quinta-feira, 31 de julho de 2008

O cérebro do autista

Muito parecido a um computador, o cérebro conta com um emaranhado de fios para processar e transmitir as informações. Os cientistas descobriram que, em pessoas com autismo, esses fios estão com defeito, o que causa falha de comunicação entre as células do cérebro.

No cérebro, as células nervosas transmitem mensagens importantes que controlam as funções do corpo, desde o comportamento social até os movimentos. Estudos de imagens revelaram que as crianças autistas têm muitas fibras nervosas, mas elas não funcionam de maneira suficiente para facilitar a comunicação entre as várias partes do cérebro. Os cientistas acham que todo esse circuito elétrico pode afetar o tamanho do cérebro. Embora as crianças autistas nasçam com cérebros normais ou menores que o normal, elas passam por um período de rápido crescimento entre os 6 e 14 meses, por isso que, por volta dos quatro anos, o cérebro tende a ser grande para sua idade. Os defeitos genéticos nos fatores de crescimento do cérebro podem levar a esse desenvolvimento anormal do cérebro.

Os cientistas também descobriram irregularidades nas próprias estruturas do cérebro, como no corpo caloso, que facilita a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro; na amígdala, que afeta o comportamento social e emocional; e no cerebelo, que está envolvido com as atividades motoras, o equilíbrio e a coordenação. Eles acreditam que essas anormalidades ocorrem durante o desenvolvimento pré-natal.


Além disso, os cientistas perceberam desequilíbrios nos neurotransmissores, substâncias químicas que ajudam as células nervosas a se comunicarem. Dois dos neurotransmissores que parecem ser afetados são a serotonina, que afeta emoção e comportamento, e o glutamato, que tem um papel na atividade dos neurônios. Juntas, essas alterações do cérebro podem ser responsáveis pelos comportamentos do autista.

Os cientistas continuam procurando pistas sobre as origens do autismo. Ao estudarem os fatores ambientais e genéticos que podem causar a doença, eles esperam desenvolver testes para identificar o autismo mais cedo, além de novos métodos de tratamento.

Vários estudos de pesquisa estão focados na ligação entre os genes e o autismo. O maior deles é o Projeto Genoma do Autismo (Autism Genome Project) da NAAR (National Alliance for Autism Research - Aliança Nacional para Pesquisa sobre Autismo). Esse esforço colaborativo, realizado em aproximadamente 50 instituições de pesquisa, em 19 países, está examinando os 30 mil genes que formam o genoma humano em busca dos genes que desencadeiam o autismo.

Outros estudos sobre autismo incluem:
  • usar modelos de cérebro animal para estudar a forma como os neurotransmissores são defeituosos em crianças com autismo;
  • testar um programa de computador que poderia ajudar as crianças autistas a interpretarem as expressões faciais;
  • examinar imagens do cérebro para descobrir quais áreas estão ativas durante os comportamentos obsessivos e repetitivos do autista;
  • continuar pesquisando a ligação entre timerosal e autismo.

Extraído do site: HowStuffWorks Brasil

Autismo: Mitos e Verdades

O Mito: os autistas têm mundo próprio.
A Verdade: os autistas têm dificuldades de comunicação, mas mundo próprio de jeito nenhum. O duro é que se comunicar é difícil para eles, nós não entendemos, acaba nossa paciência e os conflitos vêm. Ensiná-los a se comunicar pode ser difícil, mas acaba com estes conflitos.

O Mito: os autistas são super inteligentes.
A Verdade: assim como as pessoas normais, os autistas tem variações de inteligência se comparados um ao outro. É muito comum apresentarem níveis de retardo mental.

O Mito: os autistas não gostam de carinho.
A Verdade: todos gostam de carinho, com os autistas não é diferente. Acontece que alguns têm dificuldades com relação a sensação tátil, podem sentir-se sufocados com um abraço por exemplo. Nestes casos deve-se ir aos poucos, querer um abraço eles querem, a questão é entender as sensações. Procure avisar antes que vai abraça-lo, prepare-o primeiro por assim dizer. Com o tempo esta fase será dispensada. O carinho faz bem para eles como faz para nós.

O Mito: os autistas gostam de ficar sozinhos.
A Verdade: os autistas gostam de estar com os outros, principalmente se sentir-se bem com as pessoas, mesmo que não participem, gostam de estar perto dos outros. Podem as vezes estranhar quando o barulho for excessivo, ou gritar em sinal de satisfação, quando seus gritos não são compreendidos, muitas vezes pensamos que não estão gostando. Tente interpretar seus gritos.

O Mito: eles são assim por causa da mãe ou porque não são amados.
A Verdade: o autismo é um distúrbio neurológico, pode acontecer em qualquer família, religião etc. A maior parte das famílias em todo o mundo tendem a mimá-los e superprotegê-los, são muito amados, a teoria da mãe geladeira foi criada por ignorância, no início do século passado e foi por terra pouco tempo depois. É um absurdo sem nexo.

O Mito: os autistas não gostam das pessoas.
A Verdade: os autistas amam sim, só que nem sempre sabem demonstrar isto. Os problemas e dificuldades de comunicação deles os impedem de ser tão carinhosos ou expressivos, mas acredite que mesmo quietinho, no canto deles, eles amam sim, sentem sim, até mais que os outros.

O Mito: os autistas não entendem nada do que está acontecendo.
A Verdade: os autistas podem estar entendendo sim, nossa medida de entendimento se dá pela fala, logo se a pessoa não fala, acreditamos não estar entendendo, mas assim como qualquer criança que achamos não estar prestando atenção, não estar entendendo, de repente a criança vem com uma tirada qualquer e vemos que ela não perdeu nada do que se falou, o autista só tem a desvantagem de não poder falar. Pense bem antes de falar algo perto deles.

O Mito: o certo é interná-lo, afinal numa instituição saberão como cuidá-lo.
A Verdade: toda a criança precisa do amor de sua família, a instituição pode ter terapeutas, médicos, mas o autista precisa de mais do que isto, precisa de amor, de todo o amor que uma família pode dar, as terapias fazem parte, uma mãe, um pai ou alguém levá-lo e trazê-lo também.

