que ele mais desejaria fazer pelo seu pai, é um presente que ninguém poderia comprar.

“Eu gostaria...”, digita Rick, “...de um dia poder empurrar meu pai na cadeira, pelo menos uma vez”.

"Um homem não morre quando deixa de existir e sim quando deixa de sonhar".

Reportagem sobre Rick e Dick no Fantástico - Parte 1



Reportagem sobre Rick e Dick no Fantástico - Parte 2



Fonte: Sports Illustrated - Rick Reilly
Tradução: Blog Quero Contar... - http://www.stories.org.br/
Adaptação: Organização Não-Governamental “Projetos sociais meu sonho não tem fim”.

sábado, 2 de maio de 2009

Como as crianças autistas percebem o mundo

Os pais de Guilherme não sabem como ajudá-lo a se comunicar. Nem mesmo sabem se o filho os ouve quando falam com ele. Mas certamente sabem muitas coisas sobre o filho. Sabem de que comida, brinquedos e atividades ele gosta. Os pais de Guilherme podem não ter percebido, mas estas informações são importantes e podem ser usadas para ajudá-lo.

Algumas crianças dão pistas claras sobre o que gostam e o que não gostam. Por exemplo, pode ser que seu filho brinque sempre com o mesmo brinquedo ou puxe você até a porta da frente repetidas vezes. Nessas situações, é fácil perceber do que ele gosta. Mas, às vezes, é preciso observá-lo mais atentamente para descobrir as preferências dele. Desta forma, pode ser que descubra que ele gosta de pular, correr de um lado para o outro ou engatinhar por baixo dos móveis ainda mais do que você pensava.

As coisas das quais seu filho gosta podem ser difíceis de entender



























As coisas das quais seu filho não gosta podem ser difíceis de entender
































Seu filho pode fazer outras coisas difíceis de entender





































Muitas crianças com TEA (Transtornos do Espectro do Autismo), como as mostradas nas figuras anteriores, reagem de formas incomuns ao mundo ao seu redor. Isto acontece porque elas podem não sentir as coisas da mesma forma que você e eu. Seu filho pode ser hipersensível a certas sensações, o que significa que uma pequena quantidade da sensação pode estimulá-lo intensamente.

Se o seu filho é hipersensível, ele pode se afligir e tentar evitar as sensações que o incomodam. Por exemplo: Lucas, uma das crianças descritas anteriormente, é hipersensível ao som do aspirador de pó, por isso cobre os ouvidos para bloquear o barulho. Ao mesmo tempo, seu filho pode ser hipossensível a certas sensações e buscá-las, porque é necessária uma grande quantidade da sensação para estimulá-lo.

Crianças que são hipossensíveis ao movimento são particularmente ativas, porque correm de um lado para o outro, balançam o tronco ou pulam buscando provocar as sensações que precisam.

Por outro lado, há crianças que são hipossensíveis às sensações, e mesmo assim são passivas. Elas mal reagem ao mundo à sua volta,porque não estão obtendo estímulos suficientes.

É possível que seu filho tenha reações contraditórias às sensações – ele pode ser hipersensível a algumas e hipossensível a outras. Muitas crianças com TEA são hipossensíveis à fala e não respondem a ela, muito embora outros sons as incomodem.

Vai ser difícil que seu filho preste atenção ao que você diz, se ele tiver dificuldades em ouvir sons da fala.

Os comportamentos das crianças nas figuras acima, com exceção de Bruno, podem ser explicados pelas situações às quais são hiper ou hipossensíveis.

Da mesma forma que muitas crianças com TEA, Bruno, o menino que não sabe pedalar seu triciclo, tem dificuldades com planejamento motor, ou seja, para ele édifícil planejar e executar movimentos.

Quando seu filho tem dificuldades de planejamento motor, pode trombar com as coisas. Ou pode ser que brinque com os brinquedos de uma forma repetitiva, pois acha mais fácil aprender um só conjunto de ações do que aprender muitos. Falar é difícil paraalgumas crianças com TEA, em parte porque a fala requer muitoplanejamento motor da boca, língua e aparelho vocal.

Associe as preferências e ações de seu filho à maneira como ele vê o mundo

Essas crianças são hipersensíveis a algumas sensações e tentam evitá-las.

