sábado, 2 de agosto de 2008

A Nutrição da Criança Autista - Parte 2

De posse de todas informações semiológicas necessárias ao entendimento do distúrbio, é indicado utilizar as seguintes estratégias nutricionais propostas:

Orientações e informações sobre a desordem do autismo e suas implicações na nutrição, inicialmente devem ser direcionadas para os pais e profissionais não-médicos da instituição que, por ventura atenda estes pacientes;

Observar a viabilização do tratamento nutricional na residência dos autistas, sempre respeitando as condições sócio-econômicas de cada família;

O tratamento Nutricional, somente deve ser iniciado, após o conhecimento da complexidade da doença, que, se faz com a retirada controlada dos principais nutrientes que resultam na formação dos opióides, que é um dos principais causadores dos problemas neurológicos de cognição e comportamento do autista.

Assim, sugere-se o seguinte protocolo adaptado e ordenado:

A. Retirada da caseína e de todos os produtos derivados dessa proteína dos alimentos destinados aos autistas, com observação constante do Nutricionista por um período de 3 semanas (tempo experimental de possíveis reações adversas do procedimento);

B. Após o período experimental em relação à restrição da caseína e derivados, inicia-se a retirada do glúten e derivados da alimentação do autista, seguindo o mesmo critério de observação utilizado para caseína, mas agora por um período experimental de 5 meses;

As observações constantes do nutricionista se fazem necessárias com o objetivo de prevenir possíveis quadros de deficiências de vitaminas e minerais que possam ser iniciadas com a retirada dos componentes alimentares conforme descritos e, principalmente, a possibilidade do aparecimento da síndrome de abstinência, ocasionada pelo bloqueio e interferência da ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central, a qual pode não apresentar grande conseqüência nutricional para o paciente. Mas se houver, alguma conseqüência, estas surgirão como alterações psicológicas e psicomotoras significativas, e nesse caso, deverão ser discutidos juntamente com a equipe de tratamento do paciente.

A ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central deve ser um dos fatores mais importantes discutidos no tratamento da criança com autismo, bem como, os efeitos da síndrome de abstinência nestes indivíduos, relacionada à restrição de glúten e caseína, requerem uma atenção intensiva, não só do Nutricionista, mas também, do outros profissionais que estão vinculados ao tratamento do autista.

Diante de todas as implicações do distúrbio autista associado à Nutrição, o tratamento deve ser sempre aplicado de forma interativa e multidisciplinar, bem como integração dos membros da família do paciente, objetivando, não a cura da doença, mas uma melhora efetiva nas características e sintomas da desordem.

César Augusto Bueno dos Santos
Nutricionista
Prof. Patologia Geral
Coordenador Curso Nutrição – UNIFENAS/BH

5 comentários:

  1. Excelentes informaçoes dadas no trabalho do Prof. Cesar, fico feliz por ter pessoas que estao dispostas a estudarem uma doença na busca de tratamento e condiçoes melhores de vida as crianças.
    Para bens ao blog O Mundo de Peu, que nao mediu esforços para divulgar o trabalho do Prof. Cesar, que nao aparece muito porque seu trabalho e polemico para os outros profissionais da area.

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  2. Maria Ap. Dorela da Silva27 de janeiro de 2009 13:25

    Parabéns pelas informações na página. Parabéns ao professor Cesar Augusto Bueno dos Santos.
    Divulguem estas informações ao mundo, todos merecemos saber mais sobre a doença.

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  3. Recentemente falaei com o Professor Cesar por email e o mesmo foi muito educado em passar todas as informações sobre a doença.
    Agradeço ao Professor Cesar e a este blog.

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  4. Olá!Meu nome é Fátima,e tenho um filho autista de 20 anos.Ele era um menino muito agitado e ansioso, mas depois que fizemos mudanças em sua alimentação, seu comportamento melhorou muito!Ele ficou bem mais calmo,e as mudanças são instantâneas, é incrível!Descobrimos que o glúten e a caseína, após serem retirados da alimentação, provocaram mudanças profundas.Eu não imaginava que as mudanças aconteceriam de forma tão rápida e eficiente, mas acreditem, é verdade!

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  5. Parabéns ao responsavel pelo blog, tenho algumas informações, o prof. Cesar não está mais na unifenas, ele está trabalhando no Izabela Hendrix e deve montar um centro de referência de atendimento nutricional ao autista. Isto é uma boa noticia a todos as crianças autistas.

    Ana Cristina Pereira - Mãe de autista.

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