O Mito: ele grita, esperneia porque é mal educado.
A Verdade: o autista não sabe se comunicar, tem medos, tem dificuldades com o novo, prefere a segurança da rotina, então um caminho novo, a saída de um brinquedo leva-os a tentar uma desesperada comunicação, e usam a que sabem melhor, gritar e espernear. Nós sabemos que isto não é certo, mas nos irritamos, nos preocupamos com olhares dos outros, as vezes até ouvimos aqueles que dizem que a criança precisa apanhar, mas nada disto é necessário, se desse certo bater, todo o burro viraria doutor! Esta fase de gritar e espernear passa, é duro, mas passa. Mesmo que pareça que ele não entenda, diga antes de sair que vai por ali, por aqui etc. e seja firme em suas decisões. Não ligue para os olhares dos outros, você tem mais o que fazer. Não bata na criança , isto não ajudará em nada, nem a você e nem a ele. Diga com firmeza que precisa ir embora por exemplo, e mantenha-se firme por fora, por mais difícil que seja. Esta fase passa, eles precisarão ser a firmeza do outro.

Por Lucy Santos, extraído do site Bengala Legal

sábado, 26 de julho de 2008

Tese de Gurdjieff

Tese do pensador greco-arménio Gurdjieff, que no início do século passado reflectia sobre o auto-conhecimento e a importância de se saber viver. Dizia ele:

"Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que, realmente, vale como principal".

Assim sendo, delineou 20 regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.

Especialistas motivacionais defendem que, quem consegue assimilar 10 delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade interna.

Ei-las:

1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em voçê, analisando suas atitudes.

2) Aprenda a dizer não, sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3) Planeie seu dia, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de voçê.

4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo continua sem a sua atuação, exceto você mesmo.

6) Deixe de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.

7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9) Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo que se consegue na vida.

10) Evite envolver-se na ansiedade e tensão alheias enquanto há ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11) A família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.

13) É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilômetros. Não adianta estar mais longe.

14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância subtil de uma saída discreta.

15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que disseram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo ... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

18) Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19) Não abandone as suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!

20) E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: Você é o que se fizer ser!


Esta postagem não está ligada diretamente ao autismo, porém, tento seguir diariamente estas regras e tenho conseguido o equilíbrio necessário para encarar com mais tranquilidade e otimismo as dificuldades encontradas no dia-a-dia.

Brinquedos para o quarto do Son-Rise

O site Inspirados pelo Autismo está com uma ótima seção chamada Perguntas e Respostas onde Sean Fitzgerald e Mariana Tolezani respondem as perguntas dos participantes dos workshops realizados no Brasil no mês de março/2008, eu participei do evento e já comecei a aplicar as técnicas do Programa Son-Rise com Peu. Estou preparando o quarto de brincar e achei bem opurtuna a pergunta sobre quais brinquedos devem ser utilizados no quarto do Son-Rise, segue abaixo a resposta:

Recomendamos brinquedos e objetos que sejam duráveis e não tóxicos, que possam ser jogados, amassados e até mordidos, sem representar nenhum perigo para a saúde e segurança da criança.

Brinquedos que funcionam sozinhos, movidos a pilha, com luzes e sons, podem estimular que a criança brinque sozinha com eles, sem precisar que alguém “anime” os brinquedos para elas. Esses brinquedos podem distrair a criança e também ser hiperestimulantes. Por estas razões, NÃO utilizamos brinquedos e objetos elétricos ou eletrônicos no quarto de brincar/interagir. Também procuramos não utilizar areia, grandes quantidades de peças muito pequenas e água, pois estas substâncias também costumam distrair muito as crianças.

Preferimos brinquedos que estimulem a criatividade e imaginação, podendo ser utilizados de diversas formas. Por exemplo, um conjunto de blocos grandes pode ser utilizado como muro do castelo ou da casa dos ‘Três Porquinhos”, pode ser uma ponte, uma cidade, uma cama ou uma torre que será destruída pelo “Lobo” ou por uma onda do mar.

E, muito importante, procuramos brinquedos que estimulem a interação. O fantoche é um bom exemplo, pois ele não costuma ser tão interessante por si só, ele geralmente precisa de um adulto que o anime para que ele fique mais divertido para a criança. Abaixo encontra-se um trecho retirado da tradução do texto sobre materiais para o desenvolvimento social dentro do quarto do Son-Rise:

“Muitos brinquedos no mercado têm como objetivo manter a criança ocupada e distraída enquanto os pais se ocupam com outras tarefas ou atividades. Nós queremos o oposto disto! Quando uma criança quiser ficar em isolamento, ela encontrará um jeito para se isolar, não importando quais brinquedos estejam disponíveis. Mesmo assim, procuramos utilizar brinquedos que costumam promover interações ao invés de brincadeiras solitárias. Por exemplo, sua criança poderia permanecer isolada ao brincar com um fantoche, mas ela também poderia achar a atividade mais divertida quando você animasse o fantoche. O fantoche então ofereceria a você a oportunidade de se tornar parte do interesse de sua criança.

Se há brinquedos e objetos específicos que sua criança gosta (ou até que os utiliza enquanto está em “ismos” – comportamentos repetitivos e de isolamento), com a exceção de brinquedos a pilha ou brinquedos que contêm uma grande quantidade de areia, pecinhas ou água, nós sugerimos que você mantenha estes brinquedos disponíveis na prateleira do quarto para sua criança brincar.

Sugerimos que você mantenha no quarto apenas alguns destes brinquedos que a criança utiliza em “ismos”. Por exemplo, se sua criança costuma brincar de forma repetitiva e isolada com trens e possui 50 trens, diminua o número de trens no quarto para apenas 6. Se a criança gosta de ficar em “ismo” com barbantes, mantenha dois barbantes no quarto ao invés de um saco inteiro de barbantes.

Nós não acreditamos que seja necessário ter sempre um par de cada brinquedo, mas recomendamos que você tenha 2 de cada brinquedo que sua criança gosta de brincar em isolamento para que você possa se juntar à criança utilizando o mesmo brinquedo.

Muitos pais perguntam quantos brinquedos eles deveriam ter no quarto. O objetivo é oferecer uma variedade de brinquedos diferentes, mas que a prateleira não esteja tão cheia a ponto de ficar difícil para que você e a criança vejam quais são os brinquedos disponíveis. Nossos quartos de brincar/interagir em nosso centro de atendimento possuem 3 prateleiras com 2,5 m de comprimento, e parte da prateleira é reservada para lanches, bebidas, trocas de roupas, fraldas, etc.”

Direitos autorais reservados para The Option Institute and Fellowship © 2001.

Utilize brinquedos como aqueles que as crianças utilizavam 40 anos atrás. Muitos dos brinquedos eletrônicos modernos, aqueles encontrados hoje em grandes lojas de brinquedos, tendem a estimular que a criança se entretenha sozinha com o brinquedo ao invés de estimular que ela brinque com o brinquedo de forma interativa.

