terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Brincando com Peu no Playroom

Foi no workshop avançado que eu realmente entendi os conceitos do Programa Son-Rise. Apesar de eles parecerem simples, colocá-los em prática não é uma tarefa tão fácil, ou melhor, não era. Agora sim eu consigo aplicá-los com mais facilidade.

Poder fazer uma sessão no quarto de brincar faz toda a diferença, o quarto deve ser preparado de tal forma que não existam distrações nem para a criança nem para o adulto, deve ser um ambiente tranqüilo e acolhedor.

Quando estou no quarto com Peu procuro não pensar em mais nada além das atividades que estamos fazendo, esqueço de todas as preocupações e obrigações, não atendo telefonemas e peço para não ser incomodado. Esqueço do exterior por algum tempo e concentro todas as minhas energias nas brincadeiras e em nossas interações.

Se estiver com alguma preocupação ou minha energia não esteja boa prefiro não ir para o quarto, uma sessão realizada desta forma não trará resultados positivos.

Brincar com uma criança com autismo é um pouco diferente de brincar com uma criança neurotípica. A criança com autismo exige mais esforço de nós. O Programa Son-Rise tem como objetivo principal conseguir interação social com a criança, nas sessões ela é estimulada a fazer contato visual, melhorar o tempo de atenção compartilhada com o adulto e utilizar a linguagem para comunicação. Tudo isso através de atividades motivadoras e divertidas para a criança.

Estar com a criança no quarto vai muito além do ato de brincar:

- É juntar-se a criança quando ela estiver no estado isolado (juntar-se significa imitar de uma forma natural e espontânea os ismos que a criança faz);

- É dar pausas durante as atividades para permitir a criança assimilar o conteúdo da interação ou simplesmente relaxar;

- É não julgar um comportamento como bom ou ruim, certo ou errado, apropriado ou inapropriado;

- É ser grato por tudo que a criança fizer. Toda a resposta que a criança der ou tentativa de interação, mesmo, que seja pequena deve ser celebrada;

- É estar apaixonado pela criança. Nós aprofundamos o nosso amor para encorajar nossa criança a amar. Nossa paixão inspira a paixão dela.

- É nos movermos de uma atividade para outra de acordo com a vontade da criança, nós sugerimos as brincadeiras e atividades (não as impomos) cabe a criança aceitar, se não ela quiser nos movemos em outra direção. As atividades do quarto de brincar devem ser sempre divertidas e prazerosas para a criança caso contrário não surtirão efeito;

Outro conceito muito importante que aprendi é que devemos nos cobrar menos nas sessões com relação aos resultados. Se ficarmos preocupados se estamos fazendo as atividades da forma correta ou se elas realmente darão algum resultado às sessões deixam de ser prazerosas para nós. Quando ficamos mais a vontade com nossa criança nos tornamos mais criativos, mais divertidos e disponíveis.

Portanto, brinquem bastante com seus filhos autistas ou neurotípicos, faz um bem enorme para eles e para nós. Esta é uma das poucas oportunidades que temos na vida de voltar a ser criança.

2 comentários:

  1. Graças a você tenho aprendido a dar mais valor as minhas atividades com Clarinha. Ah! amei a foto nova. Está lindo com esse sorrisinho. Amo vcs!!

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  2. Linda foto!

    Tenho um irmãozinho autista de 9 anos e infelizmente não partitipei do workshop son rise...

    Mas sempre brinquei com meu mano do que ele quis, memo que não entedendesse o porquê. E ensinei minhas brincadeiras! Brincar é bom demais e hpje em dia a duas brincadeiras prediletas dele são "esconde esconde" e "esolinha" sendo que ele é o professor e eu e minha irmã as alunas.

    Montei um blog pra ele e linkei o seu... passa lá! Vou estar sempre por aqui agora.

    Fiz uma reunião de pais de autistas e li o texto do "desbiciclético", AMEI!

    Beijos!

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