MOVIMENTO - Miguel tenta evitar movimento e tem medo da escada rolante.
TATO - João se incomoda quando seu pai toca sua cabeça.
VISÃO - Jaqueline tentar evitar a luz em seus olhos.
AUDIÇÃO - Alguns sons parecem ser altos demais para Lucas.
OLFATO - Karen não come macarrão porque não gosta do cheiro de molho codimentado.

Estas crianças são hiposensíveis a algumas sensações e procuram sentí-las.

MOVIMENTO - Gui corre pela casa para buscar movimento.
TATO - Luana gosta de sentir pressão sobre seu corpo.
VISÃO - Gabriel gosta de observar seus dedos movendo-se rapidamente.
AUDIÇÃO - Lucas parece não ouvir quando seu pai o chama.
OLFATO - Pedro gosta do cheiro do cabelo de sua mãe.

As visões, os sons, os cheiros, toques e movimentos de que seu filho gosta ou não gosta são chamados de preferências sensoriais. Será mais fácil entender o comportamento de seu filho se você identificar as preferências sensoriais dele.

Elas também mostrarão por onde você começa para ajudar seu filho a se comunicar. Se ele receber a informação através de seu sentido preferido, pode ser que consiga prestar atenção por mais tempo e aprender mais. Ao identificar as preferências sensoriais de seu filho, saberá quais atividades podem ser motivadoras e prazerosas tanto para ele quanto para você.

Trecho extraído do livro Mais do que Palavras de Fern Sussman

Severn Suzuki a menina que calou o mundo por 5 minutos

A causas do Autismo ainda são desconhecidas, porém, existem várias evidências de possíveis relações entre vários tipos de exposição a toxinas ambientais e a ocorrência de Autismo.

Vários profissionais estão agora considerando a existência de “gatilhos ambientais” que podem desencadear o Austismo. Estudos recentes demosntram que indivíduos autistas apresentam níveis comparativamente mais elevados de diversas toxinas e possuem tendência a uma capacidade de detoxificação mais reduzida.

A frequência de Autismo também parece ser mais elevada em áreas de maior poluição. Uma pesquisa conduzida no Departamento de Psicologia da University of Northern Iowa, nos E.U.A, constatou que a incidência de Autismo no Estado de Iowa é maior em escolas localizadas próximas a locais contaminados, os chamados EPA Superfund Sites. Esses locais são áreas de contaminação de vários aspectos ambientais como sedimentos, água, solo e ar e fazem parte de uma projeto de renovação elaborado pela Agência de Proteção do Meio Ambiente dos E.U.A.

A autora especula que indivíduos geneticamente predispostos estejam sendo expostos a “gatilhos ambientais” em taxas mais elevadas do que as gerações anteriores. Mais um motivo para nos preocuparmos com a saúde do meio ambiente, reduzindo a quantidade de substâncias químicas nocivas que são lançadas na natureza. A preservação da saúde de nossas crianças também depende da saúde do Planeta.

Durante a ECO 92 - Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro - Uma menina canadense de 12 anos já nos alertava sobre os problemas ambientais. Severn Suzuki tornou-se mundialmente famosa por seu discurso.

Uma criança dando uma verdadeira aula de Responsabilidade Ambiental para adultos, o vídeo já tem 17 anos, mas, poderia ter sido feito ontem que as palavras seriam as mesmas.

O Auxílio Mútuo

Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual defendendo-se como podia dos golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno. Um deles olhou e clamou, irritado:

- Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente.

- Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade - argüiu o outro.

- Não posso - disse o companheiro, endurecido - sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de tempo.

E avançou para diante, em largas passadas. O viajante de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colocando-o paternalmente sobre o próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido. A chuva gelada caiu, metódica, pela noite a dentro, mas ele, segurando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava.

Com enorme surpresa, porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia seguinte, depois de minuciosa procura, foi encontrado o infeliz viajante, sem vida, à beira do caminho alagado. Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoísta de preservar-se, não resistiu à onda de frio e tombou encharcado, sem recursos para fazer face ao congelamento. Já o companheiro, recebendo em troca o calor da criança que sustentava junto ao próprio coração, superou os obstáculos da noite fria, guardando-se incólume de semelhante desastre.
Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo... Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.
Um homem sozinho é simplesmente um adorno da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum.

Autor desconhecido

Bons amigos

Na estrada de minha casa há um pasto. Dois cavalos vivem lá.

De longe, parecem cavalos como os outros cavalos, mas, quando se olha bem, percebe-se que um deles é cego. Contudo, o dono não se desfez dele e arrumou-lhe um amigo - um cavalo mais jovem. Isso já é de admirar.