Brinquedos como os “antigos” incluem:

✦blocos grandes para montar
✦bolhas de sabão
✦brinquedos de borracha que podem ser mordidos
✦carrinhos/aviões/trens sem bateria
✦bolas
✦jogo de boliche de plástico
✦baldes
✦2 bolas grandes de fisioterapia
✦pequena cama elástica
✦pequeno escorregador
✦brinquedos para incentivar o uso da imaginação (ex: cesta de piquenique, louças e comidinhas de plástico, kit de médico, dinheiro de brincadeirinha, etc.).
✦jogos tipo dominó, jogo da memória, quebra-cabeças
✦jogos de tabuleiro (ex: jogos físicos como “Twister”, jogos cooperativos, jogos onde os participantes agem como diferentes personagens ou animais, jogos com perguntas sobre fatos ou perguntas pessoais, etc.) Importante: podem ser confeccionados em casa para que se empregue os interesses únicos de cada criança ou adulto.
✦livros
✦letras e números de plástico ou outro material dúravel
✦material para colorir, desenhar e escrever (papel, cartolina, giz de cera, canetinhas, tesoura sem ponta, fita crepe, lousa, etc)
✦instrumentos musicais simples (tambor, pandeiro, gaita, flauta, sino, xilofone, chocalho, microfone que amplifica a voz sem utilizar pilha ou bateria)
✦acessórios para fantasias (ex: tapa-olho de pirata, avental, máscaras de animais, capas, chapéus, óculos de plástico, etc.),
✦caixa sensorial (ex: lenços, penas, luvas de borracha, escovas, objetos com formatos diferentes e tecidos com texturas variadas)
✦bichos de pelúcia/personagens favoritos/bonecos
✦fantoches de mão e dedo
✦pintura facial
✦cobertor
✦bexigas para encher

Você não precisa ter todos os brinquedos mencionados. Escolha os brinquedos e objetos que você acha que seu filho poderia se interessar. Lembramos que o importante é prover brinquedos e objetos que sejam do interesse de seu filho. Se ele gostar de retalhos coloridos, providencie retalhos coloridos, se gostar de dinossauros, ofereça dinossauros, etc.

Os brinquedos, em sua maioria, podem ser confeccionados em casa e improvisados com diversos materiais, como por exemplo caixas de papelão, panos, baldes e potes, garrafas de plástico.

Talvez seja melhor manter alguns dos acessórios de fantasias e objetos para atividades de imaginação fora do quarto e apenas trazê-los para dentro quando você for utilizá-los na sessão. Isso ajuda a manter o quarto e as prateleiras menos lotadas (o que acontece muito!).

Recomendamos poucos quebra-cabeças, pois eles costumam ser atividades menos interativas.
Jogos de tabuleiro podem ser úteis para crianças em um estágio de desenvolvimento mais avançado, mas não os utilizaríamos o tempo todo.

Por fim, é ótimo quando a criança brinca com os brinquedos da prateleira, mas muitas crianças simplesmente não se interessam pelos objetos e brinquedos da prateleira. Tudo bem se isso acontecer. A nossa prioridade está na interação. Se você conseguir interações que envolvam canções, brincadeiras físicas ou que não envolvam nenhum brinquedo, continue a estimular essas
atividades e não se preocupe com os brinquedos.

Extraído do site Inspirados pelo Autismo

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Habilidades extraordinárias

Uma imagem distorcida que muitos tem dos autistas refere-se à crença de que todos são gênios matemáticos, fato erroneamente apresentado pela maioria dos filmes, como Rain Man. Existem de fato autistas com habilidades extraordinárias, denominados de autistas de "alto desempenho", mas que são uma minoria, representando menos de 5% dos portadores do distúrbio.

Autistas de alto desempenho apresentam uma memória surpreendente, além de outras habilidades extraordinárias que não são exibidas pela maioria das pessoas, tais como cálculo matemático, habilidades artísticas e musicais. Com relação à memória, apresentam um grande desenvolvimento da memória fotográfica, da memória auditiva e da "memória de calendário", eles são capazes de se lembrar e responder prontamente, por exemplo, que dia da semana foi 20/02/2002. Eles também podem se lembrar de datas de nascimento e morte de amigos ou de pessoas públicas como de presidentes, artistas e de suas famílias. Costumam também se lembrar de pessoas que não vêem há mais de 20–30 anos.

A razão pela qual alguns indivíduos autistas apresentam estas habilidades ainda é desconhecida. É possível pensar em uma compensação de regiões cerebrais especializadas dada a deficiência de outras.

Existem muitas teorias, mas nenhuma evidência sustenta qualquer uma delas. Dr. Rimland do Center for the Study of Autism, nos EUA, especula que estes indivíduos "têm uma inacreditável habilidade de concentração e podem focalizar completamente a sua atenção em uma área específica de interesse".

Outros dois pesquisadores Dr. Bruce Miller da University of California em São Francisco e Allan
Snyder da Australian National University, constataram que quando determinada parte do cérebro era "desligada", em geral o lobo temporal esquerdo, pessoas eram capazes de manifestar habilidades extraordinárias. Segundo o professor australiano quando uma parte do cérebro não funciona adequadamente ela desbloqueia uma parte que até então encontrava-se inerte. Seguindo essa idéia qualquer pessoal poderia ter, através da inibição do funcionamento de certas regiões cerebrais, habilidades extraordinárias.

A memória fotográfica é um bom exemplo de habilidade altamente desenvolvida por alguns portadores desta deficiência. Este fato parece ser fruto de hiper-desenvolvimento de determinadas áreas do cérebro em detrimento de outras que ficam bastante comprometidas como a linguagem e a capacidade de planejamento. Este desequilíbrio parece mesmo ser uma anomalia ainda que seja desejável.

Os autistas de alto desempenho apresentam uma variação entre três classes de comportamentos:

Splinter skills - tipo mais comum, onde o portador da síndrome apresenta obsessivo hobby por memorizar certas coisas como fatos esportivos, lista telefônica, horário de trens, menus de restaurantes, etc.

Talented skills - pessoas com habilidades mais bem desenvolvidas e especializadas, tais indivíduos podem ser capazes de pintar belos quadros, ou fazer complexos cálculos matemáticos de cabeça.

Prodigious skills - este é o mais raro tipo, estima-se que existam menos de 25 indivíduos em todo o mundo. Pessoas deste grupo podem ser capazes de tocar um concerto inteiro de piano depois de ter ouvido-o apenas uma vez.

Dentre as habilidades fenomenais apresentadas pelos autistas destacam-se:

Habilidades Musicais - geralmente relacionadas a pianos, alguns autistas podem tocar sem nunca ter sido ensinado. Como exemplo temos o pianista Derek Paravicini que aos quatro anos de idade era capaz de tocar, tendo aprendido sozinho.

