domingo, 20 de julho de 2008

Avô elabora navegador para neto autista

BRIAN BERGSTEIN da Associated Press

John LeSieur atua na área de softwares, de forma que lhe chamou a atenção o fato de os computadores parecerem não ter utilidade nenhuma para seu neto de seis anos de idade, Zackary. O garoto sofre de autismo, e o grande número de opções oferecido pelos PCs confundiam-no de tal forma que Zackary, frustrado, costumava atirar o mouse longe.

LeSieur tentou encontrar ferramentas on-line que poderiam guiar uma criança autista na internet, mas não encontrou nada que fosse satisfatório. Então criou um programa que, em homenagem ao neto, chamou de Browser Zac para Crianças Autistas. Agora, o software pode ser obtido gratuitamente por qualquer interessado (http://www.zacbrowser.com/).

O Browser Zac simplifica a tarefa de usar um computador. Ele bloqueia o carregamento de vários sites, impedindo o acesso a materiais violentos, de conteúdo sexual ou qualquer outro tipo dirigido apenas a adultos. E apresenta um número limitado de sites gratuitos e públicos, com ênfase em jogos educacionais, músicas, vídeos e imagens divertidas, como a de um aquário virtual.

Outros programas para crianças já possibilitam ingressar na internet de forma protegida. O browser de LeSieur, porém, assume o comando do computador e reduz a quantidade de controles disponíveis --para crianças como Zackary, um número excessivo de opções pode ser estressante.

Ele desliga, por exemplo, a tecla Print Screen e o botão direito do mouse. Isso elimina comandos dos quais as crianças não precisarão e reduz a chance de que um menino autista perca confiança após clicar em algo que o atrapalharia.

Ao utilizarem o navegador de LeSieur, as crianças selecionam as atividades clicando em ícones maiores que os normais, como uma bola de futebol para jogos e uma pilha de livros para histórias. O Browser Zac também configura a tela para barrar propagandas e outros tipos de distração que eventualmente surgiriam diante do usuário.

Resultados

O autismo costuma prejudicar a capacidade de comunicação do doente, e Zackary não fala muito. Mas a mãe dele, Emmanuelle Villeneuve, contou que o garoto consegue abrir o Browser Zac sozinho. Ele gosta de ouvir música por meio do programa e tentar solucionar alguns quebra-cabeças.

Zackary continua a agir de forma agressiva contra a TV, mas não tenta mais quebrar o computador.

LeSieur não criou o browser consultando pessoas consideradas especialistas nos vários tipos de autismo. A pequena empresa de software que ele dirige, a People CD, fez o Browser Zac, basicamente, para atender às necessidades de Zackary e concluiu que tal instrumento talvez ajudasse outras crianças autistas.

As primeiras avaliações sobre o software foram positivas. Agora LeSieur pretende adaptar o programa a fim de que os pais possam sugerir o acréscimo de novos conteúdos.

Tradução de RODRIGO CAMPOS CASTRO da Folha Online

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