terça-feira, 15 de julho de 2008

O estranho caso do cachorro morto

Christopher Boone odeia coisas marrons e amarelas. Perde a fome quando, no seu prato, um tipo de comida encosta em outro. Sabe de cor todas as capitais do mundo e os números primos até 7.507. Adora assistir a documentários no Discovery Channel. Detesta piadas e metáforas, porque quase nunca as entende. Gosta muito de cachorros (que não fazem piadas) e bem pouco de lugares lotados. Quando está nervoso, faz contas mentalmente para se acalmar.

Chris é o protagonista de O estranho caso do cachorro morto (Editora Record), livro daqueles que quando você termina, fica tentando lembrar há quanto tempo não lia algo tão bom. Seu genial autor, Mark Haddon, conta alguns meses da intrigante vida desse menino de quinze anos que sofre de uma espécie de autismo chamada Síndrome de Asperger. Fã de Sherlock Holmes, o garoto decide investigar a morte de Wellington, o cachorro da vizinha. Tudo porque, de repente, ele é o principal suspeito do crime e acaba sendo preso - emoções demais para Chris.

Quando conta suas aventuras à sua professora (em uma escola para garotos especiais), ela sugere que escreva um livro, relatando e organizando todas as suas investigações sobre o assassinato. O resultado desse trabalho é o próprio livro O estranho caso do cachorro morto.

Assim sendo, a linguagem é bem simples e cativante e há vários gráficos, tabelas e diagramas explicando as pistas - o que pode soar maçante tem o efeito contrário quando sai da cabeça de Chris: deixa o livro ainda mais intrigante.

Mas não foi só na maneira de escrever que Mark Haddon expressou um profundo conhecimento da doença. Ajudante de classe em uma escola como a do protagonista por alguns anos, ele conviveu com crianças autistas e soube expressar essa experiência no livro. Prova disso é o artigo de um adolescente que sofre do mesmo mal elogiando Haddon e encontrando várias semelhanças entre Chris e ele mesmo.

Logo nas primeiras páginas, Chris deixa bem claro que esse não será um livro engraçado. No entanto, fica difícil não rir (ainda que com uma dose de constrangimento) das trapalhadas e da falta de malícia do garoto. Ainda mais difícil é deixar o livro de lado antes de chegar à última página.
Editora: Record
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 287
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Resenha extraída do site Omelete

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