Habilidades Artísticas - como capacidade de desenhar, pintar e esculpir. Como exemplo temos o pintor Richard Wawro, que além de autista é cego. Seu trabalho pode ser encontrado em
www.wawro.net/gallery_home.html. Outro exemplo é o artista Stephen Wiltshire que tem a capacidade de desenhar prédios, tendo-os visto apenas uma vez. Uma amostra do seus trabalhos está disponível em http://www.stephenwiltshire.co.uk/.

Habilidades Matemáticas - capacidade de trabalhar com complexas somas de cabeça ou calcular datas do calendário.

Outras Habilidades - Capacidade de saber as horas sem consultar um relógio, incrível senso de direção e memorização de mapas.

Trabalho acadêmico da Unicamp - Álisson Fernandes e outros.

domingo, 20 de julho de 2008

Peu e o Zac Browser

Instalei no computador de Peu o Zac Browser (navegador para Internet criado pelo canadense John LeSieur para o seu neto Zackary 6 anos, autista) para ver como ele interagia com o programa. Logo de cara ele se encantou com a tela de entrada que é um aquário virtual muito realista, de imediato ele começou a explorar os ícones que ficam na parte inferior da tela e começou a navegar.

Os ícones são divididos em quatro categorias:
Games – jogos educativos;
Television – trechos de desenhos animados e filmes infantis;
Music – Brincadeiras com música.
Stories – Pequenas historinhas infantis.

Peu tem navegado em todas as categorias e experimentado a maioria dos sites. Pena que todos os sites estejam na língua inglesa. A única dificuldade encontrada por Peu é a forma de sair do browser que precisa da combinação das teclas CTRL + L , um pouco difícil para quem ainda não aprendeu a usar o teclado.

Avô elabora navegador para neto autista

BRIAN BERGSTEIN da Associated Press

John LeSieur atua na área de softwares, de forma que lhe chamou a atenção o fato de os computadores parecerem não ter utilidade nenhuma para seu neto de seis anos de idade, Zackary. O garoto sofre de autismo, e o grande número de opções oferecido pelos PCs confundiam-no de tal forma que Zackary, frustrado, costumava atirar o mouse longe.

LeSieur tentou encontrar ferramentas on-line que poderiam guiar uma criança autista na internet, mas não encontrou nada que fosse satisfatório. Então criou um programa que, em homenagem ao neto, chamou de Browser Zac para Crianças Autistas. Agora, o software pode ser obtido gratuitamente por qualquer interessado (http://www.zacbrowser.com/).

O Browser Zac simplifica a tarefa de usar um computador. Ele bloqueia o carregamento de vários sites, impedindo o acesso a materiais violentos, de conteúdo sexual ou qualquer outro tipo dirigido apenas a adultos. E apresenta um número limitado de sites gratuitos e públicos, com ênfase em jogos educacionais, músicas, vídeos e imagens divertidas, como a de um aquário virtual.

Outros programas para crianças já possibilitam ingressar na internet de forma protegida. O browser de LeSieur, porém, assume o comando do computador e reduz a quantidade de controles disponíveis --para crianças como Zackary, um número excessivo de opções pode ser estressante.

Ele desliga, por exemplo, a tecla Print Screen e o botão direito do mouse. Isso elimina comandos dos quais as crianças não precisarão e reduz a chance de que um menino autista perca confiança após clicar em algo que o atrapalharia.

Ao utilizarem o navegador de LeSieur, as crianças selecionam as atividades clicando em ícones maiores que os normais, como uma bola de futebol para jogos e uma pilha de livros para histórias. O Browser Zac também configura a tela para barrar propagandas e outros tipos de distração que eventualmente surgiriam diante do usuário.

Resultados

O autismo costuma prejudicar a capacidade de comunicação do doente, e Zackary não fala muito. Mas a mãe dele, Emmanuelle Villeneuve, contou que o garoto consegue abrir o Browser Zac sozinho. Ele gosta de ouvir música por meio do programa e tentar solucionar alguns quebra-cabeças.

Zackary continua a agir de forma agressiva contra a TV, mas não tenta mais quebrar o computador.

LeSieur não criou o browser consultando pessoas consideradas especialistas nos vários tipos de autismo. A pequena empresa de software que ele dirige, a People CD, fez o Browser Zac, basicamente, para atender às necessidades de Zackary e concluiu que tal instrumento talvez ajudasse outras crianças autistas.

As primeiras avaliações sobre o software foram positivas. Agora LeSieur pretende adaptar o programa a fim de que os pais possam sugerir o acréscimo de novos conteúdos.

Tradução de RODRIGO CAMPOS CASTRO da Folha Online

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Musicoterapia 2

A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.

A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.

De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.

Como atua o musicoterapeuta?

O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.

A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a "afinação" do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.

O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.

Indicações da musicoterapia

Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados.

Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.

Que música é a mais indicada?

Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.

Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.

Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.

Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.

A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.

Extraído do site Boa Saúde

Musicoterapia 1

Música estimula comunicação de autistas com o mundo
Da Folha Online

A área de atuação do musicoterapeuta é diversificada. Pode se dedicar a autistas, deficientes mentais, pessoas com distúrbios neurológicos,empresas, escolas ou meninos de rua.

A musicoterapia aplicada em autistas tem dado resultados positivos. A música é a única ponte de comunicação possível para os portadores deste tipo de transtorno neurológico.

Nesses pacientes, a música não verbalizada é decodificada no hemisfério direito do cérebro (subjetivo e emotivo). Ela se move até o centro de respostas emotivas, localizado no hipotálamo, e passa para o córtex (responsável pelos estímulos motores e do intelecto).

Os sons verbais, no entanto, não "funcionam" dessa forma porque são registrados no hemisfério esquerdo, na região cortical (analítica e lógica) diretamente do aparelho auditivo.Em resumo, no autista, a música atinge em primeiro lugar a emoção para depois passar para reações físicas, como o batucar, por exemplo, nas pessoas normais. Dessa forma, o autista consegue interagir com o terapeuta.Pacientes que sofreram lesão do lado direito do cérebro, podem ter a percepção melódica comprometida.

O tratamento com musicoterapia, nesse caso, utiliza estímulos sonoros nas adjacências da área lesada, que criará novas conexões cerebrais.

Em casos com pacientes em coma, os resultados também foram bons. Com fones de ouvido, o paciente ouve fitas gravadas com vozes das pessoas queridas, músicas preferidas, sons da casa e da natureza. Os depoimentos de pessoas que saíram do coma confirmaram o auxílio da musicoterapia: elas tinham as lembranças reavivadas com os sons, o que motivava o indivíduo a viver.

