sábado, 20 de setembro de 2008

Crianças autistas aprendem quando brincam

A especialista Bryna Siegel destacou esta quinta-feira (15/05/2008), no Porto, a importância da brincadeira para a aprendizagem das crianças autistas, que aprendem "com maior facilidade, se estiverem em contato com objectos que gostam", noticia a agência Lusa.

Bryna Siegel, autora do livro "O mundo da criança com autismo - Compreender e tratar perturbações do espectro do autismo", caracterizou o comportamento dos autistas e apresentou várias técnicas que os pais e educadores podem implementar durante a aprendizagem das crianças.

"Sem a brincadeira, não há bases para a aprendizagem. Embora as crianças autistas não brinquem com os brinquedos da mesma forma que as outras crianças, aprendem com maior facilidade, se estiverem em contacto com objectos que gostam", afirmou Bryna Siegel, especialista em autismo, da Universidade da Califórnia.

Bryna Siegel relatou uma situação em que uma criança normal brinca com um caminhão, enquanto uma criança autista "coloca todos os caminhões numa fileira simétrica e analisa cada detalhe do brinquedo".

De acordo com Siegel, através da repetição das palavras e da pronúncia feita num tom de voz mais elevado, as crianças com deficiência social podem aprendem os nomes das cores, dos números, das partes do corpo, horas e datas.

Bryna Siegel disse ainda que os autistas compreendem "mais facilmente substantivos do que os verbos, porque fazem a relação com as coisas que vêem" e que os educadores devem utilizar fotografias para levá-los a pensar sobre o objeto.

Siegel explicou que a criança autista tem a tendência a não estar consciente dos sentimentos das outras pessoas e apresentam problemas de comunicação.

"Embora as crianças não falem, podem fazer-se entender. Conseguem brincar e relacionar-se com crianças normais e com as que falam outras língua, através da linguagem não-verbal", afirmou a investigadora.

Referiu também que "a criança autista é capaz de compreender que um sorriso e um aceno de cabeça podem ter significados positivos, que remetem a uma ação correta".

"Mas a criança que não compreende o gesto, não compreende o funcionamento da mente, por isso nem sempre pede ajuda porque não têm consciência de que os outros conseguem interpretar o mundo à sua volta", frisou Siegel.

Bryna Siegel é diretora da Clínica para o Autismo e professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia, em São Francisco.

O seu projeto mais recente, Jump Start, consiste num "modelo para ajudar crianças com autismo a aprenderem a aprender e ajudar os pais a integrarem serviços da escola e da casa".

Notícia extraída do jornal on-line IOL Diário Portugal

Um comentário:

  1. Marcelo, gostei muito do seu blog e em especial dessa matéria, inclusive irei procurar o livro para ler.

    Estou iniciando um blog sobre a influência da brincadeira na vida da criança e abrirei um espaço para o autismo, até porque tenho um... digamos um "relacionamento íntimo" com ele.

    Caso você não se incomode vou mencionar o seu blog. As matérias são muito interessantes, muita coisa que eu gostaria de colocar, mas que não quero ser repetitiva nem ficar "colando" ideias por aí. Sendo assim, gostaria da sua autorização para mencioná-lo algumas vezes.

    Desde já, obrigada.

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