Se você ficar observando, ouvirá um sino. Procurando de onde vem o som, você verá que há um pequeno sino no pescoço do cavalo menor.

Assim, o cavalo cego sabe onde está seu companheiro e vai até ele.

Ambos passam os dias comendo e no final do dia o cavalo cego segue o companheiro até o estábulo.

E você percebe que o cavalo com o sino está sempre olhando se o outro o acompanha e, às vezes, pára para que o outro possa alcançá-lo.

E o cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiante que o outro o está levando para o caminho certo.

Como o dono desses dois cavalos, Deus não se desfaz de nós só porque não somos perfeitos, ou porque temos problemas ou desafios. Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio quando precisamos.

Algumas vezes somos o cavalo cego guiado pelo som do sino daqueles que Deus coloca em nossas vidas. Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando outros a encontrar seu caminho.

E assim são os bons amigos. Você não precisa vê-los, mas eles estão lá.

Por favor, ouça o meu sino. Eu também ouvirei o seu.

Autor Anônimo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Enquanto eu olho você dormir

Meu filho adorado, entrei devagarinho no seu quarto enquanto você dorme, para sentar ao seu lado e observar você por um instante. Seus olhos estão fechados, um cacho do cabelo cai sobre a testa e a respiração faz seu peito subir e descer quase imperceptivelmente. Eu estava trabalhando no escritório e de repente fui tomada de uma grande tristeza quando pensei no que aconteceu durante o dia. Não consegui mais prestar atenção no meu trabalho e então vim conversar com você no seu silêncio, enquanto você descansa.

De manhã, perdi a paciência e disse que você parecia uma lesma, porque levou um tempo enorme para se vestir. Depois, fuzilei você com os olhos quando derramou geléia na blusa limpa durante o café da manhã. "De novo?", suspirei fundo. Você apenas sorriu e se despediu: "Até logo, mamãe!"

À tarde estava no telefone enquanto você brincava no meu quarto, chutando a bola contra a parede do fundo e comemorando em voz alta cada vez que acertava um gol imaginário. Irritada, interrompi a ligação de quase uma hora para mandar você parar e ir fazer o dever de casa. "Tá bem, mamãe", você disse, meio culpado, e foi pegar a pasta para me obedecer.

À tarde, enquanto eu trabalhava em minha escrivaninha, você se aproximou e, hesitante, pediu: "Lê uma história para mim esta noite, mamãe?" Nos seus olhos, um brilho de esperança. "Esta noite, não", eu disse, rudemente. "Seu quarto ainda está uma bagunça! Quantas vezes vou ter de mandar você arrumar suas coisas?" Você saiu arrastando os pés, com a cabeça baixa, e foi para o quarto. Logo depois voltou, ficou encostado na porta. "O que você quer agora?", perguntei com a voz impaciente.

Você não disse uma só palavra, mas entrou decidido no quarto, jogou seus braços ao redor do meu pescoço e beijou meu rosto. "Boa noite, mamãe. Eu amo você." Foi tudo o que me disse, me apertando com força. E, tão rapidamente como apareceu, você se foi.

Depois disso, fiquei sentada um bom tempo, olhos fixos na mesa, sentindo uma onde de remorso me invadir. O que é que tinha acontecido comigo? Você não havia feito nada com a intenção de me aborrecer. Estava apenas sendo criança, se ocupando em crescer e aprender. Eu me perdi hoje num mundo adulto de responsabilidades e cobranças e fiquei com pouca energia para lhe dar. Você foi meu professor com seu impulso tão espontâneo de entrar no quarto e me beijar, mesmo depois de um dia difícil, enfrentando meu mau humor.

E agora, enquanto vejo você dormindo, torço para o dia chegar e começar tudo de novo. Amanhã vou usar a mesma compreensão que você teve comigo hoje, para que eu seja uma mãe de verdade – oferecendo um doce sorriso quando você acordar, uma palavra de apoio depois da escola e uma história animada na hora de dormir. Vou rir quando você rir e chorar quando você chorar. Vou tentar colocar limites com suavidade e afeto. Vou me lembrar que você é apenas uma criança, não um adulto, e vou ficar feliz por ser sua mãe. A alegria do seu espírito me tocou hoje e, assim, vim aqui, tarde da noite, agradecer a você, meu filho, meu professor e meu amigo, pela dádiva do seu amor.

Diane Loomans

Histórias para Aquecer o Coração 2