A terapia também atua em hospitais, principalmente no auxílio a crianças emocionalmente instáveis, portadoras de doenças graves. Crianças que desenvolveram câncer, por exemplo, fazem uma sessão de musicoterapia antes de serem "bombardeadas" pela quimioterapia.
Na área social, há iniciativas com meninos de rua que visam trabalhar a auto-estima, aumentar a confiança e ensinar a se autovalorizem. (Jorge Blat)

Fontes: Maristela Pires da Cruz Smith, presidente da Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo, e Conceição Rossi, musicoterapeuta e terapeuta holística da Endocrino-Clínica de São Paulo.

Coelho Sabido Maternal

Peu desde os dois anos e meio de idade ficava me observando jogar no computador nos sites dos Teletubbies e Sesame Street e eu notava que ele tinha uma grande vontade de também jogar, porém, o uso do mouse era um problema ele pegava minha mão e a direcionava para o que ele queria fazer . Comentei isso com a sua fonoaudióloga Marcela Valente e ela começou a usar nas terapias o jogo do Coelho Sabido Maternal, foi um sucesso total em pouco tempo Peu não só aprendeu a usar o mouse como já dominava todas as fases do jogo. Hoje em dia ele mesmo liga o computador, clica no ícone do Internet Explorer, clica na estrelinha dos favoritos, navega e brinca pelos sites que ele mais gosta. O jogo Coelho Sabido foi decisivo para esse aprendizado.

Abaixo uma descrição do jogo retirada do site da Divertire.

Em um mundo colorido, repleto de canções e nove atividades lúdicas, as crianças trabalham habilidades básicas e necessárias para seu desenvolvimento. Este software foi projetado para que a criança adquira segurança ao ser introduzida ao uso do computador concentrando-se nas tarefas, sem a necessidade de clicar o mouse durante as atividades.

Exercita a percepção visual e auditiva, a coordenação motora e a memorização. Desenvolve habilidades essenciais ao processo de alfabetização, como identificação de cores, contagem de números, reconhecimento de letras, formas e sons. Acompanha guia para pais e professores, com sugestões sobre como aproveitar ao máximo as possibilidades pedagógicas oferecidas pelo programa.

Opinião de Profissionais da Área

A Linha educacional da Divertire vem sendo usada por vários profissionais como ferramenta complementar de ensino. Veja abaixo a opinião de alguns conceituados profissionais da área:
"...O game educativo "Coelho Sabido" foi muito bem projetado pedagógicamente. Fiquei impressionada com o grande desenvolvimento das crianças. Enquanto observava o rendimento de meus alunos, pude perceber, que apesar de ter muitas opções de softwares, eles sempre procuravam oCoelho Sabido..."
Lilian Machiaverni - Estudante de Pedagogia - Informática na Educação Puc-SP

“A coleção Coelho Sabido é uma linha de programa onde as crianças aprendem brincando. Além de ser um software muito bem elaborado pela parte visual e pedagógica, ele consegue prender a atenção dos alunos. As suas figuras e personagens são ricos. O colorido é muito bem distribuído. E o mais interessante de tudo é a interação que as crianças têm com eles.”
Célia Maria de Lins do Nascimento Cabral - Coordenadora de Informática - Colégio Agostiniano São José

“Através dos softwares da Divertire, estamos desenvolvendo atividades de valores humanos (compartilhar, respeitar o outro e auxiliar o amigo) com as crianças. Nesta primeira fase, temos utilizado o Coelho Sabido Maternal, Família Cósmica e Encantando. Como resultado, temos visto o envolvimento das crianças e o auxílio da informática como ferramenta impulsionadora da aprendizagem.”
Luciane Ferreira - Coordenadora Sócioeducacional CDI - Comitê para a Democratização da Informática

Tela principal do jogo

Coelho Sabido Maternal
Faixa etária: 18 meses a 3 anos
Software em português

Onde encontrar: Divertire - Educacionais

terça-feira, 15 de julho de 2008

O estranho caso do cachorro morto

Christopher Boone odeia coisas marrons e amarelas. Perde a fome quando, no seu prato, um tipo de comida encosta em outro. Sabe de cor todas as capitais do mundo e os números primos até 7.507. Adora assistir a documentários no Discovery Channel. Detesta piadas e metáforas, porque quase nunca as entende. Gosta muito de cachorros (que não fazem piadas) e bem pouco de lugares lotados. Quando está nervoso, faz contas mentalmente para se acalmar.

Chris é o protagonista de O estranho caso do cachorro morto (Editora Record), livro daqueles que quando você termina, fica tentando lembrar há quanto tempo não lia algo tão bom. Seu genial autor, Mark Haddon, conta alguns meses da intrigante vida desse menino de quinze anos que sofre de uma espécie de autismo chamada Síndrome de Asperger. Fã de Sherlock Holmes, o garoto decide investigar a morte de Wellington, o cachorro da vizinha. Tudo porque, de repente, ele é o principal suspeito do crime e acaba sendo preso - emoções demais para Chris.

Quando conta suas aventuras à sua professora (em uma escola para garotos especiais), ela sugere que escreva um livro, relatando e organizando todas as suas investigações sobre o assassinato. O resultado desse trabalho é o próprio livro O estranho caso do cachorro morto.

Assim sendo, a linguagem é bem simples e cativante e há vários gráficos, tabelas e diagramas explicando as pistas - o que pode soar maçante tem o efeito contrário quando sai da cabeça de Chris: deixa o livro ainda mais intrigante.

Mas não foi só na maneira de escrever que Mark Haddon expressou um profundo conhecimento da doença. Ajudante de classe em uma escola como a do protagonista por alguns anos, ele conviveu com crianças autistas e soube expressar essa experiência no livro. Prova disso é o artigo de um adolescente que sofre do mesmo mal elogiando Haddon e encontrando várias semelhanças entre Chris e ele mesmo.

Logo nas primeiras páginas, Chris deixa bem claro que esse não será um livro engraçado. No entanto, fica difícil não rir (ainda que com uma dose de constrangimento) das trapalhadas e da falta de malícia do garoto. Ainda mais difícil é deixar o livro de lado antes de chegar à última página.
Editora: Record
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 287
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Resenha extraída do site Omelete

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Novas descobertas sobre o autismo

Após anos no escuro, uma luz para quem sofre de autismo. Cientistas de Harvard descobriram seis genes envolvidos no distúrbio que sugerem que a doença se desenvolva nos cérebros incapazes de realizar novas conexões. O mais importante do estudo é mostrar que a doença é tão individual que um simples teste genético não é capaz de detectá-la.

A descoberta explica também porque programas de educação para crianças autistas surtem efeitos: eles estimulam genes ligados à experiência que estavam "desligados". "Os circuitos estão lá, mas você precisa dar um empurrão extra neles", explica o Dr Gary Goldstein, do Instituto Kennedy Krieger de Baltimore, nos Estados Unidos.

Estudos com famílias que apresentam diversos casos da doença mostraram que genes são determinantes para a formação do autismo. Porém, segundo o Dr Chistopher Walsh, chefe de genética do Hospital Infantil de Boston, nos EUA, eles correspondem apenas a 15% da doença. "Quase toda criança autista tem sua causa particular para o distúrbio", afirma.

Para chegar a maiores resultados, a equipe de Walsh foi até o Oriente Médio para investigar a existência de genes raros - lá, as famílias são grandes e é comum primos se casarem. 88 famílias com altos índices de autismo foram recrutadas na Jordânia, Arábia Saudita, Kuwait, Paquistão, entre outros, e tiveram seus DNAs comparados. Em algumas, foram achados grandes buracos no código genético, nos quais cerca de pelo menos seis genes eram ligados ao autismo.

Com isso, ficou mais próxima a hipótese de que o autismo é ligado à desordem nas sinapses - ligações químicas realizadas entre extremidades de neurônios. Isso porque todos os genes em falta eram ligados à aprendizagem, que é obtida através da resposta sináptica de neurônios a novas experiências.

Apesar de parecer ruim, a descoberta feita no Oriente Médio é considerada "esperançosa", pelo Dr Walsh. Segundo ele, o DNA em falta nem sempre se acarreta falta de genes. Na verdade, muitos genes estão apenas "dormindo", precisando de estímulos para funcionar e realizar sinapses.

"Essa pode ser uma maneira antecipada de desenvolver terapias ao longo prazo para autistas: identificar crianças nas quais os genes não estão"ligados" da maneira certa", defende Walsh.

Notícia retirada do site SRZD Sydney Rezende

domingo, 13 de julho de 2008

Em busca de vacinas mais seguras

Rejane Corrêa Marques , Jornal do Brasil

RIO - A comunidade científica tem sido confrontada com acusações de encobrir provas de que a presença de mercúrio em vacinas infantis causa autismo. A principal alegação é a de que o timerosal, substância à base de mercúrio usada para conservar vacinas, exporia crianças aos prováveis efeitos adversos atribuídos a esse elemento.

Os defensores da substância afirmam que os dados não sustentam uma relação causal. Já os críticos não estão convencidos da validade desses dados. De qualquer maneira, atualmente, quase todas as vacinas administradas em crianças norte-americanas e européias são isentas de timerosal. No Brasil, a substância ainda é usada como conservante de vacinas nos programas de imunização.

A vacinação é uma das maiores conquistas da saúde pública do século passado e a principal contribuição para o controle das doenças transmissíveis e de mortes causadas por elas. É inquestionável. Porém, nos últimos anos, cresceu a suspeita de que o timerosal das vacinas causaria autismo e outras doenças devido à ação tóxica do mercúrio presente em sua composição. O problema seria agravado pelo aumento do número de vacinas que as crianças recebem.

Nos Estados Unidos, por exemplo, entre os anos 80 e 90 foram acrescentadas ao calendário de imunização, além das já 'tradicionais' cinco doses da vacina tríplice bacteriana (a DPT, contra difteria, tétano e coqueluche), três doses da vacina contra o vírus da hepatite B (a primeira nas 12 horas iniciais de vida) e quatro doses de vacina contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo b.

Além disso, passou a ser recomendada a aplicação de três doses da vacina contra gripe (a primeira aos seis meses de idade). No total, o mercúrio das vacinas poderia chegar a 200 microgramas (µg) administrados nos primeiros seis meses de vida da criança.

Durante essas décadas, o número de casos de autismo nos EUA aumentou consideravelmente, e o timerosal foi apontado como uma possível causa, levando a uma reação dos defensores da substância. A comunidade científica, infelizmente, não tem ajudado no caso, aparecendo, para o público, na defesa incondicional do conservante, banalizando a questão ou mostrando indiferença em relação ao tema.

Alerta e confiança

Em 2001, a venda de produtos à base de timerosal (como o mertiolate e o mercurocromo) foi suspensa no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso do composto alegando que ofereceria risco aos usuários. Em comunicado à imprensa, a Anvisa diz que a decisão foi tomada "tendo em vista a tendência mundial da diminuição da exposição de seres humanos a produtos à base de derivados de mercúrio", e determina a imediata "proibição da utilização de derivados de mercúrio em medicamentos fabricados no Brasil, exceto vacinas".
No Brasil, dependendo do fabricante, a dose da vacina contra hepatite B pode ter de 12,5 µg a 25 µg de mercúrio e cada dose da vacina combinada DTP+Hib pode ter de 25 µg a 50 µg desse elemento. Segundo a Agência de Proteção Ambiental americana, qualquer líquido que contenha mais de 0,2 µg de mercúrio é classificado como resíduo perigoso. Portanto, é difícil acreditar que níveis de mercúrio 60 a 250 vezes mais elevados do que esse parâmetro possam ser chamados de "minúsculos", como querem os defensores do timerosal.

Já é consenso científico (corroborado pela Organização Mundial da Saúde) que o mercúrio é tóxico; que as crianças, nos primeiros meses de vida, são mais suscetíveis a interferências no desenvolvimento neurológico causado pela exposição ao elemento; e que prevenir tal exposição nos períodos críticos do desenvolvimento do sistema nervoso central deve ser objeto de estratégias de saúde pública. Por que então permitir que o mercúrio continue presente nas vacinas?

A vacina contra hepatite B, administrada nas primeiras 12 horas de vida, não representa um risco ainda maior para recém-nascidos? Essa é a dose mais desafiadora: devido à pequena massa corporal dos bebês, o impacto do mercúrio nessa dose equivale ao dobro das doses somadas das vacinas DTP e hepatite B aos seis meses de idade.

À luz dos fatos, uma quantidade substancial de crianças no mundo inteiro está recebendo, por meio das vacinas, doses de mercúrio acima do limite considerado seguro. Para manter a confiança do público nas vacinas, devemos garantir que sua segurança seja levada a sério e que, quando indicado, ações sejam tomadas no devido tempo para reduzir o potencial de risco.

Matéria publicada no Jornal do Brasil em 12/07/2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Vídeo - O que nos pediria um autista?


Vídeo espanhol em homenagem aos alunos autistas da escola C.E.I.P Francisco Giner de los Ríos de Mairena del Aljarafe em Sevilla.


O Programa Son-Rise

O Programa Son-Rise apresenta uma abordagem altamente inovadora e dinâmica ao tratamento do autismo e outras dificuldades de desenvolvimento similares. O Programa Son-Rise não é um conjunto de técnicas e estratégias a serem utilizadas com uma criança. É um estilo de se interagir, uma maneira de se relacionar com uma criança que inspira a participação espontânea em relacionamentos sociais. Os pais aprendem a interagir de forma prazerosa, divertida e entusiasmada com a criança, encorajando então altos níveis de desenvolvimento social, emocional e cognitivo. O Programa Son-Rise baseia-se na experiência com crianças com autismo que são capazes de alcançar elevados níveis de progresso quando abordadas de uma maneira em que a relação entre pessoas é valorizada.

Psicólogos e especialistas em desenvolvimento infantil têm apontado há décadas que crianças que possuem um desenvolvimento típico aprendem melhor através de experiências interativas e emocionalmente prazerosas com outras pessoas. Nestas interações, a criança é um participante
ativo ao invés de um recipiente passivo de informação. Nos últimos dez anos, os pesquisadores têm percebido que o mesmo vale para crianças com autismo e dificuldades similares. As novas perspectivas e pesquisas em relação ao autismo estão começando a perceber recentemente aquilo que o Programa Son-Rise já vem praticando há anos. Este programa tem sido utilizado internacionalmente por mais de 30 anos com crianças representantes de todo o Espectro do Autismo e dos Transtornos Globais do Desenvolvimento.

O Programa Son-Rise oferece uma abordagem prática e abrangente para inspirar as crianças a participarem ativamente em interações divertidas e prazerosas com os pais, outros adultos e crianças. O corpo de experiência do Programa Son-Rise demonstra que quando uma criança com autismo passa a participar deste tipo de experiência interativa, ela torna-se aberta, receptiva e motivada para aprender novas habilidades e informações. Há crianças que fizeram notáveis progressos ao participar de Programas Son-Rise, algumas delas recuperando-se completamente e “abandonando” seus anteriores diagnósticos.

O Programa Son-Rise propõe a implementação de um programa dirigido pelos pais no domicílio da criança partindo da compreensão de que a participação da criança em interações dinâmicas, envolventes e estimulantes é fator chave para o tratamento e recuperação do autismo. O papel dos pais é essencial para o processo de tratamento.

Nenhuma criança se desenvolve em ambiente inerte. Todas as crianças desenvolvem-se dentro do contexto familiar e social em que estão inseridas. O Programa Son-Rise ajuda os pais a construírem um ambiente social otimizado que estimule uma profunda ligação emocional com sua criança.
Primeiramente, os pais aprendem a construir interações estimulantes e participativas com sua criança. Devido às diferenças neurológicas apresentadas por uma criança com autismo, os pais aprendem um novo estilo de interação que difere de como eles se relacionam com crianças de desenvolvimento típico. Durante todo este processo, o crescimento emocional dos pais é enfatizado. Orientação atitudinal é oferecida para os pais para ajudá-los a trabalhar quaisquer crenças limitantes ou sentimentos negativos em relação a eles mesmos, à criança ou ao diagnóstico da criança. Instruções práticas são oferecidas para auxiliar os pais na criação de uma nova perspectiva que os habilite para que se relacionem com a criança a partir de um profundo sentimento de apreciação e alegria.

Como um segundo passo, os pais aprendem a construir experiências interativas estimulantes que convidam sua criança a desenvolver-se socialmente dentro de um currículo claramente definido. O Programa Son-Rise não adota técnicas como “Discrete Trial Training” ou técnicas de repetição de informações. Toda a aprendizagem acontece no contexto de uma interação divertida, amorosa e espontânea que inspira tanto pais como criança. Pais que utilizam o Programa Son-Rise relatam não somente um progresso magnífico no desenvolvimento da criança, mas também uma melhora dramática em seu próprio bem-estar emocional. Isto causa grande impacto em suas interações com a criança com autismo, repercutindo também em muitas outras áreas de sua vida pessoal.

Todo crescimento neurológico é solidificado através de ações. Decidir adotar uma nova perspectiva é uma coisa, investir em ações físicas derivadas desta perspectiva é que a tornará uma realidade para você.

Ao brincar com a criança com autismo de uma maneira em que a criança participe mentalmente, emocionalmente e fisicamente, um novo crescimento cerebral estará sendo solidificado.

Trecho retirado do site Inspirados pelo Autismo

Nascido em um dia azul

Essa é a história de Daniel Tammet: autista, gênio da matemática, recordista na aprendizagem de idiomas estrangeiros e uma das chaves para entendermos o funcionamento do cérebro humano.

Esse livro de memórias, que revela a maneira de pensar de um autista fenomenal, conquistou o 2º lugar na lista de mais vendidos do The New York Times. Daniel Tammet é considerado por cientistas uma das chaves para compreender o funcionamento da mente. Gênio da matemática, campeão de xadrez e recordista na aprendizagem de idiomas, esse inglês de 27 anos é capaz de aprender línguas estrangeiras em uma semana, ou de memorizar e recitar 22.514 casas decimais do número pi diante de uma platéia de acadêmicos, em Oxford.


Mas em Nascido em um dia azul o autor relembra sua confusa e dolorosa infância, quando se sentia isolado e limitado pela incapacidade social que marca pessoas como ele ? um portador da síndrome de savant e da síndrome de Asperger.

Crianças com esses distúrbios têm dificuldades de relacionamento, de compreender frases ou piadas de duplo sentido, de captar nuances emocionais do comportamento humano, ou de dirigir automóveis.

Apesar dessas limitações, ele se tornou professor de línguas estrangeiras, é atração de programas de televisão e de universidades com suas habilidades singulares para fazer cálculos com velocidade, graças à forma especial como consegue lidar com números. Assim como o personagem de Dustin Hoffman no filme Rain Man, Daniel dá lições de superação, engajamento social e afetivo, raras para um jovem nas suas condições.

Acredita-se que seu desenvolvimento tenha sido facilitado pelo estímulo recebido no relacionamento com seus oito irmãos e com pais amorosos e tranquilizadores. O fato é que o fenômeno do cérebro de Daniel é hoje pesquisado pelo neurocientista V.S. Ramachandran, diretor do Centro do Cérebro, na Universidade da Califórnia. Sua vida, narrada neste relato pleno de poesia e entusiasmo, se tornou tema do documentário The Boy with the Incredible Brain, destaque na televisão britânica.

Título: Nascido Em Um Dia Azul
Título Original: Born on a blue day
Autor: Daniel Tammet
Editora: Intrinseca
Edição: 1
Número de Páginas: 192

Vídeo - Autismo: 1 em cada 150 meninos

O número de casos de autismo tem aumentado em todo o mundo, estimativas mais radicais sugerem que há um autista para cada 150 pessoas, suspeita-se que haja 1 milhão de casos ocultos no Brasil.
O autismo existe.
Preste mais atenção.


Vídeo - O Autismo Existe

Vídeo publicitário criado pela APPDA - Lisboa (Associação Portuguesa para as Pertubações do Desenvolvimento e Autismo).


O Antonio vive num mundo a parte, num mundo de mal-entendidos.
O primeiro passo para ajudá-lo é reconhecer que ele é diferente.
Porque apesar de muitas vezes não ser fisicamente visível...
...o autismo existe.
Preste mais atenção.


sábado, 5 de julho de 2008

Aromas de Portugal

O Mundo de Peu recebeu um visitante ilustre no dia 29 de junho de 2008, Mário Relvas criador do blog Aromas de Portugal, site que eu visito com freqüência e que também trata do tema autismo em terras lusitanas. Em seu perfil ele se identifica como: "Um pai em permanente busca dos caminhos fechados do Autismo, na perspectiva da ajuda ao Cidadão Diferente e suas Famílias".

Obrigado Mário por sua visita e suas palavras de apoio.

Avós de autistas

Assim como para os pais, irmãos e irmãs, é difícil também para os avós quando ficam sabendo que seu neto recebeu um diagnóstico do espectro do autismo. Eles vivenciam várias emoções que serão distintas para cada um e podem incluir choque, negação, dor e preocupação ou uma combinação desses.

Às vezes, o diagnóstico é recebido como choque total. Neste caso, os avós podem não acreditar no que ouviram. Podem achar que o comportamento da criança é conseqüência de má disciplina ou que o diagnóstico é apenas outra palavra para mau comportamento. Talvez nunca tenham ouvido falar de síndrome de Asperger. Talvez conheçam ASD ou uma criança com esse diagnóstico que seja diferente do seu neto. Pode achar o neto “muito inteligente” para ter ASD, sobretudo se ele tiver algumas aptidões isoladas precoces como aprender os números e cores bem antes de outras crianças de mesma idade. Podem tentar oferecer conforto ao dizer que a criança “acabara superando tudo”. Muitos dos pais com quem conversamos contam como é difícil para eles quando seus pais não conseguem aceitar o diagnóstico. Podem ter passado por um longo processo, aceitando o diagnóstico aos poucos. Em sua dor, esquecem que as informações e o tempo ajudarão na aceitação e que seus pais também precisarão de ajuda para entender.

Os avós sofrem também. Ficam cientes de que o neto talvez não seja capaz de fazer coisas que esperavam. Eles se preocupam com o futuro da criança, mas também com o fato de como ter um neto com ASD afastará seu filho ou filha.

Como os avós podem ajudar?

Quando fazemos essa pergunta aos pais, ouvimos diversas respostas:


  • Tentar aceitar o diagnóstico.

  • Lembrar que não ser um bom pai não causa ASD.

  • Tentar não criticar (ou ao menos fazer críticas construtivas).

  • Oferecer ajuda prática, se puderem.

  • Tentar não acusar. Comentários como “ele não herdou isto de nossa família” não ajudam em nada.

  • Apenar ouvir. Às vezes, os pais querem apenas lhes contar como é difícil para eles.

  • Conhecer o neto, descobrindo seus interesses com ele.

  • Apreciar o que o neto pode fazer e manter-se atento às novas aptidões que ele desenvolve.

Trecho extraído do livro "Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger"

O impacto emocional sobre a família

As famílias podem passar por uma variedade de emoções quando ficam sabendo que o filho tem autismo. Isso varia muito entre famílias, e cada membro da família tem que se preparar para sua jornada emocional. Cada pai é de um jeito e as respostas emocionais variam amplamente. Podem ou não vivenciar algumas das seguintes emoções em ocasiões diversas.

Alívio
Se os pais sentem-se frustrados por não serem levados a sério quanto às preocupações que tem com o filho, ou se o diagnóstico demora muito, eles às vezes vivenciam alívio temporário. Dizem que finalmente começam a entender o comportamento do filho e a obter a ajuda certa.

Culpa
É muito comum os pais acharem que fizeram algo errado durante a gestação ou nos cuidados do filho. Se você se sente assim, não é o único. Mas lembre-se, as pesquisas mostram que as crianças não desenvolvem ASD em conseqüência de algo errado que os pais fizeram ao cuidar deles.

Perda
A maioria dos pais tem sonhos e aspirações para os filhos tanto antes de nascerem quanto quando são pequenos (“ela será bailarina”, ”ele vai torcer para o meu time de futebol”,”ela vai se formar, casar-se e nos dar netos”). Isso acontece principalmente antes do primeiro filho; eles têm uma idéia de como gostariam que ele fosse. A medida que observamos nosso bebê crescer, a maioria de nós precisa adaptar essas idéias enquanto vai conhecendo o indivíduo que ele é e, aos poucos, percebemos que tem personalidade e individualidade próprias. Podemos ajudar a moldar personalidades e nutrir nossos filhos, mas não podemos fazer deles algo que não são.

Esse processo é acentuado em crianças com ASD quando entendemos que talvez elas nunca poderão fazer, com facilidade, algumas das coisas que esperávamos ou desejávamos, ou que achamos naturais. Pais podem fazer perguntas como “Por que eu?” ou desejar que a situação fosse outra. Trata-se de uma reação normal a qualquer perda, até mesmo à perda de esperança no futuro.

Medo do futuro
Pais podem temer o futuro dos filhos. Quando a criança recebe o diagnóstico de ASD, os pais vivenciam não apenas tristeza e perda, mas vários temores em relação ao futuro que substituem as esperanças e as expectativas que tinham. É difícil nos ajustarmos a esses processos. Talvez as famílias tenham que rever suas aspirações para o filho e manter o futuro em mente à medida que a criança se desenvolve.

Buscar informações
Algumas famílias podem reunir o maior número possível de informações e entrar em contato com outros que têm experiência e compartilhar. Outras podem evitar informações e tentam esquecer tudo que faça lembrar o problema. Muitos jovens e suas famílias agora têm acesso à Internet e buscam suas próprias fontes de informação.

Como sobreviver a tudo isso

Em geral, talvez ajude:
  • Aceitar o diagnóstico de ASD e ajudar outros familiares a fazer a mesma coisa.

  • Encontrar uma rede de apoio de família ou amigos.

  • Obter informações precisas sobre ASD.

  • Desenvolver atitude, crenças e estratégias positivas para enfrentar a situação.

  • Desenvolver relacionamentos construtivos com a escola e serviços de saúde.

Trecho extraído do livro "Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger"